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Hoje abri uma caixa e encontrei uma foto de quase dez anos atrás. E quem foi que disse que ainda não dá para viajar no tempo? Estávamos lá, assistindo ao sol se ajeitar na cama, com os pés ainda descobertos de coberta. Estávamos ali, sentados sobre o rochedo que apelidamos de “O abismo”. Estávamos encarando os nossos próprios precipícios.

Fiquei olhando por uns instantes para os braços do tempo jogados carinhosamente por cima dos nossos ombros. O tempo não foi embora pela manhã, preferiu ficar abraçado, ouvindo nossas histórias. E a gente sabia que era feliz? Sabia, ué. A gente não se cansava de usar essa felicidade descarada como pretexto para sermos ainda mais felizes. Um desbunde, quase ilícito.

A gente se juntou pra ver jogo, que eu detesto, mas que me matava de rir. Eu jamais entendia quem ganhava e quem perdia já que a gente parecia sempre em estado de comemoração. Vai ver que foi a gente que levantou a taça. Mais um brinde, a nós.

A gente se juntou pra ler, pra ver filme e pra dormir antes das histórias terem fim. A gente se juntou pra falar da vida dos outros enquanto cozinhávamos. E enquanto falavam da vida da gente, a gente comia. Comia muito. Nos juntamos pra contar piada descabida, pra reclamar da política, pra sonhar com um bar que sabíamos que jamais teríamos.

Quando fez frio, a gente se juntou. E depois outra vez pra afastar o calor obstinado do verão. A gente se juntou pra beber, cair e levantar. E Deus sabe de todas as vezes que a gente se levantou, rindo das dores do amor ou da falta dele. A gente se juntou e continuamos sentados, lado a lado, porque envelhecer sozinho é muito chato. A gente se juntou e continua a se juntar. O tempo só está dormindo. O tempo é um menino.

Diego Engenho Novo


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Por muito tempo imaginei como seria o dia em que me apaixonaria. Cabelos ao vento, câmera lenta, música linda tocando, eu distraído, impecavelmente bem vestido, observo uma criança perdendo seu balão para o ar. É neste momento em que nos trombamos, eu peço desculpas, ele pede perdão e então a mágica acontece: nossos olhos encontram-se, um inunda o outro de sua existência, estamos apaixonados. Tudo perfeito, mas não é bem assim que acontece.

Na maioria das vezes, encontramos pessoas especiais em lugares terrivelmente triviais. Já me apaixonei numa fila, já me encantei em churrascos de domingo, já me entreguei aos olhos do amor em barzinhos de esquina, nunca em um campo florido, nunca numa ponte sobre o rio Sena.

E eram sempre as piores trilhas. Dava vontade de engatar a ré e adiar a felicidade só para não ter aquela música da reboladinha como nosso tema de primeiro encontro. E conheço gente que faz mesmo isso: anda com a música perfeita no bolso e dá play ao primeiro olhar. Obviamente isso assusta um pouco. A perfeição costuma mesmo assustar.

Esqueça Hollywood, desista de Woody Allen, apague Shakespeare. O amor não vai correr atrás de você no aeroporto, nem te salvar do afogamento, ou te tirar de um prédio em chamas. O amor não frequenta bailes de máscaras, nem salta no teto do trem. O amor gosta de se infiltrar nas pequenas rotinas, é lá que estão as pessoas de verdade.

Ele está ali, repousando naquele amigo tímido, tomando uma cerveja calmamente no posto de gasolina, por trás de um nick engraçado, segurando o elevador pra te esperar, te xingando no trânsito ou te ajudando a carimbar processos.

Quando o amor chegar, você não vai estar com sua melhor roupa, nem em paz com seu cabelo. Você vai estar resfriada, com pressa, sem humor ou dinheiro. Não vai conseguir dizer frases das quais possa se orgulhar e reprisar para os filhos. Você vai estar alta de tequila, dançando sem muita coordenação motora, você vai estar sendo aplaudida no pior karaokê do bairro da Liberdade.

Ao contrário do que você sonhou, quando o amor chegar, não haverá trilha, cenografia, nem iluminação. O amor acha chato o exato, morre de tédio com a perfeição. Quando o amor chegar só serão vocês dois e isso vai bastar para ser incrível. Mergulhe, entregue-se, mesmo que a música ao fundo só peça pra você requebrar até o chão.

Diego Engenho Novo


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