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relacionamento

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Foto: Greg Raines

Saí pouco antes da luz acender, ainda sob os fortes aplausos que nós da plateia enviávamos calorosamente às duas atrizes no palco. Saí meio aplaudindo, meio enxugando as lágrimas, meio curvado carregando minha vergonha de homem crescido chorando feito criança. Havia terminando a leitura aberta da peça Aquário com Peixes de Franz Keppler.

Não sei o que me deu. Não sou de chorar para fora. Sou do tipo que chora, ri e conversa para dentro. Mas a história daquelas duas mulheres que se amavam, mas se separavam, daquele amor que ia acabando como se acaba o ar, me tocou profundamente.

Ninguém havia me enganado: desde a primeira cena, do primeiro ato, ficava claro que o amor delas iria acabar. Não era segredo: desde o primeiro momento, transpareciam no palco os últimos momentos da história das duas. E libertos da ansiedade de vê-las juntas para sempre, só cabia a nós, amar o tempo que mantinha a elas, próxima uma da outra.

“Porque é tão difícil isso? ” Me perguntei tentando acertar o botão que me levaria para meu andar. Porque era tão difícil aceitar que as histórias são simplesmente histórias que começam e se acabam? Porque a gente não aprende? A valorizar os meios, os durantes, os tempos juntos, as noites de quarta-feira. A gente perde tempo demais nessa de achar que teremos todo o tempo do mundo.

Porque simplesmente não aceitamos que amores nascem para se consumirem até a penúltima gota? Jamais a última, jamais a última. A gente devia mesmo aprender a amar pelo tempo que durar, aprender a crer pelo tempo que amor for a nossa fé cega e suficiente, aprender a gostar mesmo daquilo que não vai ser nosso para sempre. Exercício terrível de desapego logo com o maior de todos os nossos apegos.

A gente devia mesmo aceitar que todo amor que começa já avisa na primeira cena, no primeiro ato: ‘O que começa agora, como tudo na vida, vai terminar. Talvez pela própria vida, talvez no dia em que a luz que é dela se apagar. Aproveite o meio, onde está o recheio, onde dorme o sabor. Ame enquanto puder e se fortaleça disso para quando a dor do fim vier nos doer. Por favor, desliguem seus celulares: a peça já vai começar’. Começo, meio e fim.

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Foto: Brooke Cagle

Desculpa chegar, depois de tanto tempo, como se ele, o tempo, não tivesse atravessado à nossa frente, forasteiro. Como se muitas noites não tivessem me feito companhia antes dessa. Como se eu não tivesse, por tantas vezes, inventando caminhos e motivos novos para não passar à sua porta. É engraçado cultivar esse quase medo dos lugares onde a gente foi tão feliz.

Talvez você nem more mais no número dois-sete-meia da avenida. Depois de tantos meses daria pra você ter se mudado de país e aprendido outra língua, daria pra você ter largado o escritório e se tornado cuidador de cavalos. Todo esse tempo seria suficiente para abraçar uma vida, embora não tenha sido suficiente ainda pra mudar o que sinto por você.

“Só pra ter certeza de toda essa certeza que você diz ter. Só pra te dizer que eu jamais me arrependerei de corresponder ao que sinto”

E quando o interfone tocar, ao contrário de meses atrás, minha imagem não será seu primeiro pensamento. Poderia ser uma reclamação mal-humorada vinda do andar debaixo, a entrega da comida que sempre chega fria mesmo vinda da esquina, ou um amigo pedindo sofá para se curar da bebida. Mas dessa vez, querido, quando o interfone tocar, serei eu, me convidando outra vez para entrar na sua vida. Eu em minha eterna entrega pra tudo que vem de você.

E naqueles dois segundos após o abrir da porta, serão meus olhos inundando você num misto de curiosidade, saudade, dúvida e dívidas. As marcas de sol que revelam mais idas ao litoral, os cabelos por cortar mostrando que você está mergulhado em seu novo livro, uns quilos a mais contando de suas idas acompanhado ao restaurante que a gente adorava, uns quilos a menos dedurando que você finalmente tirou seu plano da gaveta de aprender a correr. Eu sei que é horrível dizer, mas sim, seria respeitoso da sua parte não ter vivido maravilhosamente bem sem mim.

