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viver

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A gente mata um pedaço da gente quando deixamos passar o que é mais emergencial e inadiável em nós. A gente mata um pedaço da gente quando calamos a vontade de dizer, quando nos envergonhamos da nossa vulnerabilidade e represamos nossas lágrimas com um erguer bonito de queixo. A gente mata um pedaço da gente quando cambiamos o desiludir dos sonhos dos outros pela desilusão desportiva dos nossos.

A gente mata um pedaço da gente quando dividimos refeições por educação, quando transamos em troca de falsa autoestima, quando beijamos pra sarar o medo de ficar sozinho: o nosso e o dos outros. E no afã inútil de não ferir ninguém, e no desespero de salvar a nós mesmos, a gente vai se matando lentamente.

A gente mata um pedaço da gente a cada novo arrependimento sem tentativa, a cada vez que nos dizemos não sem motivo real. A gente mata um pedaço da gente quando deixamos o medo tomar o guidão e pegar embalo. A gente mata um pedaço da gente quando nos obrigamos a sair de casa, mas nossa vontade é apenas chorar ouvindo um disco da Gal.

Um dia alguém ensinou que é preciso lutar contra a tristeza que mora em nós. Levianamente não nos disseram que às vezes ela precisa ser vivida e não contornada como um copo quebrado no chão. Vez ou outra, é preciso atravessá-las devagar, com um respeito solene. A gente mata um pedaço da gente porque esquecemos que sentimento nenhum é acidental.

E assim, a gente vai matando um pedaço da gente até não restar mais pedaço nenhum pra juntar.

Diego Engenho Novo

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Leia ouvindo isso

Saí sozinho naquela manhã. Há duas manhãs nosso acampamento amanhecia cercado por pegadas felinas. Uma onça curiosa passava a noite fuçando entre as barracas. Apesar disso, saí sozinho naquela manhã, com a sensação de que não corríamos perigo. Sua espreita era inocente, quase moleca. Eu queria vê-la. Segui uma estrada de areia fininha e depois, virei à esquerda numa trilha, por onde caminhei por alguns minutos. Entrei na mata. Era para onde seguiam as pegadas.

Conforme a mata ia se fechando como um abraço que tenta calar, meu coração acelerava. Agora sim, estava com medo. O que é que eu tinha na cabeça? E se aquele bicho me encontrasse também? E se aquelas pegadas fossem dar em algum lugar? E se eu morresse? Coração a mil. Um som vindo da mata interrompeu meus pensamentos. Algo grande se movia entre as folhagens. Mais e mais perto. Era ela. Tinha vindo ao meu encontro. Tenha com o que pedes o mesmo cuidado com o que ofereces.

E a cada aproximar-se certeiro, meu peito parecia querer explodir. Toda a minha busca ali, me encontrando. Que inocência de minha parte acreditar que a busca não gera encontros, o medo não gera perigo. As perguntas amamentam as respostas. Parei e esperei o inevitável. Poderia tentar lutar. Peguei um pau, um galho, fechei os punhos, cerrei os dentes, arregalei os olhos. Era a própria morte costurando a mata. Revelaram-se então quatro porquinhos do mato. A da frente era a maior e a mãe. Em linha reta, cruzaram a trilha e pararam por um segundo para indagar minha presença estranha.

Ajoelhei-me e chorei copiosamente. De alívio, depois de gratidão, depois compreensão. Chorei com a mão da vida sobre meus ombros, dizendo que mesmo nossos rompantes impulsivos, mesmo nossa arrogância desmedida, mesmo nossos maiores medos não eram páreos para a sabedoria que apazígua. Se o peito é puro, se o ímpeto é correto, se a honestidade é nossa amiga, é a bondade que rege todos os acontecimentos. A vida vai trocando com a gente: amor pela capacidade de ser amado, servidão por generosidade, curiosidade pelas surpresas mais doces. Trilhe sem medo. Saía da trilha.

Diego Engenho Novo


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Imagem: sophiaassociatesinc

Nosso navio costurava a imensidão do Amazonas. Embalados nas redes, assistíamos o dia ir se encostando. Ao pôr-do-sol, eu me embicava na frente do barco, como um moleque curioso – Então, você é o nosso timoneiro? – perguntou um senhorzinho com roupas de motociclista – Sim, eu que tô guiando agora – brinquei.

