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paixão

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Deu match. Foi assim que começaram a conversar. Como se o destino soubesse programar encontros. Era véspera do Dia do Namorados e, embora ambos não ligassem muito pra esse lance de datas, decidiram sair para tomar alguma coisa. Dois desconhecidos, apartando um pedacinho da solidão um do outro. Parecia funcionar após alguns minutos – Queria te propor algo meio doido – coisa que ele adorou ouvir – Quer namorar comigo? Quer dizer…. Não pra sempre, só por vinte e quatro horas e depois cada um segue como chegou -Aceitou. Parecia divertido tentar algo novo.
 
Naquele dia, não fizeram nada especificamente para agradar o outro. Apesar do combinado, limitaram-se a serem divertidos para si mesmos. Cientes que provavelmente não se veriam mais, conversaram sobre todos os assuntos absurdos preferidos, sem restrições, com direito a todos os palavrões que só apareciam quando convidados pelas quinas das mesas. Gesticulavam sem elegância, riam sem pudor, comeram e repetiram. Uma vergonha. Um não precisava conquistar o outro e foi aí que tudo deu errado.
 
Em poucas horas, aquele cheiro também tinha gosto. Aquele beijo já despejava lembranças. Aquele abraço já se abria com certa dificuldade. Um não queria se perder do outro. Gostava do jeito debochado dela. Amava o humor ácido dele. Queria aquela fome desesperada em seus cafés da manhã. Queria aproveitá-lo como se jamais fosse ter tempo para machucá-lo, decepcioná-lo, parti-lo ao meio.
 
Dormiram juntos, sem necessidades tesas. Apenas ficaram ali por um tempo, amortecidos pela preguiça do outros. Às vezes um pé encontrava o outro pé, às vezes um braço se jogava envolvendo as costelas. Era estranho ir para a cama com um desconhecido e sentir um dos maiores prazeres que existem na vida: a falta de pressa. Doeu por dois segundos saber que iria perde-lo, sem tê-lo. Suspirou ao se imaginar da porta pra fora sem o pendurar-se dela em suas costas.
 
Amanheceram como se fosse domingo, beijaram-se como se fosse o primeiro dia em um país distante, e, puxando-a pelo braço, levou-a até sua última parada, na última hora em que seriam namorados. Mostrou seu lugar alto preferido, de onde se via as antenas da cidade, os ônibus enfileirados, a solidão das janelas. Deram seu último beijo e, sem ela, desceu sozinho, voltou a ser multidão.
 
 
Diego Engenho Novo


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Volta daqui um ano. Passa daqui uns meses, combinado? Volta que agora o passado é que não me deixa seguir adiante. Volta e se coloca preciosamente diante dos meus olhos. A sua visão é a primeira que tenho depois de nada enxergar, depois de muito tempo. Como um alumiar fazendo cócegas na dureza noturna. Você pode voltar?

Agora não dá. É tempo perdido, momento errado, dia desses que ninguém mais cabe. Ninguém além das memórias da gente. Promete que volta? Passe mesmo na volta pra me encontrar. Até lá, talvez eu já possa transformar essa adoração delicada em algo que faça bem a nós dois. De fato, hoje só me sinto inapta.

Talvez até lá eu já carregue no peito um lugar tranquilo onde você possa esquecer-se que de nós nada fica. E mesmo cientes de que toda vida é preenchida de ida, tramaremos segui-la juntos. Idos os anos em que nos maturamos e nada aprendemos. E nada aprendemos.

Passe na volta. Por enquanto só quero me sentar à porta como quem também mora pelo lado de fora. Por enquanto só posso amarrar meus cabelos em uma desordem mais contida, respirar bem fundo acarinhando meus pulmões, ser leveza, ser sozinha, ser eu mesma, miudinha, abraçando os próprios joelhos.

Você parece mesmo ser incrível e, ao mesmo tempo, incrivelmente inconveniente. Pra você darei meu ‘sim’. Não agora. Eu nunca soube amar menos do que com tudo. Passa outra hora, vai! – como se apaixonar-se pudesse mesmo voltar, como retornam depois do frio as estações mais quentes.