E meio que sem jeito eu tentaria parecer confortável, e desconfortavelmente tentaria transparecer uma paz que não tenho, desde que nos despedimos pela última vez. E depois de tantos meses eu voltaria com algo seu embaixo do braço como desculpa, só pra ter certeza de toda essa certeza que você diz ter. Só pra te dizer que eu jamais me arrependerei de corresponder ao que sinto. Porque foi exatamente assim que me apaixonei por você.

Diego Engenho Novo

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Se eu pudesse dar um conselho hoje, eu apenas diria: aproveita! Porque a gente se distrai mesmo das pessoas que já foram o centro do nosso coração errante. A gente se distrai delas, seja através do estranhamento calcado diariamente, por decepção violenta, seja porque naturalmente é da gente um dia também se distrair da dor.
 
A gente se distrai tomando a triste ciência de que tem gente que abusa do afeto. Eu entendo: há gente que aprendeu que as relações são assim, amensalistas, um dando-se para o tomar constante do outro. Há gente que cresceu em lares pouco afetuosos, há gente que foi endurecendo-se pela crueza da vida.
 
Há gente que foi ficando assim sem perceber, mas a partir do momento que eu percebo, cabe a mim escolher: permanecer ou não nesse tipo de laço, como aquele que sempre perde um pouco mais, como aquele que perdoa mais uma vez a falta de cuidado, como aquele que sempre é sugado para o caos alheio, envolvido por laços que mais parecem embaraços constantes. Eu não posso ser mais essa pessoa para ninguém. Foge-me o tempo, urge-me a pressa de relações mais verdadeiras, de pessoas mais verdadeiras inclusive para si mesmas.
 
Triste ou naturalmente, a gente também se distrai de quem nessa vida só nos foi amor. Demora um tantinho mais, não vem vestido nas formas ácidas do amargor, mas acontece. A gente se distrai do estar à volta delas tomando um avião, um caminho diferente que só nossos pés compreendem. Então aproveita, ama no tempo da pureza, olha demoradamente enquanto a beleza ainda está lá para ser vista. Porque a vida distrai a gente das pessoas. Das que nos fazem bem e das que não fazem a menor diferença.
 
Para quem me é benção ou para quem só faz bem para si, eu só digo uma coisa: aproveita. Para a vida ou para a curva distraída que a finda, nós um dia nos distrairemos um do outro. Uns guardo comigo como o bem que também me foram. Outros, apenas como pessoas que se vão entre uma distração e outra.
Diego Engenho Novo

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Miguel e Emma têm um ritual bem diferente de muitos casais que já conheci. Vez ou outra, os dois se trancam em casa e aí, você já deve imaginar o que acontece. Nada. Isso mesmo, nadinha. Eles descobriram que ambos poderiam ficar sozinhos, inclusive quando juntos. Sem pavor, sem estranheza, sem achar que o outro desamou. Apenas um tempo que é nosso dentro do nosso tempo a dois.
 
Emma atravessa a casa de meias e sua camisetona preferida dos Rolling Stones. Somente o som da chaleira dança pela casa enquanto Miguel ainda dorme. Se espreguiça demoradamente e depois rouba um biscoito de si mesma. Ela se afunda no sofá e, agarrada com um livro, recebe um beijo na testa. Ele acordou.
 
Ao fundo, faz seus milhares de barulhos de homem, mas logo também se aquieta. Miguel adora jogar. Antes de se enfiar entre milhares de tiros fictícios, ele pega um copo gigante de gelo com coca e faz um sanduiche que aprendeu com a mãe. Quando bate saudade, Emma entra discretamente e lhe beija os ombros. Ela já descobriu que há jogos que não se pode pausar.
 
Para quem entende que casais precisam se divertir sempre juntos e acha um absurdo duas pessoas que se amam ocuparem o mesmo espaço sem necessariamente estarem focadas uma na outra, isso pode soar bem estranho. Mas quando conheci os dois isso me fez muito sentido. Eu só podia pensar em como queria um dia ter um amor assim. Eu jamais me sentiria menos amado.
 
Sem culpa, sem angústia, eles simplesmente descobriram que ficavam bem assim também às vezes. Jamais confunda isso com abandono, com solidão acompanhada, com casais que se apagam um pro outro, que começam a se desviar pelos cômodos.
 
