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saudade

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Hoje foi um dia bom. Só queria te contar isso. Acho que entre todas as coisas que me fazem falta, te contar meu dia é a maior delas. Revisitá-lo nos seus olhos, melhorá-lo aos seus ouvidos, rir dos meus sufocos a partir do teu riso.

Se houvesse como brotar um hiato entre tudo o que foi dito de amargo entre nós. Se houvesse como apagar por cinco minutos a estranheza que sentimos, nossa apatia diante da dor, nossos medos, nossos ciúmes, calar nosso silêncio monstruoso.

Se todos os meus erros fossem como um barco que já vai longe e sumisse entre uma ondinha e outra. E nesse espaço coubesse ainda alguma doçura e cumplicidade, tudo o que eu queria era saber também do seu dia.

E teu peito, subindo e descendo, iria me acalmar. E sua voz, primeiro eufórica, depois mais calma, depois baixinha iria me contar que cheguei em casa. Desde que você se foi que não chego em casa. Eu entro pela porta, aparto as correspondências que importam, faço um chá, mas não é ali que eu moro. É um semi-lar.

Hoje eu só queria uma dose farta daquelas rotinas que já me pareciam tão chatas. Seus perrengues no trabalho, sua encrenca com o banco, sua negativa bem-humorada pro pedinte, o aumento do preço do achocolatado.

Eu ouviria tudo, amando a rasura, adorando a futilidade, porque hoje sei que não importa tanto do que se fala. Todo dito é bendito pelos lábios de quem se ama.

Diego Engenho Novo


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Acordou de um pesadelo, suando, sem fôlego. As mãos trêmulas tentavam acalmar o próprio peito. A garganta seca, estava fechada, a cabeça doía, as vistas embaçavam num misto de dor e de lágrima. Três meses limpa, sem nada, nem uma pequena parte. Mas naquela noite, tudo nela pedia que voltasse a ser quem era antes.

Ainda sem ar, também não ouvia, nem mesmo os próprios zumbidos, muito menos a própria razão. Não podia, não podia ignorar tudo o que lutou, tudo o que sofreu, tudo o que perdeu pelo caminho. Não podia, mas queria, mesmo que por dois segundos saber que gosto tinha outra vez. Tinha gosto de liberdade, enquanto prendia. E gosto de verdade, enquanto mentia. Tinha gosto de viagem, enquanto só uma parte ia.

Mas sempre, a cada nova crise, aquela mesma sensação de que os meses pudessem ter mudado algo a levava a pensar que aquele gosto tão conhecido, podia mesmo ter tomado um gosto diferente. Teve cãibra, febre, alucinações. Naquele instante toda a dormir vivia antes parecia pequena diante da dor que sentia agora. Parecia mesmo valer a pena, tirá-la com a mão, mesmo que por uma noite, dose pequena.

Pegou o telefone. Bastava ligar e pedir. Estaria à porta em quinze minutos e dentro de si, no minuto seguinte. Uma dor furava o estômago de dentro pra fora, como se a verdade quisesse sair, como se o que não foi dito tomasse forma e lhe rasgasse. O que mais havia a dizer?

Gritava, gritava, um grito que não saía, um choro que não fluía, uma dor que não tinha nome. Nesta casa não dizemos mais aquele nome. O nome da sua vontade, da sua saudade, do amor que tinha. Só por hoje, ser forte. Só por hoje, ser franco. Só por hoje ser maior do que o medo de permanecer sozinha. Quase toda dor é mesmo uma luta sozinha, injusta, mesquinha. Não, estava enganada. Ele não era a cura, mas o motivo de estar doendo. Havia de também passar um dia.

Diego Engenho Novo


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Te amo, entre todas as coisas que deixei de dizer, amo você. Ao entrar em minha vida, comecei a embalar-te nos meus braços, envolto também nos seus. Como vida em Marte, tão difícil quanto humanidade nas filas do Extra, contrariando todas as provabilidades, encontrei amor em SP.

Sinto saudade, entre todas as coisas que deixei de dizer, sinto sua falta. Sinto saudade de todos os meus amigos, até mesmo daqueles que já não são mais meus, como se fosse um pertencimento inverso. Quem sabe tenha complicado demais as coisas mais simples e óbvias, as melhores coisas da vida, aquelas que vivi com vocês.

Me cuida, entre todas as coisas que deixei de dizer, não pedi. Cuida de mim? Não precisa me carregar nos braços, nem mesmo me aguentar nos ombros, eu sou forte sobre as minhas pernas e livre abaixo das minhas próprias asas. Quando digo cuida, só quero pedir que passe suas vistas em mim, que assim, me lembro que eu importo pra alguém. E tudo estará bem.

