Tags Posts tagged with "diego"

diego

0 967

"Um dia o amor imenso que sinto há de me redimir e também me fazer maior"

Esqueci nosso aniversário de namoro. Sou terrível com datas. Sou terrível com milhões de outras coisas. Mas não é disso que quero falar. Não exatamente. Comentei na internet o ocorrido, já passado, já rido, já perdoado, e fui cercado por uma enxurrada de críticas, em tom carinhoso e amável, claro, mas com seu fundo de verdade – Mas você não é o cara que fala tanto sobre o amor?
 
Esse mesmo. Estou sempre falando sobre o amor, muito mais sobre o que descubro sobre ele do que sobre as coisas que penso saber. Falo muito mais sobre a tentativa do que o êxito, falo muito mais sobre a intenção do que a ação em si. Sim, os poetas, os românticos, nós, também esquecemos datas, mas ninguém comenta que deixamos bilhetes apaixonados todos os dias, que gritamos na rua o quanto amamos, que damos presentes em horas inapropriadas, que dizemos do nosso amor uma segunda vez repetida por puro e delicioso esquecimento.
 
Nunca falei de amores perfeitos, de pessoas impecáveis. A natureza do que escrevo parte sempre da beleza da imperfeição, das miudezas, da delicadeza que há em se assumir errado, pedir perdão. Não posso falar do que é perfeito justamente por desconhecê-lo. Sou errante, inconsequente, sem paciência, falo palavrão, tenho insônia, preguiça, ciumes, inseguranças, saudade de quem não devia.
 
Eu estou quase sempre na contramão, jamais ditando regras, jamais apontando dedos, jamais me colocando no lugar de melhor ou superior. O que sempre digo é que somos parecidos. E quando alguém me lê de volta, me acena com o braço alto, sinto por dentro que também não estou só em minhas tentativas. Sim, esqueço-me de datas, mas jamais do dia em que nos conhecemos. Um dia o amor imenso que sinto há de me redimir e também me fazer maior.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

E tem mais

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

0 2952

Não é segredo, é preciso coragem para amar. É preciso ser forte para ser dois nos dias de hoje. É preciso estar atento ao alcance do outro. É preciso ir buscá-lo quando a confusão o levar. É preciso vencer, por vezes as próprias necessidades, é preciso esperar mais um pouco, é preciso, antes de tudo ter fé, de que em seu tempo, o outro assim também o fará.

É preciso ter coragem para enfrentar a maldade e a língua daqueles que não se lançam ao mar. Porque amar é de fato uma jornada perigosa, por ondas, tempestades, em busca de uma terra distante que a gente talvez nunca alcance. É preciso ter coragem para entender que amar não é chegar, amar é ir, meter-se ao mar, ainda que com medo. E isso é muito corajoso.

É preciso ter muita coragem para enfrentar nossas inseguranças todos os dias, para descobrir graça nas histórias que já nos foram contadas, para sentir novos gostos em um sabor que já é de casa. É preciso ter uma coragem danada para calar, mesmo quando temos todas as palavras, mesmo quando donos da razão. É preciso ter coragem para perder na discussão e ganhar em amor.

É preciso coragem para amar após uma vida inteira de desamores, de desencontros, de desencantos e chegarmos com o coração ainda fortalecido, com a coragem de quem jamais naufragou. Se perguntarem aos que insistem em remar pelas águas nem sempre tranquilas e seguras do amor o porquê de insistirem, ouvirá que o mar não seria o mar se não fosse preciso coragem para navegá-lo. Assim também é o amor.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

E tem mais

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

2 625

E depois de tanto tempo você volta. Como quem sempre esteve por aqui, como quem só foi ali na esquina ver o ocorrido do ruído estrondoso, como quem após tanto tempo ouviu meu choro, minha dor, minha prece e decidiu voltar para me acalmar.

Depois de tudo limpo e reposto, depois que me reconstruo você volta como se não fosse sua falta o motivo maior do meu ruir. Quando não mais preciso você me vem com as palavras que há tempos eu tanto precisava.  Talvez você não saiba, mas, as palavras têm prazo de validade.

