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Tânia buzinou em frente ao café. Entrei e rapidamente engatamos um assunto. Ela estava tendo problemas por causa da teimosia tardia dos pais idosos. Íamos conhecer o sítio que ela acabara de comprar. Sonho antigo. Lá pelas tantas, já na marginal, o painel do carro dela começou a apitar insistentemente – Ele me avisa toda vez que eu ultrapasso a velocidade permitida. Avisa quando eu passo do ponto – riu, Tânia, suavizando o pé do acelerador.

Onde compra? Eu queria um desses pra levar pra vida. Um que avisasse quando a gente está levianamente machucando quem é do amor da gente. Um que apitasse sempre que as palavras fossem duras de mais. Um que parasse o princípio de todo arrependimento, o falar mais que a boca, sem passar pelo filtro do coração. Já notou como a gente costuma ser duro justamente com quem mais merecia nossa candura, nossa paciência? Erro brutal de condução.

Todas as intensidades, diante do amor, se tornam um tanto mesmo desmedidas. O que nem incomodava ver, fere as vistas. O que nem importava ouvir, ofende o baço. O que todos sempre disseram parece de uma arbitrariedade sem precedentes vindos justamente de quem mais se preocupa com o bem da gente.

Acontece que na mistura da posse, no afã de defender nossos tantinhos de autoestima, incoerentemente, somos monstruosos justo com quem queríamos ser os melhores. Não queremos que ele veja nossas feiurinhas e isso o afasta também de nossa beleza.

Nessas horas, um sinal vindo do painel seria bem-vindo – Ei! Você está exagerando! – E a gente instantaneamente se lembraria que o amamos tanto, que temos nele nosso melhor amigo, que seu medo é proteção, que nosso orgulho nem estaria tão ferido se aquela fosse a opinião do Seu João da padaria. A gente é mesmo muito doida e mesmo assim ele nos ama, aguenta nossas patadas, releva nossos rompantes, mas, até quando? Por hoje, serei eu o seu sinal.

Diego Engenho Novo


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Volta daqui um ano. Passa daqui uns meses, combinado? Volta que agora o passado é que não me deixa seguir adiante. Volta e se coloca preciosamente diante dos meus olhos. A sua visão é a primeira que tenho depois de nada enxergar, depois de muito tempo. Como um alumiar fazendo cócegas na dureza noturna. Você pode voltar?

Agora não dá. É tempo perdido, momento errado, dia desses que ninguém mais cabe. Ninguém além das memórias da gente. Promete que volta? Passe mesmo na volta pra me encontrar. Até lá, talvez eu já possa transformar essa adoração delicada em algo que faça bem a nós dois. De fato, hoje só me sinto inapta.

Talvez até lá eu já carregue no peito um lugar tranquilo onde você possa esquecer-se que de nós nada fica. E mesmo cientes de que toda vida é preenchida de ida, tramaremos segui-la juntos. Idos os anos em que nos maturamos e nada aprendemos. E nada aprendemos.

Passe na volta. Por enquanto só quero me sentar à porta como quem também mora pelo lado de fora. Por enquanto só posso amarrar meus cabelos em uma desordem mais contida, respirar bem fundo acarinhando meus pulmões, ser leveza, ser sozinha, ser eu mesma, miudinha, abraçando os próprios joelhos.

Você parece mesmo ser incrível e, ao mesmo tempo, incrivelmente inconveniente. Pra você darei meu ‘sim’. Não agora. Eu nunca soube amar menos do que com tudo. Passa outra hora, vai! – como se apaixonar-se pudesse mesmo voltar, como retornam depois do frio as estações mais quentes.

Diego Engenho Novo


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Se perguntarem por mim, diz que eu saí. Diz que eu não to. Que hoje eu não to nem aí. Se perguntarem por mim, já me aponta de longe, virando uma esquina. Deixemos os acertos, as culpas, deixemos tudo na companhia das promessas que ganhei. Amanhã, que é outro dia, pingos dos is. Pros meus sapatos se entreolhando, dos meus fracassos recorrentes, dos meus anti-amores debulhando-se, deixo o contorno de minhas costas como resposta.