Diego Engenho Novo


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Estávamos nos bastidores de um evento em que eu ia dar uma palestra. Seu Inácio era um conhecido das antigas, de outros festivais, por assim dizer. Eu já havia assistindo alguns shows dele e de sua família. Um grupo lindo de rabequeiros que sempre me emocionava muito. Senti falta de dona Maria Flor, sua mulher, que dava o tom rezado para os vocais – Ela faleceu, faz dois anos – me contou sentido. Pedi desculpas. Eu realmente não tinha como saber.

Me contou, chegando mais perto, mirando a fala pro chão, que há pouco mais de dois meses havia se apaixonado novamente. Quase setenta anos. Após passado o luto da perda da companheira de uma vida inteira, reencontrou uma amiga dos tempos de moço, com quem tinha tido um namoro breve. Na época, ela era muito intempestiva, briguenta e ele não queria compromisso. Afastaram-se. Para surpresa dele, também era viúva recente. História de novela. Voltaram a se conversar, a se fazerem companhia, voltaram a se amar, depois de mais de cinco décadas.

Ainda era amor puro, deixou claro pra mim. Gostavam de passear, jantar juntos, conversar por um tempão embaixo da oiticica centenária do quintal. Nem beijo havia acontecido ainda. Duas crianças namorando sem a outra saber. Questão de tempo. Tempo que não tinham, mas nem por isso faziam questão de apressar. Deu a hora do show e Seu Inácio me deixou ali, com meus pensamentos. E não é que o amor nem sempre vem do novo? Talvez você possa se apaixonar outra vez por alguém que já passou. Pelo que ela se tornou com o passar do tempo.

A gente olha, não adianta, sempre para o novo. A gente imagina que o amor vem pela porta da frente. Talvez não. Talvez você não precise contar toda sua história novamente, talvez você não precise justificar suas manias, talvez você possa viver novas memórias com alguém do passado. Talvez. Há gente que não muda, claro. Gente que não escuta as prosas do tempo, que não aprende com os próprios erros, gente que só seria em nossas vidas o mesmo erro, como um filme reprisado até o cansaço na Sessão da Tarde. Não há segurança, não há garantias. Assim é todo amor novo. Basta deixar-se apaixonar outra vez.

Diego Engenho Novo


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Vanessa não conseguia se encantar por ninguém desde que saiu do seu último namoro. E lá se iam quase dois anos de uma solteirice tranquila e séries em dia. Ela até queria. Contou pra mim que queria mesmo se apaixonar. Não havia ali um esforço partidário para acordar todas as manhãs agarrada ao travesseiro. Faltava homem no mercado. E não homens de qualidades, mas caras com bons defeitos, caras reais.

Bastavam alguns drinks para o mocinho bonito começar a falar sem parar de si, sobre como ganhava bem, sobre todos os lugares que tinha conhecido, sobre como se alimentava direitinho. No drink seguinte ela já estava entediada. Primeiro porque não conseguia acreditar. Por trás daquelas palavras vinha também a sensação de estar diante de mais um moço geração Y tentando agradar. A si mesmo, por sinal. Segundo porque se fosse mesmo verdade, seria um saco tentar acompanhar tanta perfeição.

Com gente sonhando tão alto, sua labirintite andava atacada. Cadê os caras que batiam ponto das 8 às 18? Cadê os caras que tinham feito escolhas erradas? Ou ela era a única pessoa deslocada pairando sobre o mundo? Foi aí que conheceu Diogo. De chinelos na fila do supermercado. E achou adorável que ele lhe sugerisse um azeite bem mais barato e melhor do que o que ela estava levando – O que importa é o PH – explicou. Foram andando juntos.

Tempo suficiente para ele lhe contar que estava desempregado, sem desespero, mas estava. Tempo suficiente para lhe contar que adorava ficar em casa rindo de programas bobos de TV e brincando com sua cadela Suki. Tempo suficiente para que ele a deixasse falar e a ouvisse de verdade. No final das contas, ela estava encantada. O primeiro cara real em muito tempo.

Não era uma apologia aos ferrados, nem preconceito com quem se deu bem, mas mesmo as pessoas que têm tudo sentem falta de algo. Era isso que ela queria ver, a fragilidade doce por trás dele. Suas lutas, suas inseguranças, sem medo de se mostrar. Ela não queria se encantar pelas ilusões dos outros. A simplicidade seduz em tempos de tantas luzes. Encantou-se pelo verdadeiro e único Diogo.

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Estava me vestindo pra sair e de repente notei algo incomum. Você estava rindo enquanto dormia. Não sorrindo, rindo mesmo. E eu fiquei ali congelado, sorrindo pro seu riso iluminado. Pensei em filmar pra guardar, mas não havia tempo. Esse era um daqueles pequenos momentos mágicos que só quem ama pode enxergar. Aquele exato momento em que, no meio do cotidiano, das contas pra pagar, do estar sempre atrasado, da roupa pra lavar, do cachorro que exige atenção, no meio disso tudo, acontece algo pequenininho que faz você se apaixonar de novo.

Não que não estivesse apaixonado antes, não que eu não seja. Mas é sim muito gostoso descobrir algo novo que me encanta em você. Aconteceu também no dia em que ficamos dançando sozinhos na sala escura. E outra vez quando achei um bilhete seu na minha carteira na fila do supermercado. Aconteceu também no dia em que vi você com chocolate do brigadeiro de panela na orelha. Sabem lá os deuses como aquilo foi parar ali. Mistério, assim como se reapaixonar um tantinho novo, diariamente.

Aconteceu numa madrugada dessas em que eu senti frio, ainda meio inconsciente, e seu abraço me alcançou. E depois quando você encostou o nariz na janela de vidro e disse que se sentia voando, igual criança. Acontece quando sinto o cheiro doce das suas costas e depois quando me deito sobre seus ombros. Acontece sempre que enxergo a vida um tantinho diferente por estar do seu lado. Enquanto você dormia, mais uma vez, nosso amor se acordava em mim.

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Não é segredo, é preciso coragem para amar. É preciso ser forte para ser dois nos dias de hoje. É preciso estar atento ao alcance do outro. É preciso ir buscá-lo quando a confusão o levar. É preciso vencer, por vezes as próprias necessidades, é preciso esperar mais um pouco, é preciso, antes de tudo ter fé, de que em seu tempo, o outro assim também o fará.

É preciso ter coragem para enfrentar a maldade e a língua daqueles que não se lançam ao mar. Porque amar é de fato uma jornada perigosa, por ondas, tempestades, em busca de uma terra distante que a gente talvez nunca alcance. É preciso ter coragem para entender que amar não é chegar, amar é ir, meter-se ao mar, ainda que com medo. E isso é muito corajoso.

É preciso ter muita coragem para enfrentar nossas inseguranças todos os dias, para descobrir graça nas histórias que já nos foram contadas, para sentir novos gostos em um sabor que já é de casa. É preciso ter uma coragem danada para calar, mesmo quando temos todas as palavras, mesmo quando donos da razão. É preciso ter coragem para perder na discussão e ganhar em amor.

É preciso coragem para amar após uma vida inteira de desamores, de desencontros, de desencantos e chegarmos com o coração ainda fortalecido, com a coragem de quem jamais naufragou. Se perguntarem aos que insistem em remar pelas águas nem sempre tranquilas e seguras do amor o porquê de insistirem, ouvirá que o mar não seria o mar se não fosse preciso coragem para navegá-lo. Assim também é o amor.

Diego Engenho Novo


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Ame quem te engrandece nas pequenas rotinas, quem junta seus pedaços num abraço após um dia feio, quem te acha linda em cacos, linda de qualquer jeito. Ame quem te protege sem dizer uma palavra, quem divide contigo os medos, mas também as conquistas. Ame quem te sonha por inteiro.

Ame quem te encanta nas tarefas mais involuntárias, nas piadas mais antigas, nas horas mais vagas, nos silêncios ocasionais em que verdadeiramente se escuta o outro sendo ele. Ame quem te ama em pensamento, quem diz seu nome sorrindo, quem guarda teu tempo, quem respeita teu ritmo, quem adora te ver dormir, mas nunca vai confessar.

Ame quem te abre o peito como duas asas, quem te liberta com um afago, quem te impulsiona, segurando firme as suas mãos. Ame quem te admira, mas ainda é franco diante de suas falhas, ame quem também é verdadeiro sobre seus próprios defeitos. Ame quem também adora aprender contigo, lendo tuas linhas como um sábio se debruça sobre um antigo livro raro.

Ame quem é cúmplice dos seus olhos, testemunha dos seus sonhos, quem precisa de bem pouco pra te encantar. Ame quem te espera em ansiedade, quem elogia seu cheiro mais do que sua aparência. Ame quem tem a ciência de fazer seus dentes rirem por motivo torpe, por motivo bobo, por motivo nenhum. Ame quem é cúmplice de sua preguiça, companheiro de suas andanças, quem prefere estar contigo.

Ama, ame sem medo que o amor é a luz que revela a coragem nos dias mais turvos, a candura nos caminhos mais áridos, a confiança que estava escondida, a verdade que permaneceu oculta, a alegria que parecia bem pouca e agora inunda.

Ama e ama sem medo nenhum. O amor encarrega-se do resto, busca o sentido, entrega os motivos, guarda o consolo, assopra as feridas. Ama, que nós só somos memória quando contados e repetidos pelos lábios tranquilos de alguém que também nos amou.

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Dia desses me perguntaram se eu estava namorando. Mais do que rapidamente respondi que sim, estava namorando uma pessoa linda. Queriam, claro, saber quem era. E como se fosse outra vez um garoto de doze anos só pude responder – Ela não sabe ainda.

Lembro que quando moleque, uma amizade se tornou amor. Aconteceu ali, em meio às nossas brincadeiras. Na minha cabeça, aqueles olhinhos só me viam mesmo como o amigo desengonçado. Um gostar bom, doce, longe de ser concretizado. Aqueles olhos nunca tinham parado em mim por mais de dois segundos.

Dez anos depois, nos reencontramos na internet, crescidos. E lá pelas tantas, decidi confessar – Eu era apaixonado por você, sabia? – um tempo – Para de brincar comigo, Diego! – sabia que não seria levado a sério, nem mesmo após uma década, mesmo barbado – Juro, sonhava com você, contava os minutinhos pra te ver, tive febre quando você viajou de férias com a sua família pro interior – e foi aí que ouvi aquelas incríveis palavras – Poxa, eu também amava você.

Claro, inevitável pensar no tempo perdido, no que poderia ter sido, pensar que poucas palavras teriam nos salvo, há dez anos. Mesmo tardia, a declaração de amor recíproco fez meu coração dar um pulinho, no meu estômago, aquele geladinho gostoso, outra vez. Eu nem estava me vendo, mas sabia, havia fogos de artifício nos meus olhos. Copacabana.

Mas quando me lembro de meus amores platônicos, nunca me lembro deles com tristeza, apenas saudade. Da inocência, do nosso combinado especial, entre mim e o tempo. Aqueles amores se bastavam, se cumpriam, se iam, sem nem mesmo necessidade concreta da outra parte.

Aqueles amores partiam da gente mesmo, da nossa vontade de se sentir amando o outro, da nossa devoção, admiração. E como tantas outras brincadeiras, aqueles amores nos iam deixando, sem dor, sem culpa, lerdos, como falta de memória. Aqueles amores iam se tornando outra coisa, ou talvez só migrando para outro hemisfério de dentro da gente, como pássaros.

Aqueles amores são a prova máxima de que amar depende muito mais da nossa disposição para isso, do intento nosso. Quando se sentir sozinha, lembre-se que em algum lugar, alguém também te ama em silêncio. Há dias em que você sentirá esse sentimento, chegando pertinho, disfarçado de brisa e depois, sumindo fininho no esfarelado do tempo, por puro medo de se revelar.

Diego Engenho Novo

(Tema sugerido pela leitora Kelly Cristina de Dourados-MS)


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As melhores histórias de amor são contadas de trás pra frente, de como tudo acabou docemente, ao final de uma vida inteira dedicada. As melhores histórias de amor também duram quase nada, um suspiro em meio ao tempo, uma pausa tranquila na solitude conturbada que só a gente entende.

De ponta-cabeça, as melhores histórias de amor são descontinuadas, incertas e desalinhadas como flores do campo. São guiadas pela ordem do seguir em frente, da luta constante para abraçar as complicações do outro e transformá-las em doçura, todos os dias, ou pelo tempo que durar.

As melhores, mais incríveis e adoráveis histórias de amor não sabem explicar onde tudo começou. A gente nem sempre entende quando algo maior começou dentro da gente. Porque o amor cresce como uma cidade, que do dia pra noite, se tornou gigante e barulhenta. Esqueça a calmaria, esqueça o tédio. As melhores histórias de amor sequestram nossa paz para depois devolvê-las à nossa revelia.

Terminadas, retomadas do meio, reinventadas, abertas, fechadas, as melhores histórias de amor, dispensam os roteiros, abrem caminho em meio à mata fechada, são experts em edificar a partir do nada. Elas gritam alto, derrubam tudo, estabanadas, escrevem errado, mensagens que, do mesmo jeito, dizem que amam, que amam e pronto.

Pisam no pé, na bola, no orgulho, na ferida, as melhores histórias de amor são descoordenadas, míopes, erráticas, as melhores histórias de amor erram feio. São reparadas, remendadas, empurradas como um carro velho, que no fim das contas, cumpre seu papel de ir por aí.

As melhores histórias de amor são as que ninguém à volta consegue entender. Sinal de que o amor pôde construir algo que só quem ama pode viver, que só envoltos se pode sentir, que só por dentro se pode enxergar. Se há amor, todas as histórias podem ser incríveis.

Diego Engenho Novo


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Querido amor primeiro, depois de tantos anos, hoje, me peguei lembrando de você. Por dois ou três segundos, pude sentir de volta toda a doçura que carreguei ao gostar de ti. Sentir o mundo era mesmo diferente enquanto sentia você. Hoje, às vezes rio do meu próprio destempero, de minhas tentativas amalucadas de me aproximar, de meus medos mais bobos, mas lembro de tudo também com a saudade de quem sabe que provavelmente não sentirá algo tão puro por dentro de novo.

Há tempos não sentia meu coração salteado, os amores de hoje, claro, têm sua beleza, uma beleza tranquila que aprendi a adorar. Mas é tão bom relembrar que o nome de alguém tinha poderes mágicos sobre cada pelo do meu corpo, cada fase da minha pele, cada pensamento meu. Algum dia pertencerei outra vez a alguém assim? Não sei se isso seria saudável na idade que tenho hoje, mas de fato foi muito bom ser todo teu.

Querido amor primeiro, por muitos anos fantasiei que um dia, nos caminhos entrantes da estrada que é viva, nos reencontraríamos cheios de novos aprendizados. E aproveitaríamos esse amor que foi quase sonho para viver algo real. E nos preencheríamos da cumplicidade que temos, de nossos segredos das crianças que ainda éramos, recuperaríamos tudo isso de volta como quem colhe frutos, empilhando-os entre o peito e os braços. É, talvez eu ainda fantasie. Talvez algo que de mim ainda acredite. Há dias, como hoje, em que acredito mais.

Você aprenderia a amar o que me tornei? Acharia bonitos meus olhos cansados, insones, preocupados de ser gente grande? Enxergaria aquele adolescente bobo nas esquinas do meu riso sarcástico? Você se apaixonaria por mim outra vez ou pela primeira vez uma vez mais? Querido primeiro amor, nem todos os caminhos podem ser retomados. Há estradas que só existem para serem lembradas como possíveis, sem as trilharmos por inteiras. De qualquer forma, gosto de lembrá-lo. De levá-lo comigo. De acessar outra vez a chama que meus olhos só tinham quando te olhavam, aquecidos.

Há algo guardado no fundo do mundo que é só nosso, foi dito baixinho, no quase escuro e estará sempre guardado com o garoto que você conheceu anos atrás. Segue ele comigo: o garoto que você conheceu e os segredos que a ele foram dados.

Diego Engenho Novo


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