E então você chega como quem saiu para cuidar do jardim e esqueceu alguma ferramenta, como quem foi ao mercado e deixou a carteira em cima da mesa, justo quando eu finalmente consegui me esquecer de ti, você volta. Você poderia me esmagar com esses olhos, mas prefere fazer com que eu me perca neles. Parece mais divertido.

E agora você procura por mim, reclamando do vazio, quando não estou mais só, você reaparece e a casa agora parece cheia demais. Há pessoas que só voltam momentaneamente para garantir que estaremos sempre à espera delas, como um terreno baldio, onde jamais se construirá nada, nem permitirá também a quem quer morar construir.

Você continua o mesmo, como se nada tivesse mudado, como se eu fosse seu porto à espera, como se o tempo tivesse parado, como se a vida não seguisse adiante. E depois de tanto tempo você volta, sem parecer saber, sem querer notar, que a mulher que você deixou esperando simplesmente não existe mais.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

E tem mais

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

 

 

5 1889

Como folhas secas no ar, como água pura entre os dedos, como um riozinho metendo-se caminho à dentro, deixa ir. Como profetas que caminham na beira da estrada, como dentes-de-leão que se despedaçam, como uma montanha que se esfarela, ano após ano, sem ninguém notar, deixa ir. Deixa partir de ti o amor que não te torna grande, o calor que não te acompanha, a saudade que só existe em você. Como estrela que se lança ao mar, segura de um novo céu, deixa ir.

Como a criança que se lança à frente em primeiros passos, sem medo algum de cair, como a noite que joga seu manto, dona imensa de si, deixa ir. Como a fé que segue adiante, como o livro que é viajante, como a pluma que de mãos dadas com a brisa, se torna também brisa por aí, deixa, deixa ir. Deixa que vá o apego ao medo, o desejo vazio, o silêncio como resposta, deixa que vá quem já vive à porta. Como as horas que giram, crianças fazendo ciranda, meninos matando o tempo na inocência do repetir, deixa ir.

Como as bolhas de sabão o sabem, como o pássaro que se põe mais longe, como os velhinhos que se guardam em si, cada dia um pouco mais. Como o beijo que se fez roubado, como o galho que aponta para o alto, acenando aos deuses que está ali, deixa ir. Deixa que tudo siga seu caminho mais natural. Porque também é da ordem das coisas que o seu encontre seus braços abertos, que o seu se deite em seu peito liberto, que te encontre através dos seus olhos iluminados. Como pista de pouso, como constelação, como farol que espreita as ondas escuras, deixa também o caminho aberto para quem quiser vir.

Diego Engenho Novo


 

 

A gente se encontra nas redes sociais : )

 

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

kiwi: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

0 567

Conversávamos através das paredes finas das barracas, como duas crianças. Maurício já tinha prometido dezenas de vezes subir até o Pico das Cinzas comigo. Tarde da noite e ele me contou sobre a primeira vez que estivera ali. Há quinze anos, perdido com mais cinco companheiros de trilha, andando durante a madrugada, sem saber ao certo para onde estavam caminhando, sem poder parar e acampar no terreno acidentado, sem baterias nas lanternas, sem estrelas que os guiassem. Breu.

Tateando o caminho com os pés, Maurício parou por um segundo para ouvir um choro. Uma moça do grupo chorava desesperada, assustada, com frio. Seguindo o som dos soluços, meu amigo alcançou seus dois ombros e disse olhando nos olhos dela, não vendo-os, mas imaginando-os brilhando nas trevas daquela noite – Acalme-se, vai amanhecer em alguns minutos e nós reencontraremos nosso caminho.

Suas palavras a calaram – Como você pode saber? Como sabe que vai amanhecer? Não tem sequer um sinal de luz no céu e eu estou tão cansada – suspirando fundo – Ano após ano observando o céu pacientemente, eu aprendi que quanto mais próximo do nascer do sol, mais escura fica a noite – e um filete laranja do sol se espreguiçando começou a iluminar devagarinho o sorriso que eles trocavam sem saber.