Hoje eu não atendo, não aceito troco em bala, não dobro desaforo pra viagem, não engulo meias palavras. Se perguntarem o que deu em mim, só diz que eu saí, que eu cansei, me danei por aí. Das roupas que não me cabem, do tédio que não me paga, da companhia que só leva de mim e nunca me leva por aí. A todos eles que perguntarem, só diz que eu fui.

Hoje virei moleca que foge gastando os chinelos. Se perguntarem, não culpem o mundo. Foram minhas dores que desandaram-me. Então meus olhos serão do novo, do estar à frente, quero perder-me ainda que seja por poucas horas. Das carências que cobram afeto, das lembranças que cobram preços abusivos, a todos que devo desculpas pela falta de jeito, quando perguntarem por que saí depressa, só diz. Diz que eu saí de mim e volto tarde.

Diego Engenho Novo


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Quando moleque, eu tinha certeza de que havia alguém do outro lado da estrela para a qual olhava admirado todo começo de noite. Havia de haver alguém do lado de lá me observando, pensando em mim, sem nem ao menos me conhecer, porque eu também me sentia assim.

Me sentava todas as noites religiosamente na frente da casa e ficava ali, imaginando que um dia eu me apaixonaria por alguém que já amava baixinho. Eu já pensava nisso, antes mesmo de ter ideia da complicação que era amar. Aquele olhar para a estrela era um pressentimento bom de que alguém iria me salvar, da minha baixa estatura, do meu tédio, mas daquele vazio já tinha nascido comigo, que nasce e morre com todos nós.

Hoje, décadas depois, me sentei novamente. Agora na frente do prédio em que vivo. A lua mal podia ser avistada. As estrelas, apenas velhinhas tentando ser notadas na multidão de luzes da cidade. E eu, olhando novamente para a estrela, senti uma saudade imensa da certeza que eu já tive um dia. A certeza de que alguém me esperava. Aquela tristeza era a mesma de ver uma estrela morrer. Pena misturada com miudeza.

Senti uma culpa gigantesca por não ter permitido que meu eu menino se encontrasse com aquele outro olhar. De certa forma, foram as escolhas erradas que fiz que os afastaram. Não falo das pessoas. Pessoas nunca serão escolhas erradas. Todas elas nos levam para algum lugar em que deveríamos invariavelmente chegar. Quando falo de escolhas erradas, digo das intensidades desmedidas, dos medos que me impediram de submergir na confiança, das segundas chances que não dei, muitas e tantas vezes, para mim mesmo. E hoje eu sinto uma saudade cortante, funda, doída daquela certeza de que alguém também sonhava comigo.

Uma vez, contei essa história para minha amiga Analice, deitados nas redes da varanda dela – E para qual estrela exatamente você olhava todas as noites? Você lembra? – Perguntou curiosa botando metade do dorso pra fora do pano – Não era uma estrela em especial. Acho que eu só olhava pra cima e mirava na primeira. Era ali nosso encontro – Ela sorriu e olhou para o céu bonito do quintal – Então, seu amor nunca se tratou de certeza, mas de fé – E por alguns minutos meu coração voltou a acreditar.

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Quando a grande luz abaixou por trás da montanha serena, ele foi uma das primeiras coisas que eu vi. Tava ali curioso, ensaiando pra me cumprimentar. Pessoinha intrigante, o gigante pequeno. Vinha de tempos em tempos, meio desconfiado, tentando me entender com os olhos. Parecia justa a curiosidade. Eu era a novidade que eles gostavam de chamar de – o bebê. Pouco imponente, eu sei, mas todos os gigantes atrás da montanha serena respeitavam – Lá vem o bebê! – abriam caminho.