Ele ficou surpreso por eu saber o que era aquilo, um timoneiro. Mas havia algo ainda na manga, algo que ele podia me dar de presente – E um timo, você sabe o que é esse timo do timoneiro? – eu estava tão feliz quanto ele por não saber. Algo me dizia que ele iria me contar.

Explicou-me que o timo é um órgão do nosso corpo que vai desaparecendo ao longo da vida adulta, até se diluir em nosso corpo. Ele fica ali, no centro do peito, entre o coração e nossos pulmões, apontando sempre adiante, como quem guia nossas emoções, protegendo-nos pelo caminho. Timoneiro nosso.

Porque será que ele vai recuando? Oprimido por corações que se expandiram demais? Apertado por um par de pulmões inflados em busca de liberdade? Nosso timo é sufocado porque a gente amou de um tanto que ele não poderia mais nos proteger? Que biologia perversa é essa que vai desfarelando a gente, que vai nos desligando por fases?

Com o tempo vamos ficando mesmo mais ocos, vamos sendo preenchidos de um vazio novo, recém-chegado na gente. Se é o timo que nos impele pra frente, que direção tomamos quando ele se apaga em nós? Eu e minhas tantas perguntas, pude apenas encarar o rio, pausar a mão ao centro do peito e repetir baixinho – Guie meu coração, mostre-me o caminho, infla-me de sonhos até chegar o dia em que seguiremos nós, embarcações sem timoneiro.

Diego Engenho Novo


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Imagem: thenextweb.com

Às vezes não adianta. Não bate mesmo. Na pausa do – Muito prazer! – da pessoa a gente percebe que não vai com a cara dela e pronto. E estranhamente a gente começa a cavoucar os defeitos, procurar ironias, atento a uma opinião que a gente possa demonizar. A gente procura até que encontra um motivo, ou milhares, que confirmem aquele azedume precoce. Nosso santo não bate, minha filha.

Há uns anos cruzei com o Marcelo no aeroporto. Ambos íamos de Brasília pra Palmas. Não posso dizer que não gostava dele. Eu não o conhecia. Mas nem precisava: o tal do santo não batia de jeito nenhum. Nossos tantos amigos em comum só tornavam a implicância mais estranha ainda. Mas eu permaneci no meu papel de manter-me a uma distância segura. Distância que ele cruzou com seis palavrinhas mágicas – Porque você não gosta de mim? – gelei – Eu não tenho nada contra você Marcelo. A gente só não se conhece, né? – parecia primitivo demais admitir pra ele o real motivo.

No saguão da sala de embarque ecoou o aviso de que nosso voo havia sido mudado de portão, atrasado, atropelado uma garça, ficado preso no Nepal. O universo me queria ali, em banho-maria de constrangimento. Marcelo me chamou pra um café e ficamos ali conversando por cerca de duas horas. Reclamando do atraso juntos. Rindo das mesmas situações. Adorando os mesmos autores. Até aniversário a gente fazia no mesmo dia. Marcelo, para meu pavor, era um cara muito bacana. E eu nunca me senti tão pequeno.

Claro, às vezes o santo que não bate tem fundamento. E ele já nos livrou tantas vezes de gente esquisita. Mas entre seus acertos, penso eu, quantos erros cometi pela vida? Quanta gente foi taxada de antipática por ser tímida? Quanta gente passou por grosseira por estar em um mau dia? Todo mundo pode ter um dia bem ruim. Quanta gente foi repelida por um dizer que a gente escutou errado? Quanto amor abortado antes mesmo de vir à luz? Quanta chance perdida? Quanta gente querida que passou sem nem mesmo ter tempo de encostar-se na vida da gente? Quanta verdade perdida por preguiça, medo ou intolerância nossa? Quantas meias verdades vendidas a preço de ouro?

Perdão a todos vocês que foram vítimas minhas da primeira impressão. É ela que fica, mas não devia. Todo mundo pode errar e isso não o tornar uma pessoa má. Todo mundo pode acordar por dentro de um dia ruim. Inclusive a gente. Inclusive a nossa intuição. Às vezes nosso santo não bate por pura preguiça de olhar para os nossos próprios pecadinhos.


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Foto: healthflexhhs.com/blog/slow-your-roll-enjoying-the-little-things-in-life/

Comecei a pensar nisso no dia em que vi Túlio penando pra cortar o próprio bife – Desde quando você é canhoto, menino? – me sentindo o pior amigo do mundo por nunca ter notado – Eu não sou. Eu estou. Existem estudos que dizem que se você faz algo muito rotineiro de uma forma completamente diferente, isso funciona como um acordar para o cérebro. Neuróbica – explicou enquanto um pedaço de carne voava pra fora da mesa. Não tinha como não pensar mesmo, assim como estimulamos nosso cérebro forçando novas possibilidades, também não conseguiríamos acordar o coração da gente?