Digo, de uma vez por todas, todas as coisas que deixei de dizer, todos perdões que meu orgulho sufocou por aí: eu perdoo você. Perdoa então também a mim que não sei dizê-lo e que quando digo, digo baixinho e sem jeito como quem aprende um novo idioma: perdonami! Forgive me! Perdoa minha falta de jeito. Perdoa por todas as coisas que eu deixei de dizer e você precisava ouvir.

Diego Engenho Novo


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Muito prazer, eu sou alguém que você não conhece. Entre duas palavras inofensivas de boas-vindas, talvez não caibam todos os medos que carreguei pela vida, todos os sonhos que guardei através dos anos, todo o amor que encontrei pelo caminho. Muito prazer, já no princípio é preciso dizer que talvez eu seja mesmo uma rota inconclusiva, uma estrada que só vai, sem nunca chegar.

Muito prazer. E se você soubesse que todas as minhas manias também são recados do passado? E se eu te contasse que eu posso ser brusco me defendendo de terrores que ainda nem são reais? Você fugiria? Mudaria as calçadas retas que escrevem por linhas tortas? Você me julgaria, por ter mais certeza da existência das minhas dúvidas, que da longevidade dos meus sentimentos?

Muito prazer. Sou eu, um admirador das horas mais vazias, dos dias mais cinzas. Prefiro o mar das cobertas, leio bem menos que gostaria, não sei nenhuma receita de cor, tenho uma agenda que se alastra entre nomes para proteger meus únicos dois bons amigos. Muito prazer, eu sinto melhor os gostos quando fecho os meus olhos, eu sinto saudades de lugares em que nunca vivi. Assim, também sinto sua falta.

Eu sou o seu admirador secreto inverso. Somos fantasmas um do outro. Somos um tempo que há de sumir, uma vontade que há de ceder, somos o pouso que não descansa, repouso das lembranças, somos distâncias que aumentam enquanto se aproximam. Muito prazer, sou alguém que você já amou e hoje você prefere desconhecer.

Diego Engenho Novo


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Passe quanto tempo passe, aconteçam quantas mudanças aconteçam ao centro de nossas órbitas: reencontrar um olhar cúmplice, um cheiro conhecido, um abraço despreocupado é sempre reencontrar-se. Se pessoas são lugares, encontros são estradas. Reencontrar é pôr-se em trânsito, na ânsia das chegadas, no ímpeto das partidas. Reencontrar é colocar a alma para viajar como um carro antigo que volta às curvas de uma estrada conhecida, sem pressa.

A dádiva do reencontro fica mais clara, é claro, sobre as costas largas do tempo que se espreguiça, ainda que também seja possível reencontrar quem se vê todo dia. Reencontrar com a mesma doçura quem se viu antes dos sonhos, quem se reencontra na régua tórrida dos dias, no empilhar quase metódico das horas, quem a gente sempre tem à mão para dividir nossas banalidades mais simplórias. Penso até que amar é reencontrar alguém todo santo dia.

Reencontrar um olhar que descansa, um afago que toca, uma música que remete, um assunto que se continua após anos e anos como se só tivesse esperado a fervura do café. Alguém que traz consigo um tempo em que o tempo parecia ser mais distraído, alguém que nos devolve a firmeza da pele, a abundância dos cabelos, o aveludado da voz, alguém que nos devolve uma parte de nós que a gente nem sabia mais que existia. Reencontros deviam ser vendidos em potinhos: o melhor anti-idade que existe.

E devagarinho a gente nota que a beleza da vida também vive na fidelidade dos ciclos. Porque quem vai e nos deixa mais vagos, quem parte e nos reparte em gomos, quem constrói pontes de saudade que ligam um lugar a si mesmo, quem esmaece da retina e da rotina, mas a gente nunca esquece, também um dia volta. E nós, que até então éramos só um tantinho menores pela falta, nos tornamos imensos pela presença, abençoados pelo reencontrar. Ontem reencontrei meu amigo Glauber.

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Vigiava a água da fervura pacientemente. Não havia nada melhor pra fazer que esperar. Esperar alguma vida brotar dali em pequenas bolhas, esperar que sua própria vida brotasse de algum lugar. Há duas semanas foi jantar com Eduardo, após um dia comum de mensagens carinhosas a cada oito horas, como pílulas de afeto. Fizeram o pedido do que comer, comentaram a decoração confusa e após o primeiro prato, ele disse que a amava, mas que a iria deixar.