Ao contrário dos outros, ele era silencioso como uma nuvem a passeio. Minha paz no meio de tantos zumbidos, miados, fungadas, que era o que soava enquanto eu passava de mão em mão, como um prêmio. Sobrevivi também a isso. Descobri cedo que se eu ficasse com os olhos bem abertos e estatelados, eles simplesmente param. Entenda isso – gigantes adoram atenção.

Às vezes me deixavam tomando conta dele, do pequeno, e claro, eu vigiava. Entre uma soneca e outra, entre uma fome e outra, eu me certificava de que ele estava ali se também à minha existência. Falávamos sobre um monte de coisas que não me tinham sentido, mas eu gostava do som pausado da fala dele.

No dia em que ele apareceu sem o sorriso das bochechas, eu não pensei duas vezes: tirei minha chupeta e quis emprestar. Orgulhoso que era, não aceitou. Ficamos ali em silêncio, acompanhando a pausa do outro. Ele não era lá muito forte, mas, ainda assim, tentava me dar apoio pra que eu enxergasse o mundo inteiro além da montanha serena. Era sempre um rápido e incrível passeio. Ele me foi companhia, foi o alcance do meu braço, ele era o pequeno gigante que também me tornava maior. Hoje, acredite você – eu me tornei um gigante bem maior do que ele. À montanha serena nós damos o nome de mãe.

Para meu irmão Marcos,

que sempre me viu bem maior do que eu era.

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Estava me vestindo pra sair e de repente notei algo incomum. Você estava rindo enquanto dormia. Não sorrindo, rindo mesmo. E eu fiquei ali congelado, sorrindo pro seu riso iluminado. Pensei em filmar pra guardar, mas não havia tempo. Esse era um daqueles pequenos momentos mágicos que só quem ama pode enxergar. Aquele exato momento em que, no meio do cotidiano, das contas pra pagar, do estar sempre atrasado, da roupa pra lavar, do cachorro que exige atenção, no meio disso tudo, acontece algo pequenininho que faz você se apaixonar de novo.

Não que não estivesse apaixonado antes, não que eu não seja. Mas é sim muito gostoso descobrir algo novo que me encanta em você. Aconteceu também no dia em que ficamos dançando sozinhos na sala escura. E outra vez quando achei um bilhete seu na minha carteira na fila do supermercado. Aconteceu também no dia em que vi você com chocolate do brigadeiro de panela na orelha. Sabem lá os deuses como aquilo foi parar ali. Mistério, assim como se reapaixonar um tantinho novo, diariamente.

Aconteceu numa madrugada dessas em que eu senti frio, ainda meio inconsciente, e seu abraço me alcançou. E depois quando você encostou o nariz na janela de vidro e disse que se sentia voando, igual criança. Acontece quando sinto o cheiro doce das suas costas e depois quando me deito sobre seus ombros. Acontece sempre que enxergo a vida um tantinho diferente por estar do seu lado. Enquanto você dormia, mais uma vez, nosso amor se acordava em mim.

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Imagem: sophiaassociatesinc

Nosso navio costurava a imensidão do Amazonas. Embalados nas redes, assistíamos o dia ir se encostando. Ao pôr-do-sol, eu me embicava na frente do barco, como um moleque curioso – Então, você é o nosso timoneiro? – perguntou um senhorzinho com roupas de motociclista – Sim, eu que tô guiando agora – brinquei.

Ele ficou surpreso por eu saber o que era aquilo, um timoneiro. Mas havia algo ainda na manga, algo que ele podia me dar de presente – E um timo, você sabe o que é esse timo do timoneiro? – eu estava tão feliz quanto ele por não saber. Algo me dizia que ele iria me contar.

Explicou-me que o timo é um órgão do nosso corpo que vai desaparecendo ao longo da vida adulta, até se diluir em nosso corpo. Ele fica ali, no centro do peito, entre o coração e nossos pulmões, apontando sempre adiante, como quem guia nossas emoções, protegendo-nos pelo caminho. Timoneiro nosso.

Porque será que ele vai recuando? Oprimido por corações que se expandiram demais? Apertado por um par de pulmões inflados em busca de liberdade? Nosso timo é sufocado porque a gente amou de um tanto que ele não poderia mais nos proteger? Que biologia perversa é essa que vai desfarelando a gente, que vai nos desligando por fases?

Com o tempo vamos ficando mesmo mais ocos, vamos sendo preenchidos de um vazio novo, recém-chegado na gente. Se é o timo que nos impele pra frente, que direção tomamos quando ele se apaga em nós? Eu e minhas tantas perguntas, pude apenas encarar o rio, pausar a mão ao centro do peito e repetir baixinho – Guie meu coração, mostre-me o caminho, infla-me de sonhos até chegar o dia em que seguiremos nós, embarcações sem timoneiro.

Diego Engenho Novo


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Imagem: thenextweb.com

Às vezes não adianta. Não bate mesmo. Na pausa do – Muito prazer! – da pessoa a gente percebe que não vai com a cara dela e pronto. E estranhamente a gente começa a cavoucar os defeitos, procurar ironias, atento a uma opinião que a gente possa demonizar. A gente procura até que encontra um motivo, ou milhares, que confirmem aquele azedume precoce. Nosso santo não bate, minha filha.

Há uns anos cruzei com o Marcelo no aeroporto. Ambos íamos de Brasília pra Palmas. Não posso dizer que não gostava dele. Eu não o conhecia. Mas nem precisava: o tal do santo não batia de jeito nenhum. Nossos tantos amigos em comum só tornavam a implicância mais estranha ainda. Mas eu permaneci no meu papel de manter-me a uma distância segura. Distância que ele cruzou com seis palavrinhas mágicas – Porque você não gosta de mim? – gelei – Eu não tenho nada contra você Marcelo. A gente só não se conhece, né? – parecia primitivo demais admitir pra ele o real motivo.

No saguão da sala de embarque ecoou o aviso de que nosso voo havia sido mudado de portão, atrasado, atropelado uma garça, ficado preso no Nepal. O universo me queria ali, em banho-maria de constrangimento. Marcelo me chamou pra um café e ficamos ali conversando por cerca de duas horas. Reclamando do atraso juntos. Rindo das mesmas situações. Adorando os mesmos autores. Até aniversário a gente fazia no mesmo dia. Marcelo, para meu pavor, era um cara muito bacana. E eu nunca me senti tão pequeno.

Claro, às vezes o santo que não bate tem fundamento. E ele já nos livrou tantas vezes de gente esquisita. Mas entre seus acertos, penso eu, quantos erros cometi pela vida? Quanta gente foi taxada de antipática por ser tímida? Quanta gente passou por grosseira por estar em um mau dia? Todo mundo pode ter um dia bem ruim. Quanta gente foi repelida por um dizer que a gente escutou errado? Quanto amor abortado antes mesmo de vir à luz? Quanta chance perdida? Quanta gente querida que passou sem nem mesmo ter tempo de encostar-se na vida da gente? Quanta verdade perdida por preguiça, medo ou intolerância nossa? Quantas meias verdades vendidas a preço de ouro?

Perdão a todos vocês que foram vítimas minhas da primeira impressão. É ela que fica, mas não devia. Todo mundo pode errar e isso não o tornar uma pessoa má. Todo mundo pode acordar por dentro de um dia ruim. Inclusive a gente. Inclusive a nossa intuição. Às vezes nosso santo não bate por pura preguiça de olhar para os nossos próprios pecadinhos.


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Foto: healthflexhhs.com/blog/slow-your-roll-enjoying-the-little-things-in-life/

Comecei a pensar nisso no dia em que vi Túlio penando pra cortar o próprio bife – Desde quando você é canhoto, menino? – me sentindo o pior amigo do mundo por nunca ter notado – Eu não sou. Eu estou. Existem estudos que dizem que se você faz algo muito rotineiro de uma forma completamente diferente, isso funciona como um acordar para o cérebro. Neuróbica – explicou enquanto um pedaço de carne voava pra fora da mesa. Não tinha como não pensar mesmo, assim como estimulamos nosso cérebro forçando novas possibilidades, também não conseguiríamos acordar o coração da gente?

Troque as mãos quando for perdoar. Tire-se do lugar de sempre correto e ponha-se no lugar de quem sofre, de quem é agressivo ou desagradável porque se defende. Vire um canhoto da aceitação do próximo. Use uma venda no olhar e caminhe como se fosse cego para as imperfeições do outro. E se só por um dia a gente não atacar, não diminuir quem a gente ama, será que perceberemos o quanto estamos tristemente acostumados a fazer isso o tempo todo?

Tome um caminho novo. E se ao invés de duvidar primeiro, você logo de cara acreditar, mesmo que seja um convite glorioso para quebrar a cara? Os feitos mais doces partiram de corações que não duvidavam. E se você mudar seu relógio para o pulso não costumeiro, será que terá mais tempo para apreciar a companhia dos mais velhos? Terá mais paciência para amá-los mesmo quando os assuntos não forem exatamente do seu interesse do mesmo jeito que eles fizeram por tanto tempo com você? Ótimo exercício.

Que tal andar de costas? E prestar atenção nas pessoas que você deixou pra trás pela falta de tempo, pela mudança de rota, pela mágoa, por orgulho roxo? Sempre haverá tempo pra resgatar alguém que nos ama, mas não está mais em nossa predileção. Ativador máster de corações. Monte quebra-cabeças listando tudo o que ainda o torna incompleto e vá se completar. Há uma viagem para ser feita, um sabor que ficou na infância, uma meta desacreditada. Se ainda não pode realizar seus sonhos, ajude alguém a realizar o próprio. Acorde seu coração, tire-o da normose, coloque-o pra palpitar, alto e forte. Vai que a alma da gente se expande? Dizem que ao lado do coração, a felicidade acorda depois de um tempão dormindo abraçados.

Diego Engenho Novo


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Estou correndo, voando pra casa. Estou voltando, vencendo os semáforos. Estou chegando, subindo as escadas. Como se só mais um degrau me separasse da sala, como se o corrimão fosse dar em você. Estou à porta, as chaves na mão. Jogo a bolsa, e me deito bem ao meio do seu peito, sem nenhuma cerimônia. Estive correndo o dia inteiro, todo esse tempo voltando pra casa.

Pego sua mão, penduro em meus cabelos. São seus dedos que devagarinho fazem toda a mágica. Eles têm esse dom de apagar meus maus pensamentos. Como quem limpa a poeira da capa de um livro e se põe a lê-lo. Como quem afasta as folhas da íris de um rio e o enxerga fundo. Como quem sabe que tudo o que eu preciso após um dia imenso é me tornar pequeno pendurado à volta de suas costelas.

E sem dizer uma palavra, só me beijando as pálpebras, você limpa meus olhos que te amam do avesso. E sem som nenhum, meus olhos também transbordam-se de amor por você. Brota nossa cumplicidade como uma flor pequenininha que se alimenta de luz, sem pressa nenhuma, sem fazer alarde, sem saber do tamanho de sua grandeza.

E basta seus braços para assentar todos os meus pensamentos. Bastam-me eles para apartar toda a confusão, pra adestrar todos as minhas inseguranças, num estalo, num abraço. Como a proteção de um templo de portas sempre abertas, uma catedral que guarda segredos atrás de janelas altas, um refúgio para os pobres medos inquietos. Com o tempo nosso amor se tornou a hora em que em mim tudo cala.

Diego Engenho Novo

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