Quantas vezes tive medo, perdi a fé, me senti o mais sozinho dos homens? Quantas vezes me perguntei onde tinha errado o caminho, quando me deixei encobrir pelo manto da tristeza? Eu só queria ter ouvido essa frase antes. Eu só queria tê-la em meus dias mais tristes para me dar a certeza de que a escuridão total à minha frente era também um sinal doce e certeiro de que a luz estava para chegar.

É isso que me faz seguir caminhando, essa sabedoria que Maurício tinha sem perceber, de que até mesmo a dor é carregada de sinais de que as feridas se curam, os embaraços se desfazem e a manhã nem tarda, nem falha. A manhã sempre vem pra nós.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

E tem mais

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

0 444

Não é surpresa, anos depois de um casamento muita gente descobre que não conhece com quem se casou. Descobre quando um dos dois sai pela porta repentinamente, quando um dia nota uma risada mais alta por um motivo inusitado, quando se toca que tudo o que ela parecia ser se parece diferente agora. Foi assim como Aline. Um dia seu marido disse que era infeliz e ela pensou ser brincadeira de má hora. Mas ele estava mesmo indo embora. Indo embora dela.

Sempre que ouço histórias assim, tenho a sensação de que quem se depara com o desconhecido plantado ali na sala de casa, vestindo os chinelos do marido, ou carregando a bolsa da esposa, culpa sua própria existência, como se a casa tivesse sido invadida sorrateiramente. Como se um estranho tivesse invadido a casa e não morado por anos ao seu lado nela. É seu marido de vinte anos que está ali, sua mulher da vida inteira, é alguém que você viu por anos, sem enxergar. Reclamar que não conhece o outro, em muitos casos pra mim tem tanta lógica quanto culpar Paris por jamais ter estado lá ou culpar a Índia por ser longe. Em parte dos casos, claro, depende do outro também se mostrar. É preciso que Paris esteja lá para nós.

O que quero dizer e, eu sei: isso vai incomodar, é que muita gente que já ouvi reclamando ter tido um encontro repentino com o lado desconhecido da mulher ou do marido simplesmente não o conhecia por pura e boa falta de atenção e interesse genuíno. Não teve a curiosidade de atravessar a rua pra ver de perto quem disse que amava. Não tinha interesse em ver o que a curiosidade dele apontava no horizonte, não tinha atenção para ouvir as histórias até o fim, estava quase sempre contando algo sobre si, como se o outro fosse apenas testemunha, diário, público pagante.

Ouvi então Aline dizer aquela frase clássica “Meu Deus, quem é essa pessoa com quem me casei?”, pensei dizer – Pois é, é bem provável que ele se pergunte a mesma coisa. Vocês perderam a chance incrível de se conhecer em alma – mas não era isso que ela precisava. Um ombro que lhe segurasse o queixo já bastava. Algumas pessoas só são verdadeiramente notadas por nós quando, à luz da porta, chamam nossa atenção, não porque se tornaram mais nítidas, mas porque simplesmente pararam de nos dar ouvidos e naquele instante se tornaram menos nossas.

Diego Engenho Novo


A gente se encontra nas redes sociais : )

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

0 1377

Houve um tempo em que eu chorava todas as noites. Houve um tempo em que eu pensava mais em você do que em mim. Houve um tempo em que meu medo me impedia de ir buscar o ar. Houve um tempo em que eu não via nada além da sua ira disfarçada de cuidado. Houve um tempo em que eu seguia seus passos como que desejando que você tropeçasse em mim. Houve um tempo em que eu te amei e nem mesmo me lembro direito o motivo.

Houve um tempo em que eu te desejava nos meus sonhos. Houve um tempo em que me sentia culpada por não sermos mais felizes. Houve um tempo em que eu fui infantil porque achei que seria a melhor forma de alcançar seus cuidados. Houve um tempo em que eu fui distante esperando que você notasse. Houve um tempo em que tudo o que eu fazia tinha sua aprovação como fim. Fim também disso.

Houve um tempo em que meus dedos te buscavam enquanto você dormia, esperando que algo no seu inconsciente ainda desejasse o calor de mim. Houve um tempo em que eu te pedia um beijo como quem pede que uma rosa brote num jardim infértil. Houve um tempo em que eu achei que a distância nos traria saudade, mas a volta das suas viagens só nos trazia mais distâncias.