Desde então, sua espera é esperar. Que faça sentido, para que ela também possa dar algum sentido para si. Não houve briga, desentendimento, seus dias tranquilos eram costurados com pequenos silêncios e depois declarações de amor, homeopáticas. Aos poucos, ela entendeu que nunca o entendeu, nunca o alcançou de verdade. Aquela era uma daquelas situações da vida que a gente não compreende, só espera que passe, como passam as tempestades maiores que nós.

De nada adiantava também perguntar. Ela até tentou. Tentou até que ele disse qualquer coisa, que não queria estar ali, em um relacionamento. Não fazia sentido. Há mesmo gente que consegue amar e desamar como quem se muda de país? Como quem embala tudo e parte para a Islândia? Ele também não respondeu. A gente só pode mesmo embalar os próprios sentimentos, com a paciência de quem embala uma criança. O que ele sentiu, foi só dele e jamais seu.

Parou de esperar que todos os sentimentos se resolvessem, se coisificassem, estéreis. Há sentimentos que não aceitam sentenças, não desejam serem repartidos entre os gostos amargos ou doces da língua. Há sentimentos que passeiam para não serem pertencidos. Que não se terminam, que são absorvidos, ainda que não nos absolvam de nossa culpa.

Vai ver que ele sempre tenha sido estrangeiro e você nem notou. Falando outro idioma, mantendo seus velhos hábitos, com saudade de uma casa que você jamais poderia ser. Vai ver que ele só voltou. Voltou-se pra si mesmo. Pior que gente que parte sem nós, é quem fica mas não está presente. Não dá pra explicar o que nem a gente entende. Aceite. Aceite tudo o que a vida sabiamente te dá.

Diego Engenho Novo


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Segue um para o Sul e o outro para o Norte é hora de honrar a felicidade que se carregou. Enxergar a grandiosidade de terem sido dois, terem em algum momento, estado com um pé em cada continente, para seguirem então, um em cada direção. Com os pulmões como se fossem asas que nasceram à frente do corpo, caminham fortes, cientes de que estão maiores, levando em si um tantinho um do outro.

Na primeira noite, uma estranha paz tomou conta. As lágrimas frias e tristes se tornaram primeiramente mornas e depois aquecidas, de uma ternura que jamais se vira. Uma ternura líquida, uma saudade antecipada que já era um rio, um oceano, que tanto unia quanto separava. Sabiam que nem todo amor acabado precisa morrer. Sabiam que a morte não é ponto que encerra, mas dois pontos que abrem espaço para a vida dizer.

Na noite em que um dos dois escolheu jogar seu corpo para trás para não se afundarem ambos, entenderam. Que os mundos são feitos para se desprender, expandir. Um era mundo de si e o outro um planeta calado. E enquanto caía, após soltar o pulso firme de seu amado, sentiu que estava voando e não desabando. Enquanto caía, não parecia que outro estava menor, mas mais precioso.

Sabiam que nem toda distância precisa ser saudade. Que nem toda ausência precisa ser solidão. Que todo o amor que tinham ainda estava ali, litorâneo por todos os lados, margeando suas distâncias, devolvendo-os para o centro de si. Enquanto caía pensava nele como um país distante onde gostaria de ter nascido, para o qual sentia que, embora jamais fosse voltar, sempre estaria ligado. Em outro tempo, em outra vida, vai ver que um foi casa do outro. Segue um para o Sul e outro para o Norte, na doce ironia de um mundo redondo.

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Imagem: huffingtonpost.co.uk

Esta é uma carta de despedida. Prefiro escrevê-la agora, no auge da vida, no topo do sentimento, enquanto as vistas ainda voam largas, enquanto escuto meu coração forte, enquanto morrer me parece uma fábula fantasiosa distante e sarcástica. Prefiro me despedir agora, antes que o medo me abrace e que o tempo me encolha e que as palavras me faltem à memória, antes que toda a minha felicidade seja apenas um lapso de memória escrita nas linhas fundas do meu corpo.

Prefiro dizer adeus hoje, porque estou feliz, profundamente feliz e gostaria que você se lembrasse para sempre de mim desse jeito. Na minha rua, há um jardim que não é meu. Todas as manhãs eu estico meus dedos para alcançar a ponta dos capins, eles em sua briga eterna contra a tosa educada do jardineiro. Faço isso porque tocá-los me lembra quem sou. Cumprimentá-los me lembra que devo continuar me esticando em direção à luz, como um menino, tentando ver o show do meio da multidão, o espetáculo que é estar aqui.

Se fecho meus olhos, enxergo milhares de fotos: do mar, das ondas, do mato, do quintal da minha avó, das portas, das janelas, dos segredos, dos beijos, de todo o amor que recebi e que dei. Pense em mim assim, como alguém que buscou mais que respostas, mais do que sensações, mais do que motivos que justificassem uma vida inteira. Buscar só foi meu pretexto para andar por aí.

Cada segundo vivido, cada sentido alimentado, pra mim foi intenso, verdadeiro e mágico. Mesmo que eu me torne somente pulso, luz, estágio, eu seguirei amando a todos que tive no horizonte dos braços. Quando sentir saudade, não olhe para o céu, dona Beta. Olhe para o capim, que começa pequeno, sem valor e se torna vasto. Crescendo e crescendo em sua insistência silenciosa, em sua existência delicada. É ali que está toda a grandiosidade.

Diego Engenho Novo


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Como um planeta distante que se apaga sem fazer alarde, como uma estrela que numa noite guia e na seguinte confunde, como a hora que se demora em completar pela falta do seu último segundo, você não está. Cinquenta e nove, nunca mais meio-dia, nunca mais réveillon, nem amanhã, nem nada. Eu comi um segundo. De fome, de angústia, de saudade antecipada, eu comi o segundo que faltava.

Era o último e eu soprei o planeta e eu beijei a estrela, como meu penúltimo ato de crueldade. Eu queria que você se perdesse, eu queria que você se atrasasse, eu queria que a sua sorte virasse e você se arrependesse. Uma palavra a mais, um gesto que sobressai, um olhar que duvida e tudo se perde, toda uma vida, e eu queria mais. Eu queria tanto.

Dar um beijo antes de sair apressado acalmaria a sua pressa de me deixar? Pedir perdão mesmo sem saber outra vez o que fiz, ajudaria? Recuar, abaixar as vistas, perdoar, amar como se eu fosse os cantos do quarto e ele a cama com seus lençóis brancos esticados ao centro, algo assim salvaria? Qualquer coisa.

Se eu tivesse julgado menos, se eu tentasse perguntar menos, se eu tivesse medido melhor o espaço, haveria hoje tanto espaço entre nós? Se eu tivesse dito onde doía, se eu tivesse te acordado no meio da noite pedindo perdão pelo dia, se eu não esperasse a raiva se dissipar com a noite escura, você me entenderia?

Mas o dia não volta, a hora não desiste de ser, os minutos e os segundos não se cansam de seguir. Quem volta sou eu, eu sempre volto pra você, eu sempre retorno para aquele segundo de decisão que implodiu tudo, tudo o que a gente era pra ser e não foi. Não desistir é meu último ato de crueldade.

Diego Engenho Novo


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Estávamos ali, quase vinte minutos sem dizer uma palavra, apenas observando a lagoa estendida à nossa frente, um cetim verde escuro esticado, dormente. Caramba! Três anos sem ver Rafaela – Isso deve até ser crime em algum país islâmico – brincou ao me abraçar com demora no Galeão. Nosso abraço nunca tinha pressa.

Três anos sem nossas conversas longas, sem seu olhar intrigado, sem seu cheiro de cigarro de palha misturado com sândalo. Rafa tinha aquele cheiro doce de manhã que eu adorava. A vida criara uma constelação entre nós, com vários sóis, estrelas e planetas maiores. E a gente ali, dois planetinhas que se gostavam, orbitando cada vez mais longe.

A gente se amava, muito, claro, ela era uma das minhas melhores amigas, mesmo que eu jamais tivesse dito isso. A gente não dizia por que achava que nunca ia precisar desse tipo de coisa. O nosso amor era tátil, físico, como uma terceira companhia. Se íamos jantar, havia um terceiro prato, se viajávamos juntos havia uma terceira cama no quarto, no cinema, comprávamos o assento do meio para ele, o amor. A gente nunca foi lá muito bom da cabeça. Nenhum dos três.

Estávamos sempre com um assunto novo na ponta da língua, um novo passeio a fazer sem precisar largar as taças banhadas de nosso vinho preferido. Era de um tipo seco, tinto, chileno, daqueles baratinhos que a gente costumava tomar nos tempos de faculdade. Por mais que a gente já pudesse tomar vinhos melhores em taças mais caras, beber aquele vinho era como voltar no tempo sem pagar pelo excesso de bagagem.

– A gente nunca disse que se amava – Rafa e sua mania de roubar meus pensamentos. Peguei uma folhinha seca ao lado, – Toma! Toda vez que você olhar pra ela vai se lembrar que a gente se ama – Expliquei – Nós somos livres como essa folha que, mesmo dispersa, jamais deixará de ser parte de uma árvore, ela sempre será parte de algo maior. Agora…se você segurá-la assim ó, consegue ver a dimensão do nosso sentimento – Nosso amor é do tamanho da folha? – encafifada. – Não, nosso amor é tudo que há em volta dela – dois planetinhas outra vez em silêncio.

Diego Engenho Novo


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