O maior prazer deles era se encontrar, como desconhecidos que se conquistam numa festa que é só deles e depois seguirem. O amor deles cresceu tanto que perdeu a pressa, tornou-se maduro, perene como um lago antigo. Um dia eu também quero encontrar alguém com quem possa ficar feliz sozinho.
 
Diego Engenho Novo

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Tínhamos o dia a dia posto à mesa. Uma normalidade servida em abundância, como frutas da estação. Tínhamos dias bons em que nos fazíamos rir e noites terríveis em que a mágoa vinha se sentar. Tínhamos as tardes em que descobríamos algo deliciosamente novo sobre o outro, ébrios pela preguiça, e noites em que nos perdíamos como se jamais fôssemos nos reencontrar. Ainda assim, tínhamos um ao outro. Tínhamos um ao outro, até você nos deixar.

Foi tentando entender sua falta que percebi que não era só você que me faltava. Me faltava quilometragem, me faltava risco, faltava a mim vastamente. Faltavam-me sabores que só existem em um país mais longe, faltavam-me sons de um instrumento sem nome, faltava-me ser sozinha sem desespero ao menos uma vez na vida.

Deixar-me me fez ir por aí. Precisei ser dor para ser forte, ser o atordoo para encontrar Norte, precisei me ver diminuída segundos antes de finalmente crescer. Até você nos deixar, te amar era tudo o que eu tinha, tudo o que eu era. E mesmo para um amor tão grande, em resumo era pouco demais para que eu só o fosse. Precisei ser destruída em miúdas partes para entender que a gente não completa ninguém o fazendo carregar nossas incompletudes.

Diego Engenho Novo


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Jogou as flores pela janela meio aberta e mandou que saísse. Que deixasse livre a sala do apartamento, que deixasse livre a vida que era dela. Antes de vê-lo ralentar a porta para não deixar bater atrás de si, disse novamente aquelas palavras que a tanto tempo perseguiam Lilian – Você é louca, sabia? – para a qual ela respondeu com uma espécie de grunhido, do tipo que só as doidas dão.

Talvez estivesse mesmo ficando meio pirada, mas naquele instante, ela era toda a razão. Quem sabe se arrependesse em uma ou duas horas, mas talvez não. O que Lilian sabia era que naquele instante manda-lo ir embora era tudo o que podia e gostaria de fazer. Sem plano adiante, sem grandes reflexões, sem noite mal dormida. Apenas mandou que saísse após se sentir mais uma vez diminuída. Fez-se gigante.

Sentiria sua falta na oca de cobertores? Pensaria mais nele quando chegasse o domingo? Provavelmente. Se manteria firme em seu ato de mantê-lo longe até que virasse hábito? Ou correria atrás dele desejando um único perdão que consertasse aquela lambança toda? Não sabia. Não era a obrigação dela ali. Por doida já havia passado, a fama já tinha. Decidiu usar isso para não enlouquecer.

Estava errada em sua raiva desmedida? Imaginando coisas onde nada morava? Estava exagerando ou estava dando a ele a resposta exata que merecia? Só mesmo o amanhã diria. Naquela noite dormiu sozinha, dolorida, mas respirando mais aliviada. Naquela noite não sentiu culpa, insegurança, medo. Ele havia levado com ele toda a confusão de sentimentos com as quais a envolvia. E, veja, que grande ironia, havia ficado ela apenas com sua loucura emprestada e a certeza de que naqueles minutos de paz que lhe rondavam, ela estava coberta de razão. Fez o que queria. Feito raro nos dias de hoje.

Diego Engenho Novo


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(leia ouvindo isso: http://goo.gl/g4HbBf)

Não é possível, curar seu coração após feri-lo, abraçar sua solidão enquanto parto, permanecer ao seu lado agora que não estamos mais lado a lado. Não é possível, abrigar suas lágrimas e as minhas ao mesmo tempo. Não é possível segurar sua mão enquanto a solto, dobrar nossos sonhos com cuidado como quem os guarda para o amanhã. Eu não estarei aqui ao amanhecer.