Houve um tempo em que eu pensei que eu fosse o problema. Tentei mudar meu humor, meus modos, meu corpo, meus cabelos, mas nada parecia mudar à nossa volta. Em outro tempo pensei que podia mudar-te, num esforço tão eficiente quanto carregar a areia e a água do mar, ambas juntas entre os dedos.

Houve um tempo em que tudo isso me doeu e hoje já nem incomoda. Houve um tempo em que tive raiva, mas isso também não ficou. Hoje lhe guardo a candura e o cuidado de alguém que amei de todas as formas possíveis até entender que há um tipo de amor que não pede amor em troca. Hoje sou seu pai, sua mãe, sua filha, sua melhor amiga. Sou uma alma antiga que voltou sentindo saudade.

Diego Engenho Novo


A gente se encontra nas redes sociais : )

 

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

kiwi: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

0 680

Aquele ano foi terrível para Araceli. Não éramos exatamente amigos. Eu a encontrava na casa de um casal de amigos e sempre a ouvia falar da vida. Aquela mulher merecia um prêmio. Sério. O marido era um sacana, sua loja de roupas de banho estava falindo, ela ganhava peso, apesar de tantas dietas malucas, semana após semana – Mas eu continuo forte. Eu sigo firme. Não vou desistir não! – dizia, mexendo seu famoso assado no tempero, com uma tristeza intacta por trás daquele sorriso incrivelmente insistente.

Um dia a encontrei no shopping. Onze milhões de habitantes nessa cidade e eu a encontrei olhando uma vitrine. Atravessamos a rua pra tomar um suco em um beco charmoso cheio desses food trucks. Ela tentou falar de outras coisas, mas claro, seu coração queria falar do marido, da loja que sua mãe deixou, dos quilos que a incomodavam – Tem sido difícil. Nem eu sei como aguento. Mas eu li um texto seu esses dias que falava sobre isso. Sobre não desistir – me contou em tom de elogio. Aquilo me incomodou profundamente.

Aquele texto não era pra ela – Araceli, eu sei que vai parecer estranho o que eu vou dizer, mas… desista. – ela estava em choque – Como assim, desistir? – com o copo gigante de suco congelado no ar – Não basta perseverar. Nós também precisamos entender, sentir se estamos insistindo na direção correta. Às vezes, enquanto todo mundo diz pra gente continuar, nós temos que saber se aquele caminho merece mesmo nosso esforço. Existem caminhos superdifíceis que simplesmente não levam a lugar nenhum. A vida tenta muito sabiamente nos mostrar isso, como uma mãe delicada. A gente é que não vê – disse, abaixando o copo dela com cuidado enquanto segurava as suas duas mãos.

Vez ou outra, a gente precisa parar de machucar os pés, dar murro em ponta de faca, ter a coragem de deixar pra lá. Um relacionamento infeliz que pede desistência, pode dar espaço a uma história pela qual valha verdadeiramente a pena lutar. Um sonho que nem é nosso, um emprego que nos diminui, a carreira que escolhemos lá atrás, quando nem sabíamos quem éramos de verdade. Talvez você precise simplesmente desistir agora. É fácil reconhecer um caminho que é nosso. Mesmo na dificuldade, mesmo na dor, mesmo nas noites insones, ele se mostra nosso, flui, ainda que devagar.

Um ano depois reencontrei Araceli no mesmo lugar. Dessa vez, fui visitá-la na inauguração do seu próprio food truck. Foi lá que conheci seu namorado novo, aquele poço de carinho, correndo pra um lado e pro outro pra atender todo mundo, enquanto ela se matava de cozinhar com um sorriso insistente no rosto. Ela não emagreceu. Continua lutando. Embora Beto a agarre o tempo todo, a implorando para não mudar. Minha comida chegou com algo escrito no guardanapo. Um recado de Araceli dizia “Fui feliz bem mais quando aprendi a desistir do que não era pra mim”. 

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

0 484

Cabe numa caixinha, como quem devolve, seu sorriso atrapalhado das manhãs quando te acordo? Ou num embrulho espaçoso sua risada gostosa distraído lá na cozinha? Cabe dentro de um laço todo o espaço nosso de um abraço que não se cabe de vontade? Hoje é seu aniversário e nenhum presente parece ser do tamanho exato de tudo que o que você me dá.

