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tempo

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Volta daqui um ano. Passa daqui uns meses, combinado? Volta que agora o passado é que não me deixa seguir adiante. Volta e se coloca preciosamente diante dos meus olhos. A sua visão é a primeira que tenho depois de nada enxergar, depois de muito tempo. Como um alumiar fazendo cócegas na dureza noturna. Você pode voltar?

Agora não dá. É tempo perdido, momento errado, dia desses que ninguém mais cabe. Ninguém além das memórias da gente. Promete que volta? Passe mesmo na volta pra me encontrar. Até lá, talvez eu já possa transformar essa adoração delicada em algo que faça bem a nós dois. De fato, hoje só me sinto inapta.

Talvez até lá eu já carregue no peito um lugar tranquilo onde você possa esquecer-se que de nós nada fica. E mesmo cientes de que toda vida é preenchida de ida, tramaremos segui-la juntos. Idos os anos em que nos maturamos e nada aprendemos. E nada aprendemos.

Passe na volta. Por enquanto só quero me sentar à porta como quem também mora pelo lado de fora. Por enquanto só posso amarrar meus cabelos em uma desordem mais contida, respirar bem fundo acarinhando meus pulmões, ser leveza, ser sozinha, ser eu mesma, miudinha, abraçando os próprios joelhos.

Você parece mesmo ser incrível e, ao mesmo tempo, incrivelmente inconveniente. Pra você darei meu ‘sim’. Não agora. Eu nunca soube amar menos do que com tudo. Passa outra hora, vai! – como se apaixonar-se pudesse mesmo voltar, como retornam depois do frio as estações mais quentes.

Diego Engenho Novo


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Se há dez anos você me perguntasse onde eu estaria, quem sabe eu dissesse algo sobre viajar pelo mundo com meus amigos disfarçados de banda, quem sabe eu me visse sozinho em lugarzinho frio que só é alcançado pelos beijos dos barcos. Quem sabe eu mentisse, quem sabe eu pensasse que estaria cercando os meus filhos, como uma nuvem pesada tenta cercar os raios do sol.

Se há dez anos, eu me imaginasse, com um pouco mais de dinheiro e menos cabelos, com mais carimbos no passaporte, que amigos pelo mundo, com mais arrependimentos que saudades, eu teria feito tudo exatamente igual? Se há dez anos, alguém me perguntasse eu seria capaz de imaginar algo incrível como carros que voam, ciências que curam, corações que se regeneram após serem partidos?

Se há dez anos, eu olhasse para frente, e tentasse me enxergar como quem tentar firmar as vistas em alguém que ama na multidão, eu me enxergaria? Eu me reconheceria, depois de todas as mudanças da curva do meu riso, depois de todas as palavras ditas que fogem como lagartos, desautorizadas? O que você pensou que estaria fazendo hoje, dez anos atrás? Por favor, deixe-se orgulhoso, mas permita-se sempre se reescrever.

Eu estou me desfazendo, simplificando, desfarelando, me entregando à ordem natural de tudo o que desaparece. E eu não temo isso. Em algum lugar, todos nós nos eternizaremos. Se me perguntassem o que eu estarei fazendo daqui há exatos dez anos, não haveria dúvida, nem arrependimento: daqui há dez anos ainda estarei olhando pra você como quem encontrou a resposta para a dúvida que sempre teve.

Diego Engenho Novo


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Eu sei, você não tem tempo. Tempo que é o monstro dos meninos crescidos. Na correria dos dias, nas noites insuficientes, você não tem tempo para me olhar nos olhos. Sentado em seu carro que não anda ou encurralado nos vagões que desaprenderam a andar pra frente, você pensa em mim, por um minuto que seja? Eu penso muito nisso. Talvez seja a hora de você transformar sua vontade em parada.

E eu estou em todos os pequenos detalhes retorcidos da cidade, te admirando enquanto você corre por aí. Não sei se você teve tempo pra notar, que eu te amei na rebeldia dos pássaros que não respeitam faróis, que eu te esperei nas vitrines que são sempre verão, que eu chamei e que eu tomei seu santo nome, três, sete mil vezes, em vão.

Você chama por mim, nessas filas que crescem para trás? Eu temo que quando eu me torne prioritário pra você, já estejamos envelhecidos demais ou puxando de uma perna. Porque você bem sabe: o desamor vai deformando a gente. Mas eu sei: você não tem tempo. Minhas ânsias, meus medos, minha carência desmedida o tomam demais e eu não sei se posso mais me esgueirar por entre seus nãos, por entre os vãos que te sobram.

Você já parou pra pensar, que talvez olhando de pressa você não enxergue nada completamente? Que os meus olhos te olhando não sejam somente mais um compromisso. Que os meus dedos tranquilos não reconhecem limites. Que os meus beijos demorados, de tão apressados perderam sentido? Olhe pra mim. Só por dois segundos seguidos. Esse é todo o tempo que vai levar pra você notar que assim como o tempo que finge ganhar, você também tem me perdido.

Diego Engenho Novo


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Por muito tempo, esperei ter dentes perfeitos para sorrir, ter nos lábios as palavras certas para dizer que errei, por tempo demais eu chorei pra ninguém ouvir. Por muito tempo eu tentei, mesmo sabendo que no fim só haveria a mim. Guardei-me para os dias especiais, prometi enxergar-te, verter-me para ti, dar a devida importância, deixar tudo de lado para ficar do seu. Pensei que você ficaria mais tempo por aqui.

Por muito tempo, esperei um convite para partir, uma mão que me guiasse pra bem longe, alguém que me afastasse dos dias tristes que me acompanham. Por muito tempo, esperei que mundo me dissesse que sim, que houvesse uma segunda chance para me defender, que houvesse arrependimento da trincheira à frente, esperei verdade de quem a desconhece, acreditei em um mundo um pouco melhor sem nenhuma mudança vinda de mim.

Por muito tempo, adiei os livros que já nasceram para ser lidos por mim, deixei de ir ao cinema por falta de companhia, guardei meu melhor vinho até ter as taças. Por tanto tempo, guardei a roupa mais incrível para o dia perfeito. Por tanto tempo alimentei tanto minhas ilusões quanto dei de comer às traças. Por muito tempo, quis conhecer a vista do topo do meu próprio prédio, quis vencer a lógica dos domingos e subir a serra, quis pegar um avião sem falar qualquer outro idioma, por muito tempo, quis vencer meu tédio costumeiro e ser livre.

Por muito tempo, esperei as melhores ondas pra entrar no mar. As melhores palavras pra acreditar, o melhor momento pra agir, a melhor desculpa pra fugir. Por muito tempo, esperei a verdade para oferecê-la em troca, esperei o silêncio para dizer, esperei a calma para guarda-la. Por muito tempo esperei primeiro ser amado para depois amar, esperei que fosse eterno para me entregar, esperei por tempo demais para ser feliz.

Diego Engenho Novo


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Passe quanto tempo passe, aconteçam quantas mudanças aconteçam ao centro de nossas órbitas: reencontrar um olhar cúmplice, um cheiro conhecido, um abraço despreocupado é sempre reencontrar-se. Se pessoas são lugares, encontros são estradas. Reencontrar é pôr-se em trânsito, na ânsia das chegadas, no ímpeto das partidas. Reencontrar é colocar a alma para viajar como um carro antigo que volta às curvas de uma estrada conhecida, sem pressa.

A dádiva do reencontro fica mais clara, é claro, sobre as costas largas do tempo que se espreguiça, ainda que também seja possível reencontrar quem se vê todo dia. Reencontrar com a mesma doçura quem se viu antes dos sonhos, quem se reencontra na régua tórrida dos dias, no empilhar quase metódico das horas, quem a gente sempre tem à mão para dividir nossas banalidades mais simplórias. Penso até que amar é reencontrar alguém todo santo dia.

Reencontrar um olhar que descansa, um afago que toca, uma música que remete, um assunto que se continua após anos e anos como se só tivesse esperado a fervura do café. Alguém que traz consigo um tempo em que o tempo parecia ser mais distraído, alguém que nos devolve a firmeza da pele, a abundância dos cabelos, o aveludado da voz, alguém que nos devolve uma parte de nós que a gente nem sabia mais que existia. Reencontros deviam ser vendidos em potinhos: o melhor anti-idade que existe.

E devagarinho a gente nota que a beleza da vida também vive na fidelidade dos ciclos. Porque quem vai e nos deixa mais vagos, quem parte e nos reparte em gomos, quem constrói pontes de saudade que ligam um lugar a si mesmo, quem esmaece da retina e da rotina, mas a gente nunca esquece, também um dia volta. E nós, que até então éramos só um tantinho menores pela falta, nos tornamos imensos pela presença, abençoados pelo reencontrar. Ontem reencontrei meu amigo Glauber.

Diego Engenho Novo


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Aos poucos a saudade foi tomando conta de mim, como a maré que vai embrulhando a praia devagar, mas com força. Como o mar que pisa no chão, a saudade foi me inundando. A saudade contornou-me os dedos compridos das mãos, foi preenchendo o pontilhado do meu entorno, a saudade foi me tornando quem sou.

A saudade segurou-me os pulsos, como quem diz “Não vai não!”, e foi ela mesma quem me lembrou de que tudo na vida se esvai. A saudade foi me vestindo os braços como a roupa pesada de inverno, com cuidado. Tomou-me o peito para si, beijou-me os ombros com delicadeza, a saudade não teve pressa ao passar por mim.

A saudade sombreou meu rosto, meus olhos, meus cabelos, meus pensamentos. A saudade me fez olhar outra vez lá para trás, como quem rememora: “Ei, você tinha notado isso?”. Tarde demais, depois de ir para tão longe, eu só conseguia pensar na falta que ainda me faz observar aqueles ombros miúdos.

Antes mesmo dos fins, ainda abrindo cada novo começo, a saudade já vinha se deitar aos pés da cama, como um cachorro envelhecido. A saudade passava todas as suas noites me assistindo, velando a minha cegueira, encantada pelos meus pés descobertos, encantada por me descobrir. A verdade é que a saudade sempre esteve aqui.

Por fim, a saudade abraçou minhas pernas, fez-me jurar jamais abandoná-la, como Maísa, Florbela, Frida, a saudade queria-me para ser só dela e de ninguém, de ninguém mais. E assim, a saudade se pintou de noiva, casou-se comigo, fez-me jura eterna. E assim, a saudade se deu de presente e hoje o meu mundo inteiro também é ela.

Diego Engenho Novo


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“O que você vai colocar, pai?” Com o passar dos anos, fica cada vez mais difícil enterrar os brinquedos da gente, assim como as lembranças, nosso brinquedo preferido. “Vou escrever uma carta para o futuro, filho”, recebi um sorriso largo de Natan.

Querido Natan, 

Se o tempo não tiver ficado ainda mais maluco, você tem agora 18 anos. Acho ótimo que você esteja lendo isto agora para que não pense que meus conselhos são implicância. Eles foram escritos há dez anos, quando você ainda cabia debaixo do meu blazer, quando tudo que eu dizia ainda era importante pra você. Escrevi uma lição que aprendi para cada ano.

Um. Gostaria que você soubesse que muita gente vai mentir e trair a sua confiança, mas se arriscar ainda é a única forma de não se tornar uma pessoa amarga. É preciso insistir no amor, apesar de tanta desordem por aí.

Dois. Eu disse a vida inteira que você é muito especial. E você é. Para nós. Para o mundo, infelizmente você ainda vai ter que provar isso. O reconhecimento leva outros dez anos de trabalho duro. Quando estiver cansado, volte para se deitar um pouco no colo do pai, onde você sempre será o melhor cara que já existiu.

Três. Relacionamentos são estradas de mão dupla. Há movimento nos dois lados. Se o afeto só vai ou só vem, tem acidente na pista. Por tanto, desvie, tome outro caminho. Não insista nos egoístas. Ninguém pode mudar ouvindo somente a própria voz.

Quatro. Invente desculpas para ver mais seus amigos. Converse fiado, converse sobre o tempo, comemorem o Dia da Árvore, façam de tudo para estar o máximo de tempo juntos. Boa parte dessas pessoas incríveis vai desaparecer misteriosamente, como tudo que é mágico.

Cinco. Seu bisavô me ensinou que a gente nunca deve dar como presente algo que não tem para si. A vida inteira eu achei que ele estivesse falando de livros ou camisas caras. Era de amor que ele estava falando.

Seis. Faça uma lista com 20 pessoas com quem deixou de falar, de quem se afastou por motivos bobos ou por motivos terríveis. Escreva cartas perdoando, pedindo perdão ou as duas coisas. Este foi o exercício mais difícil da minha vida. Mas você vai se surpreender com as respostas e o rumo que a sua vida vai tomar depois disso.

Sete. Pare de dizer que vai fazer aquela viagem incrível. Marque uma data e se comprometa consigo a pegar a estrada. Você pode juntar dinheiro, vender sua guitarra ou parcelar em várias vezes. Tenho amigos que estão há cinquenta anos dizendo que vão para Paris ou Machu Picchu sem saber que a TV da sala deles é quase o preço disso.

Oito. Seja cínico com o seu horóscopo. Quando ele disser algo bom, acredite. Quando for algo ruim, lembre-se que é um estagiário que ganha pouco, dorme pouco e transa pouco quem o escreve. Não acredite quando ele diz que você vai ser sempre desorganizado ou infiel. Você sempre poderá se melhorar se realmente quiser.

Nove. Não perca tanto tempo tentando ter razão nas discussões. As pessoas não querem realmente evoluir a compreensão. Só estão debatendo por questões de ego. Ao invés disso, vá comprar flores para alguém especial ou estudar um idioma que só é falado por uma pequena porcentagem da população do mundo.

Dez. “Só me arrependo do que não faço” é conversa fiada de gente bêbada. Você vai se arrepender de muita coisa que fez. Nem tudo que é quebrado pode ser consertado. Mas precisamos admitir que os bêbados se divertem mais.

 

Com amor, seu pai.

São Paulo, dez anos atrás.

 


 

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A voz dele irrita, as manias dela dão ódio. Vocês não se lembram da última vez que fizeram sexo, e talvez seja melhor mesmo nem lembrar. Os telefones não cumprem seu papel de ligar, nem atender. Ela anda descabelada, ele não cabe mais no jeans que usava no mês passado. Assistir a uma luta de boxe tailandês inspira mais carinho e romantismo do que um almoço entre o casal. As coisas não vão nada bem, e é aí que alguém toma ar suficiente para pedir um tempo. Fim do primeiro round.

Dar um tempo é aprender a andar de bicicleta com rodinhas: a gente quer se machucar o mínimo possível nessa brincadeira de viver; algo quase tão impossível, quanto bobo. Em ambos os casos, é o mesmo equilíbrio fictício que procuramos; inspirados pelo medo de cair, cair na real.

Dar um tempo é subir numa colina e observar a direção que toma a manada de onde você acabou de sair. Dar um tempo é respirar sem a interferência de outra corrente de ar, é não dar muitas respostas, mas acordar muitas vezes na mesma noite ensaiando dormir sozinho. É, antes de tudo, dar um tempo pra si e não exatamente do outro.

Tem quem aproveite seu tempo para ficar consigo, vestir aquela roupa folgada e assistir uma pilha de filmes sem ter que debater com seu ninguém pelos títulos. Há quem coloque uma roupa incrível e vá viver histórias reais, relembrar do antigo gosto dos novos sabores. Mas ao final da noite, todos queriam mesmo algo parecido; ficar quieto e abraçado com alguém para quem não precise dizer muito, só sentir. O nome disso é “intimidade” e anda em falta no Mercado Livre.com.

A gente se afasta para observar se ainda sente falta do outro e, contraditoriamente, se ainda sabe caminhar no próprio ritmo. “Que ele me esqueça, mas não me apague; que me deixe ir, mas não me abandone; que aprenda a viver sem mim, mas não melhor do que comigo”, esta é a oração do dia. Depois de um tempo, a saudade pode ensinar a valorizarmos aquele encrenqueiro por quem nos apaixonamos. Aí é só torcer para que ele não tenha percebido, como o tempo, que prefere seguir sem vocês. 

Diego Engenho Novo


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