Não é possível, tomar fôlego sem sentir seu ar, ainda próximo, ainda aqui. Não é possível retomar o começo, consertar as estradas, salvar-nos de nós mesmos. Não é possível engolir palavras, mas apenas cobri-las com palavras menos doloridas, como que as colocando pra dormir.

Eu não posso acompanha-lo em sua dor, nem amar de volta na amplitude que desejou. Mas eu espero verdadeiramente que alguém possa. Ainda que esse alguém seja você mesmo. Sigamos sem culpa, sem arrependimentos, porque na vida se tenta até acertar ou errar de vez. Nós fomos erro e acerto. Mas agora não é possível que eu proteja seus pés do caminhar pelas sombras. O que restou do meu amor só ilumina lembranças que de mim também partirão com o tempo.

Redescobrir nossas pequenas partes, repartir nossas descobertas e seguir com nossos tantinhos. Eles que juntos se faziam gigantes e um passo afastados já são menores. Mas não é possível continuar. Há um momento em que dois rios que se encontraram tornando-se o mesmo leito, despedem-se pra se tornarem mar. Nem mais juntos, nem mais separados. Outra coisa.

Diego Engenho Novo


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Nossa, menino, como adoro te ler. Me encontro em cada verso teu. Eu sou uma mulher já madura, tenho filhas independentes e netos. Me casei muito cedo, me separei quando completei 23 anos de casada por não desejar mais ficar com meu ex-marido e pai das minhas filhas. Me desligar dele foi difícil mesmo não o amando mais como deveria.

Conheci outro homem e me apaixonei, me joguei, esqueci de mim, fui viver a vida com ele (entenda-se a vida dele). Novamente desamei, preferi me separar por não amá-lo como ele merecia. Sempre tive relacionamentos abusivos por minha inteira culpa, dava amor e atenção pra receber exatamente o mesmo em troca: nada! Depois de me separar do meu segundo companheiro, fui aproveitar a vida, conheci vários caras e não conseguia mais me prender a ninguém.

Conheci uma pessoa que me deixou novamente apaixonada, uma mulher. A princípio foi um baque pra mim. Me deixei envolver, conversávamos diariamente por telefone e era perfeito. Nos conhecemos pessoalmente e depois disso, começaram os nossos problemas. Tive ciúmes de uma grande amiga dela e isso mudou um pouco nosso relacionamento. A partir deste evento ela ficou diferente comigo e passou a se distanciar, não deixa de falar comigo, mas sinto que está mais fria. Sempre está cansada. Vontade de mandar tudo as favas, mas gosto dela. Ou será que gosto do que ela representa: o amor? Marquei terapeuta, acho que preciso me curar. Eu sempre estrago tudo por não saber amar. Isadora, Santa Catarina.


Querida Isadora, também adorei te ler.

É natural que a gente fique meio sem fé na gente, no amor e na gente no amor depois de tantas frustrações, ainda mais depois dessa nova feridinha. Você não está se cobrando demais? O que vi em tudo o que você me contou não foi uma mulher que não sabe amar, mas uma mulher que não foi amada direito. Você se entregou, cuidou, aceitou e teve bem menos em troca. E isso, infelizmente também acontece muito. Para que um relacionamento dê certo é preciso empenho e entrega dos dois lados. Não carregue essa culpa. Você tentou.

Acredito que todas essas experiências ruins estejam refletindo agora na sua insegurança de entrar em uma nova história. Como é que você pode saber se essa mulher adorável que você encontrou a esta altura da vida não é justamente alguém para quem tem se preparado? Alguém que pode te dar todo o carinho, afeto e cumplicidade que sempre faltou? Tudo bem, você começou com o pé esquerdo, nada que uma conversa honesta e o tempo não maturem.

Enquanto tenta construir sua história com ela, construa também uma história consigo, uma história de cumplicidade, auto perdão e verdade. Talvez a questão não seja que você não sabe amar, mas que você ame muito mais aos outros que a si. Chegou o momento de viver uma história leve, doce e terna. Se em algum momento você desconfiar que não está mais feliz, que está remando sozinha, não hesite em saltar desse barco também. A vida já te ensinou que como ninguém você sabe se manter acima das ondas, lutando por sua verdade. Conte sempre comigo. Beijão, Diego.

(Nomes, locais e fatos podem ter sido alterados ou subtraídos para preservar a privacidade das pessoas envolvidas). Envie a sua carta para cartas@palavracronica.com.br)

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Estava me vestindo pra sair e de repente notei algo incomum. Você estava rindo enquanto dormia. Não sorrindo, rindo mesmo. E eu fiquei ali congelado, sorrindo pro seu riso iluminado. Pensei em filmar pra guardar, mas não havia tempo. Esse era um daqueles pequenos momentos mágicos que só quem ama pode enxergar. Aquele exato momento em que, no meio do cotidiano, das contas pra pagar, do estar sempre atrasado, da roupa pra lavar, do cachorro que exige atenção, no meio disso tudo, acontece algo pequenininho que faz você se apaixonar de novo.

Não que não estivesse apaixonado antes, não que eu não seja. Mas é sim muito gostoso descobrir algo novo que me encanta em você. Aconteceu também no dia em que ficamos dançando sozinhos na sala escura. E outra vez quando achei um bilhete seu na minha carteira na fila do supermercado. Aconteceu também no dia em que vi você com chocolate do brigadeiro de panela na orelha. Sabem lá os deuses como aquilo foi parar ali. Mistério, assim como se reapaixonar um tantinho novo, diariamente.

Aconteceu numa madrugada dessas em que eu senti frio, ainda meio inconsciente, e seu abraço me alcançou. E depois quando você encostou o nariz na janela de vidro e disse que se sentia voando, igual criança. Acontece quando sinto o cheiro doce das suas costas e depois quando me deito sobre seus ombros. Acontece sempre que enxergo a vida um tantinho diferente por estar do seu lado. Enquanto você dormia, mais uma vez, nosso amor se acordava em mim.

Diego Engenho Novo


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Fui visita-la no hospital. Nada sério. Andreia iria sair logo dali, mas eu não perderia a chance de contrabandear chocolate, maquiagem e um tablete, à pedido dela. Deixando-nos a sós, Igor, seu namorado há um ano, sumiu no corredor sorridente – Tem muita gente querendo te visitar. O Mauro falou comigo ontem – e ela ficou branca, ainda bem que estávamos num hospital – Diga a ele que eu morri – fechando a cara.

Mauro e Andreia namoraram por cinco anos. Em meio a planos de casar e ter mais filhos que Jolie e Pitt, terminaram porque ele não conseguia cumprir uma cláusula do contrato do casal que era determinante para Andreia – Mauro não podia ser fiel. Não fazia parte dele. Alguns anos se passaram, o Igor apareceu, Andreia voltou a ser feliz em par, mas algo não mudou. Mesmo que ele não tenha mais nenhum significado na vida dela, Andreia não consegue perdoá-lo.

Eu entendo, difícil mesmo esquecer da dor provocada por alguém que devia justamente nos proteger dela. Difícil deixar pra lá o fato de que a mesma pessoa pode nos levar para um voo alto e, sem mais nem menos, nos deixar cair. Ainda assim, eu espero que um dia a raiva que ela sente, possa se dissipar, se transformar em outra coisa mais leve de carregar – Espera! Não diz pra ele que eu morri. Você entrega um bilhete pra mim? – se ajeitando na cama.

Eu adoraria perdoá-lo, mas isso ainda não é possível. Diante de toda a dor que vivi, fica difícil afastar a raiva que me obriguei a sentir para poder esquecê-lo. Àquela altura, raiva ainda era uma motivação pra me fazer reagir. A boa notícia é que não o odeio, não o quero mal. Eu apenas não o quero por perto. Por perto só mantenho pessoas que admiro, pessoas que significam algo. Encontrá-lo seria me reencontrar com a garota que já fui e o homem que você foi pra mim. Ambos não existem mais. Eu não sou mais triste. Talvez seja hoje feliz como nunca fui: com mais maturidade, entrega e segurança de que encontrei alguém que enxerga a preciosidade do que temos juntos. Um dia, Mauro, eu realmente o perdoarei e estaremos ambos livres, mas você também terá perdido a última e mínima ligação que ainda tinha com a verdade. Viva com suas mentiras pelo tempo que elas puderem durar”. Ela estava curada.

Diego Engenho Novo

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