Cabe num papel florido meu jeito distraído de massagear seus pés? Quem sabe coloco num vidrinho os seus medinhos balbuciados enquanto dorme sob minha adoração insone. Ou mando entregar, como se fossem flores, seu cheiro pela casa, doce e primaveril, para que você saiba como me sinto quando o encontro descompromissado na almofada, na camisa dormida, nos meus cabelos.

Cabem dentro de uma caixinha aveludada, os meus sonhos contigo? Todos os nossos segredos, as confissões que jamais imaginei fazer pra alguém, mas te contei de graça? Cabe nosso encaixe no frio, nossa preguiça aos domingos, nossas declarações de amor despropositadas, nosso perdão que abraça? Cabe num cartão bonito que se abre cantante o nosso entendimento que não diz nada? Nossa doçura que resolve tudo como se tudo se tornasse nada, miudezas.

Vai ver que o amor é feito disso. De pequenezas, de tornar miúdos os problemas, a dor, a pressa, como bibelôs sem serventia de nada, mas nossos. Pequenina também, delicada, torna o amor a beleza, a gratidão e o afeto diário. E é de miudeza em miudeza que a gente vai se fazendo o presente um do outro, uma lembrancinha trazida ao fim do dia, um agrado chegado de longe, um jeito encontrado de dizer – Obrigado a você que já me deu tudo quando aceitou também ser meu. Feliz Ano Novo da Alma.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

0 608

Quatro da manhã, entrei na ponta dos pés, fechei a porta com cuidado, acendi a luz devagar, como se fosse possível. Minha mãe estava sentada no sofá da sala, aos prantos – Quando você for pai, vai entender – repetia quase sempre que a desobedecia. Fui aborrescente dos bons. Sumia sem dar notícia, dava má resposta, comia porcaria, amanhecia na gandaia, gostava de bruxaria. E minha mãe, com seus olhos fundos, preocupados, só me parecia alguém que contrariava toda a diversão – Quando você tiver seus filhos, vai me dar razão – resmungava pelos cantos.

Ela perdoou meus ataques de hormônio, minha teimosia, minha música alta, minha porta do quarto, sempre fechada. Ela perdoou minha antipatia, meu destrato com as visitas, meu cabelo colorido, o troco que eu não devolvi, o colo desperdiçado. E eu entrei em choque quando finalmente virei aquela chavezinha na minha cabeça. Um dia eu acordei e o sentimento estava lá, como se fosse caso de abdução alienígena ou rede nova de wifi instalada – Bom dia. Você é pai – diz algo dentro da gente.

Pânico. Como ela conseguia? Ver seu moleque exposto a tantos perigos, à maldade do mundo, à possibilidade de nunca mais voltar? Sem nem mesmo ter nascido, meu filho já não podia ir na esquina sozinho. Decidi assumir que eu seria um pai superprotetor, sociopata das bicicletas com rodinhas, arquiteto das quinas de mesa acolchoadas. Eu era bem pior nesse quesito que a Dona Florinda.

Me diz, mãe, como podia ser tão forte a ponto de não enlouquecer? Ainda ter cabeça pra estudar, trabalhar e fazer charme pro próprio marido, com seu filho dormindo, sem saber se ele estava mesmo respirando? Ela colocava o dedinho na frente das minhas narinas pra sentir. Eu terei um tanque de oxigênio no quarto dele, ao lado do ressuscitador e dos curativos.

Ao contrário de sua praga do bem, eu não a entendi. Não seria capaz. Ela foi muito mais sábia, generosa e corajosa do que eu poderia ser. E quem é que pode explicar esse amar sem tamanho, proteger sem ressalvas, querer bem sem espera, embalar para o mundo ter? Quando estou com mais medo é para o colo dela que eu volto, é nas palavras dela que eu me encosto. Quem diria, que os filhos antes de ensinar a gente a ser pai deles, preferem mostrar a grandeza que já existia nos nossos? Um dia você também vai entender.

Diego Engenho Novo


A gente se encontra nas redes sociais : )

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo