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gratidão

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Você ficaria comigo se soubesse que não teremos tempo para ser eternos? Ficaria se soubesse que um dia talvez eu me canse de nós? Ficaria se soubesse que um dia eu também me tornarei muito cansativo pra você? A minha voz se tornará um zumbido, irritante e insistente, reclamando atenção.

Do que você tem medo? De não durarmos o suficiente para nos gabar? De gastarmos o dobro do tempo para esquecer? Parece um preço muito alto a se pagar, mas eu não trocaria nossos minutos e segundos por nada disso.

Depois que nos distanciamos eu me virei e olhei sua doçura indo embora de mim. Soube ali que nunca mais nos veríamos, mas eu senti um orgulho imenso de nós dois, pouco antes de me desfazer em medo. Dividimos o respeito que plantamos e colhemos em partes iguais. Alimento a contento.

Nós fomos incríveis, vorazes, intensos como um beijo que se esconde no meio da multidão, um acenar que pausa a solidão de um desconhecido, como estrelas que se aproximam sem nunca de fato poder se encostar. Não havia garantias, nós nunca as tivemos em momento nenhum de uma vida inteira sem retidão. E é isso que eu mais amo em você.

Jamais direi que te amo no passado. Meu amor não passa como chuvas esparsas. Meu amor vai ficando de pedaço em pedaço para quem me dou. E para cada parte que fica, como um postal antigo que diz – Eu já estive ali – para cada parte, meu amor se desdobra e também se reparte em dois. Você faria tudo outra vez se soubesse que não iríamos nos demorar?

Onde quer que eu esteja, para todos eu digo, você foi um dos lugares mais lindos em que pude estar.

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Naely encostou-se em sua xícara de chá e aquele pedacinho de ferro brilhou. Era uma aliança. Estava noiva. E eu fiquei ali encantado pensando – quem é que fica noiva hoje em dia? As pessoas se conhecem e partem logo pro abraço. Na urgência de ser feliz como quem faz um check-in, a gente anda desqualificando os rituais. Não chega a ser motivo para se preocupar: a beleza dos rituais está no fato de que sempre há tempo para ritualizar o que já parece tão banal. Os melhores rituais, a gente carrega por dentro.

Ela sabe que você a ama, mas dizer é importante e demonstrar é sagrado. O ‘eu te amo’ é a oração dos amantes. Ele sabe que você está feliz ao seu lado, mas agradecer é sim imprescindível, enquanto sorrir for um rito sagrado, pros dois. É preciso brindar, sempre, pelos motivos mais incríveis ou bobos do mundo. Eu brindo até com o galão do bebedouro se me deixarem. Brindo à vida, à serenidade, ao som da risada dos meus amigos, ao amor dos meus pais, a nós, infinitos em ritos de comunhão.

Para aqueles que são amigos há uma década, ainda é tempo de ritualizar esse cuidado mútuo. Que tal um troféu? – Melhor Amigo de Uma Vida Inteira – em adoráveis letras garrafais numa placa acrílica. Reconhecer quem reconhece em você o melhor: tire um tempo também pra isso. Ritualizar o amor nem é casar. Não precisa de nada disso – igreja, cartório, bufê, flores que não serão cheiradas. Melhor do que casar é se comprometer. Para ritualizar basta fechar os olhos, os dois, juntos, de frente pro mar por cinco segundos e se deixarem abençoar pelo amor um do outro. Eu vos declaro, cúmplices – diz o vento baixinho.

Criemos nossos próprios rituais de amor, de fé, de reconstrução. Celebremos os encontros, as perdas que não fazem falta, a saudade que carregamos, os amigos, as pessoas que serenam nossos corações. Que a vida seja um ritual adorável de agradecimento, porque, em meio a todas as milhares de possibilidades infinitas do universo, nós, tão pequenos e desconexos, tão docemente atordoados, flanadores natos, tivemos a sorte de nos encontrarmos em igualdade de espaço, tempo e de sentimentos.

Diego Engenho Novo


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Tenha um amigo que seja maior do que você. Não somente pelos braços mais compridos que nem mesmo precisam se alargar para te abraçar. Nem mesmo pelas ciências da vida que ele já recita como um poema curto de Adélia Prado, ciências que você ainda tenta assimilar, com certa dificuldade. Tenha um amigo de alma maior, coração mais largo e olhar mais sereno que o seu.

E ele, em muito vai lembrar a candura de seu pai, o humor preocupado de sua mãe, e pouco a pouco também se tornará sua família. E mesmo nos dias em que ele se sentir menor e reivindicar seu colo, você ainda estará sendo protegido por ele. Há gente que cuida da gente num caminho inverso quando deitam na paciência do nosso colo, quando choram no mirante de nosso peito, quando a sua simples presença nos torna também um pouco maiores.

Tenha um amigo que seja maior do que você. Que lhe ensine a ser generoso com miudezas como te emprestar um livro que você nem pediu ou te levar para tomar café quando você estiver perdido. Que lhe mostre a dignidade desculpando-se quando você nem estava exatamente bravo e lhe perdoando exatamente nos momentos em que você não poderia ser tão mais errado.

E a partir do respeito imenso que você recebe dele e do respeito legítimo que devolve de volta, estará criado um adorável círculo vicioso, como as vasilhinhas que viajam de uma casa para a outra. Nunca vazias, sempre comadres, refil eterno de um agrado novo, marmitas fartas de gratidão e amor. Tenha um amigo maior do que você. Para cultivá-lo como um campo florido que se alastra por quilômetros: delicado e imponente, simples e misterioso, valioso e aberto para quem quiser ver.

Diego Engenho Novo


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Nem sete ainda e estou de pé, observando o frio correndo atrás das velhinhas lá fora. Limpei um restinho de pão do balcão com uma atenção especial e fiscalizei as primeiras bolhas brotando da água ainda morna. Sentei-me como se fosse assistir TV na poltrona larga da sala, mas não liguei nada, só fiquei ali, assistindo aos quadros perfeitamente alinhados. Refiz meus passos e fiz a pergunta que sempre me faço: o que estou sentindo agora?

E a resposta foi uma calma que me assustou, uma tranquilidade não costumeira, um silêncio mudo, eu não estava sentindo nada. Nem medo, nem pressa, nem saudade, nem alegria, nem insegurança, nem confiança exacerbada. Um nada imenso. Estava me sentindo leve, mas leveza é mais sentido que sentimento, como uma carroça de abóboras que faz sua entrega e leva embora os cavalos. Folha em branco, letreiro sem datas, vestido feito em casa pelas mãos miúdas da costureira, sem numero, nem etiqueta, só razão de ser.

Liberado de todos os outros sentimentos, decidi vestir um qualquer como quem pega um agasalho no armário. Raramente a gente tem essa oportunidade, então, decidi me sentir grato. Era isso. Obrigado, porque descobri a tempo que me fazer feliz é mais importante, não da boca pra fora, mesmo, de verdade, defenda-se com a garra que protegeria um filho. A gente é filho de si mesmo. Obrigado, família, porque percebi cedo que flores sem raízes são somente intenção.

Obrigado, pelo ar que entra forte em meus pulmões, por poder ser testemunha da existência dos meus amigos, pela falta de memória do meu coração que sempre ama pela primeira vez outra e outra vez, pela compreensão de que tudo passa, inclusive as coisas pequenininhas que a gente quase nunca nota. Obrigado, por manter meus sonhos acesos e a minha dúvida curiosa. A gente raramente pode escolher o que sentir, mas sempre poderá escolher a que sentimentos dar de comer, já dizia Tientai. E a gratidão ecoou pelo espaço que havia por dentro.

Diego Engenho Novo


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Adeus, Nicolai. Percebi hoje que saí sem dizê-lo. Percebi só agora, que nossa história acabou, mas não foi encerrada. Até dizer adeus, eu permaneço em débito com você. Quebrei a primeira regra da boa educação, me esqueci das palavrinhas mágicas. Educação nunca foi nosso forte. A intensidade não nos deu tempo para as formalidades. O amor é mesmo meio desbocado.

Por favor, Nicolai, não perca a doçura com a qual lê Clarice Lispector, nem perca o brilho nos olhos quando é Natal. Por favor, continue pensando longe enquanto cozinha, continue tomando seus banhos demorados, continue se divertindo enquanto lava o carro. Por favor, tenha na agenda mais contatos de amigos que de deliverys.

Por favor, viva amores ainda mais loucos. Sim, tem gente bem mais maluca que eu no mercado. Se apaixone perdidamente por um chinês de fala engraçada, um francês refinado e falante e logo depois, se entregue também para um geek cheio de humor. Não se preocupe em entender se é amor ou paixão, você mesmo me ensinou que estas são definições rasas para traduzir a vontade de estar junto ou não.

Assim como saí sem dizer adeus, você entrou sem pedir licença. Num dia comum, um sábado cinza, você pediu companhia para ir até o supermercado e eu implorei que, por favor, não me deixasse sozinho, nunca mais. Eu nunca soube ser só, Nicolai. E, irônicamente, também nunca aprendi a ser tão seu quanto você queria. Eu não queria ser solitário, nem queria ser teu. Queria ser meu, contigo. Me desculpe.

Eu me despedi de você enquanto o carro se afastava do nosso antigo bairro, me despedi enquanto chorava no banho, enquanto comprava roupas novas que você jamais aprovaria. Me despedi enquanto quebrava suas regras, que não se aplicavam mais a mim. Me despedi, quando tive vontade de ligar e não liguei, quando quis responder a você chamando e não o fiz. Me despedi, mas não disse adeus, ainda.

Digo que saí sem me despedir, porque as últimas palavras mágicas da boa educação, ensinadas por nossas mães, logo após “por favor” ,“com licença “ e  “desculpe-me” não é “adeus”, mas “obrigado”. Obrigado, Pequeno. Adeus, Nicolai.

Diego Engenho Novo


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