Troque as mãos quando for perdoar. Tire-se do lugar de sempre correto e ponha-se no lugar de quem sofre, de quem é agressivo ou desagradável porque se defende. Vire um canhoto da aceitação do próximo. Use uma venda no olhar e caminhe como se fosse cego para as imperfeições do outro. E se só por um dia a gente não atacar, não diminuir quem a gente ama, será que perceberemos o quanto estamos tristemente acostumados a fazer isso o tempo todo?

Tome um caminho novo. E se ao invés de duvidar primeiro, você logo de cara acreditar, mesmo que seja um convite glorioso para quebrar a cara? Os feitos mais doces partiram de corações que não duvidavam. E se você mudar seu relógio para o pulso não costumeiro, será que terá mais tempo para apreciar a companhia dos mais velhos? Terá mais paciência para amá-los mesmo quando os assuntos não forem exatamente do seu interesse do mesmo jeito que eles fizeram por tanto tempo com você? Ótimo exercício.

Que tal andar de costas? E prestar atenção nas pessoas que você deixou pra trás pela falta de tempo, pela mudança de rota, pela mágoa, por orgulho roxo? Sempre haverá tempo pra resgatar alguém que nos ama, mas não está mais em nossa predileção. Ativador máster de corações. Monte quebra-cabeças listando tudo o que ainda o torna incompleto e vá se completar. Há uma viagem para ser feita, um sabor que ficou na infância, uma meta desacreditada. Se ainda não pode realizar seus sonhos, ajude alguém a realizar o próprio. Acorde seu coração, tire-o da normose, coloque-o pra palpitar, alto e forte. Vai que a alma da gente se expande? Dizem que ao lado do coração, a felicidade acorda depois de um tempão dormindo abraçados.

Diego Engenho Novo


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Aquele ano foi terrível para Araceli. Não éramos exatamente amigos. Eu a encontrava na casa de um casal de amigos e sempre a ouvia falar da vida. Aquela mulher merecia um prêmio. Sério. O marido era um sacana, sua loja de roupas de banho estava falindo, ela ganhava peso, apesar de tantas dietas malucas, semana após semana – Mas eu continuo forte. Eu sigo firme. Não vou desistir não! – dizia, mexendo seu famoso assado no tempero, com uma tristeza intacta por trás daquele sorriso incrivelmente insistente.

Um dia a encontrei no shopping. Onze milhões de habitantes nessa cidade e eu a encontrei olhando uma vitrine. Atravessamos a rua pra tomar um suco em um beco charmoso cheio desses food trucks. Ela tentou falar de outras coisas, mas claro, seu coração queria falar do marido, da loja que sua mãe deixou, dos quilos que a incomodavam – Tem sido difícil. Nem eu sei como aguento. Mas eu li um texto seu esses dias que falava sobre isso. Sobre não desistir – me contou em tom de elogio. Aquilo me incomodou profundamente.

Aquele texto não era pra ela – Araceli, eu sei que vai parecer estranho o que eu vou dizer, mas… desista. – ela estava em choque – Como assim, desistir? – com o copo gigante de suco congelado no ar – Não basta perseverar. Nós também precisamos entender, sentir se estamos insistindo na direção correta. Às vezes, enquanto todo mundo diz pra gente continuar, nós temos que saber se aquele caminho merece mesmo nosso esforço. Existem caminhos superdifíceis que simplesmente não levam a lugar nenhum. A vida tenta muito sabiamente nos mostrar isso, como uma mãe delicada. A gente é que não vê – disse, abaixando o copo dela com cuidado enquanto segurava as suas duas mãos.

Vez ou outra, a gente precisa parar de machucar os pés, dar murro em ponta de faca, ter a coragem de deixar pra lá. Um relacionamento infeliz que pede desistência, pode dar espaço a uma história pela qual valha verdadeiramente a pena lutar. Um sonho que nem é nosso, um emprego que nos diminui, a carreira que escolhemos lá atrás, quando nem sabíamos quem éramos de verdade. Talvez você precise simplesmente desistir agora. É fácil reconhecer um caminho que é nosso. Mesmo na dificuldade, mesmo na dor, mesmo nas noites insones, ele se mostra nosso, flui, ainda que devagar.

Um ano depois reencontrei Araceli no mesmo lugar. Dessa vez, fui visitá-la na inauguração do seu próprio food truck. Foi lá que conheci seu namorado novo, aquele poço de carinho, correndo pra um lado e pro outro pra atender todo mundo, enquanto ela se matava de cozinhar com um sorriso insistente no rosto. Ela não emagreceu. Continua lutando. Embora Beto a agarre o tempo todo, a implorando para não mudar. Minha comida chegou com algo escrito no guardanapo. Um recado de Araceli dizia “Fui feliz bem mais quando aprendi a desistir do que não era pra mim”. 

Diego Engenho Novo


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(você pode ler ouvindo isto http://goo.gl/gR2pzM)

Queria saber de onde vem a leveza que buscamos tanto? Por uma vida inteira, de olhos nas estrelas e depois arqueados, a buscamos. E por vezes a tocamos, como os amantes distantes não permitidos, e por poucos segundos, estamos ao lado dela. E em uma manhã desprovida de encanto, comum na rotina, ela nos abraça por trás e aí enxergamos.

Se abre nosso espírito sonhador, abre-se também nosso peito que ama sem questionar. Se abre nossa verdade que é aliada do bem, abre-se junto aos dois uma flor que só a ternura plantou. Abrem-se as crianças em risos que também fazem rir. Abrem-se os braços dos amantes deixando ir pra chamar de volta, sua outra metade. Está tudo ali, sem que tantas vezes as possamos enxergar.

Também está lá a lembrança escondida no cheiro que vem de longe, o acalento minúsculo do olhar do passante, a história murmurada pelo entalho da porta, o gosto sublimado pela fruta posta. Está tudo lá, embalado em leveza, mas a gente não vê. E eu queria saber onde nasce essa fonte, onde mora essa deusa, onde dorme essa estrelinha pequenininha chamada leveza.

Que se abre como os raios, iluminando também por dentro e por fora. Que abriga os bons e os maus, porque entende que os maus são apenas crianças famintas de colo. E se abre também para os que têm medo de perder-se em caminhos, abre-se outra vez sinalizando a esperança. Que se abre como uma asa, uma janela e um ninho, mas generosa se guarda pequena, miúda, um restinho embrulhado para se doar também na fundura do amanhã.

De onde vem a leveza que buscamos tanto? Por uma vida inteira, de olhos nas estrelas e depois arqueados, a buscamos, sem saber que ela também se pergunta, de onde brotamos nós.

Diego Engenho Novo


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Ia ver Caio. Gosto tanto de conversar com ele que quando sei que vou vê-lo, fico revisitando as pautas, organizando os assuntos na minha cabeça. Eu ensaio mentalmente nossa conversa. Enquanto fazia isso, pensei em levar um presente. Caio adora escrever também. Daria um caderno.

Lembrei que, dia desses, passando pela papelaria, tinha me apaixonado por um papel de presente antigo, com flores imensas nele. Entrei e comprei, sem saber quando o usaria. Por alguns minutos, fiquei tão contente, ali, apanhando da fita adesiva, brigando com a borda que teimava em ficar torta, segurando a tesoura do jeito errado, como sempre faço: enfio o polegar no espaço pros outros dedos e os dedos no buraco menor.

Tentei me lembrar da última vez que embalei um presente, pensando em como seria bom que, alguns minutos depois, destruíssem tudo aquilo com a surpresa estampada no rosto. Pensei em como estamos ficando sem tempo para a delicadeza. Há quanto tempo não secamos uma folha dentro de um livro, só pra um dia, depois, encontrá-la lá, adorável? Há quanto tempo não colocamos nossa música preferida para ouvi-la de olhos fechados? Há milhares e milhares de séculos não temos tempo para sentir o cheirinho que antevem o beber do café. 

Faz séculos que a gente não se esforça pra ver as estrelas, aprender o nome de uma constelação nova. Foi em outra vida, que a gente alinhou os lápis de cor pra fazer um desenho bonito e dar de presente pra alguém? Eu adoraria ganhar um desenho, um bordado, um crochê, um pão feito em casa, qualquer mimo delicado que tenha passado pela delicadeza do fazer.

Em tempos em que não temos tempo nenhum, existirá presente maior do que tirar dois minutos pra amar de um jeito diferente? Caio adorou a lembrancinha. Eu adorei estar com ele. Estar com quem desperta o melhor na gente é sempre um presente. Estar com quem acorda na gente a delicadeza que a pressa adormeceu.

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(leia ouvindo isto http://migre.me/ronPi)

Daqui de cima observo as figueiras que se estiram pelo canteiro central da avenida. Venta forte, talvez chova e, por alguns momentos, me parece mesmo que aquelas árvores de raízes enormes serão levadas como plumas pela brutalidade do vento. Que elas, pesadas e fundas, sairão por aí, contrariando tudo o que se sabe sobre figueiras.

Elas dançam, se curvam, ameaçam, mas não, elas não se vão. Estão há séculos ali, fincadas, fazendo sombra para si próprias, alimentando-se de floquinhos de luz, sendo o que nasceram para ser. Assim também seguimos, ameaçando dar passos que não damos, nos esticando em direção aos nossos sonhos, mas não o suficiente para agarrá-los.

Assim somos, por tantas vezes sem sair do lugar. O que nos prende? É a fundura de nossas raízes ou a rasura de nossos medos? Os amores que nos calharam aceitar; o emprego que paga as contas, mas adoece o peito; os amigos nem tão amigos a quem aprendemos tolerar a maldade; tudo ao que nos acostumamos se torna nossa prisão voluntária.

E as figueiras seguem as mudanças da estação, fingindo que se tornam outras, fingindo-se diferentes, fincadas no canteiro central. Assim, fomos criados para sermos a sombra dos sonhos dos outros. O mundo está aí, sussurrando baixinho.

Contrarie tudo o que se sabe sobre você. Cale as suas próprias ameaças e vá. Ao contrário das figueiras, nossas raízes estão plantadas no solo de nossos corações, mas nossos passos, livres. Perigosamente livres. Gosto de pensar que se não soubessem que são figueiras, o canteiro central agora estaria vazio. Todas soltas por aí. Você é livre e agora sabe.

Diego Engenho Novo


 

 

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Closeup on a young woman's feet and legs as she is trekking in the mountains

A trilha do Pai Zé se estirava à minha frente. Íngreme, dura, mas de fato, linda. À volta o som da mata e de minha falta de ar. Pouco adiante, duas mulheres na faixa dos sessenta anos, seguiam devagarinho com seus bastões de caminhada supermodernos e aqueles chapéus engraçados com proteção solar.

Em certo momento, um grupo de adolescentes, uns oito, descia a trilha na direção oposta voltando do pico. Falavam alto, riam e, ao cruzarem as duas senhoras, soltaram frases como – Ish, nesse pique, chega não – Firma o passo aí que tá longe ainda e a pior parte da trilha nem chegou – Boa sorte, vocês vão precisar. Banho de água fria. Eu murchei na hora.

O que gente assim ganha fazendo esse tipo de coisa? Sempre me pergunto isso. Que prazer estranho é esse de desmotivar os outros, de projetar suas frustrações no caminho alheio? Eles se sentiram um pouco melhores ao nos deixar piores? Baixa autoestima? Eu estava tão irritado que só não disse umas verdades pra eles porque simplesmente não tinha fôlego pra falar. Que bom que não tive.

Mas eu ainda podia ouvir, e ouvi docemente uma das senhoras perguntando à outra em inglês se ela tinha entendido o que os garotos estavam tentando dizer. Sua amiga, tão gringa quanto, concluiu que, como o grupo estava sorrindo pra elas, deviam estar avisando – Logo ali, depois da curva! – Vocês estão chegando, coragem! – E sorriram também uma pra outra, concordando que a trilha provavelmente estava chegando ao fim. Minutos depois, ao topo, reencontrei as duas, emocionadas por terem conseguido chegar.

Será esse o segredo? Simplesmente não ouvir? Que meus ouvidos se fechem para a maldade gratuita, o desejo inoportuno, o vampirismo inconsciente, o mal querer por tantas vezes ciente das pessoas que cruzam. Que enquanto seus lábios me dizem para parar, eu entenda ‘seguir’, e de fato siga, duas vezes mais forte. Que quando aqueles, que mal tentaram, me disserem que também não conseguirei, eu só escute o som do meu peito, bravo e inabalável, afirmando que para mim aquele caminho é possível. Ouvidos moucos, essa é a receita dos que chegam ao topo da trilha da vida. 

Diego Engenho Novo


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