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diego engenho novo

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Cabe numa caixinha, como quem devolve, seu sorriso atrapalhado das manhãs quando te acordo? Ou num embrulho espaçoso sua risada gostosa distraído lá na cozinha? Cabe dentro de um laço todo o espaço nosso de um abraço que não se cabe de vontade? Hoje é seu aniversário e nenhum presente parece ser do tamanho exato de tudo que o que você me dá.

Cabe num papel florido meu jeito distraído de massagear seus pés? Quem sabe coloco num vidrinho os seus medinhos balbuciados enquanto dorme sob minha adoração insone. Ou mando entregar, como se fossem flores, seu cheiro pela casa, doce e primaveril, para que você saiba como me sinto quando o encontro descompromissado na almofada, na camisa dormida, nos meus cabelos.

Cabem dentro de uma caixinha aveludada, os meus sonhos contigo? Todos os nossos segredos, as confissões que jamais imaginei fazer pra alguém, mas te contei de graça? Cabe nosso encaixe no frio, nossa preguiça aos domingos, nossas declarações de amor despropositadas, nosso perdão que abraça? Cabe num cartão bonito que se abre cantante o nosso entendimento que não diz nada? Nossa doçura que resolve tudo como se tudo se tornasse nada, miudezas.

Vai ver que o amor é feito disso. De pequenezas, de tornar miúdos os problemas, a dor, a pressa, como bibelôs sem serventia de nada, mas nossos. Pequenina também, delicada, torna o amor a beleza, a gratidão e o afeto diário. E é de miudeza em miudeza que a gente vai se fazendo o presente um do outro, uma lembrancinha trazida ao fim do dia, um agrado chegado de longe, um jeito encontrado de dizer – Obrigado a você que já me deu tudo quando aceitou também ser meu. Feliz Ano Novo da Alma.

Diego Engenho Novo


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Tenho que confessar: eu detesto ler manuais. Dizem que homem não lê manual de coisa nenhuma. É por isso que instalamos as prateleiras novas da cozinha e ainda sobram peças suficientes para construir uma bomba-relógio, mas ela está lá: prateleirando.

Dia desses, recebi um manual ao fazer check-in numa pousada. Eram basicamente orientações gerais sobre voltagem, o jeitinho pra regular a temperatura da água, um manual de como passar algum tempo ali sem atear fogo em tudo.

Enquanto tentava entender o diagrama que esmiuçava o funcionamento da lareira, pensei: alguém já fez um bom manual, não para começos, mas para fins? Porque perdido mesmo a gente fica é quando algo acaba. Existe um manual para términos de relacionamento? Digo, um manual de boa partida, com boas orientações de check-out? Se houvesse um, o meu, seria assim.

Caro usuário do meu amor, esperamos que a sua estadia tenha sido satisfatória e que você leve boas lembranças de seu tempo em nossa conchinha. Nos esforçamos ao máximo para fazê-lo se sentir especial e, poxa, como você foi! Para nós é sempre inconsolável ver um bom hóspede partir, mas, entendemos, a gente é mesmo estadia, um na vida do outro.

Por favor, ao sair, não feche nenhuma porta. Teremos uma equipe especializada que tornará este coração habitável novamente. Não se preocupe com a bagunça. Foi um prazer ter você em cada cantinho nosso. Levaremos em conta suas sugestões de melhorias e ficaremos contentes se você também tiver aprendido algo conosco.

Deixe também abertas as cortinas da leveza. A leveza é uma tentativa tão honesta quanto boba. Mas olhar para ela nos tranquiliza. Antes de sair, aproveite seu café. Nossa variedade de sabores, de cheiros e de cores jamais será encontrada por aí. Talvez parecida, talvez melhor, igual jamais. Há ingredientes que só cultivamos aqui.

As piadas recorrentes que ainda te farão rir sozinho por algum tempo são brindes. Não sinta-se constrangido em também levá-las. Se puder falar bem de nossos serviços, claro, agradecemos. Se não for possível, perdoe qualquer transtorno.

Ao sair da propriedade não olhe pra trás. Não haverá glamour em nosso ato contínuo e interminável de nos rearranjar, limpar, dobrar e guardar sentimentos frustrados. Fique com a imagem de quando chegou, quando tudo parecia existir em seu perfeito lugar.

Fizemos tudo o que foi possível pra fazer você se sentir em casa, uma parte gigante do nosso pequeno todo. Caro usuário do meu amor, boa partida. De modo que jamais voltaremos a ter o mesmo tamanho, partidos também ficamos. Essa é a ironia graciosa da nossa vida. Check-out completo.

Diego Engenho Novo


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Segue um para o Sul e o outro para o Norte é hora de honrar a felicidade que se carregou. Enxergar a grandiosidade de terem sido dois, terem em algum momento, estado com um pé em cada continente, para seguirem então, um em cada direção. Com os pulmões como se fossem asas que nasceram à frente do corpo, caminham fortes, cientes de que estão maiores, levando em si um tantinho um do outro.

Na primeira noite, uma estranha paz tomou conta. As lágrimas frias e tristes se tornaram primeiramente mornas e depois aquecidas, de uma ternura que jamais se vira. Uma ternura líquida, uma saudade antecipada que já era um rio, um oceano, que tanto unia quanto separava. Sabiam que nem todo amor acabado precisa morrer. Sabiam que a morte não é ponto que encerra, mas dois pontos que abrem espaço para a vida dizer.

Na noite em que um dos dois escolheu jogar seu corpo para trás para não se afundarem ambos, entenderam. Que os mundos são feitos para se desprender, expandir. Um era mundo de si e o outro um planeta calado. E enquanto caía, após soltar o pulso firme de seu amado, sentiu que estava voando e não desabando. Enquanto caía, não parecia que outro estava menor, mas mais precioso.

Sabiam que nem toda distância precisa ser saudade. Que nem toda ausência precisa ser solidão. Que todo o amor que tinham ainda estava ali, litorâneo por todos os lados, margeando suas distâncias, devolvendo-os para o centro de si. Enquanto caía pensava nele como um país distante onde gostaria de ter nascido, para o qual sentia que, embora jamais fosse voltar, sempre estaria ligado. Em outro tempo, em outra vida, vai ver que um foi casa do outro. Segue um para o Sul e outro para o Norte, na doce ironia de um mundo redondo.

Diego Engenho Novo


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Eu queria que você morasse nesse pequeno instante, nestes exatos três segundos que estou vendo agora. Eu queria que você se deitasse no tempo, como quem descansa à sombra de uma quaresmeira florida, sem pressa de seguir. Eu queria você da forma como te vejo agora, pelo resto de uma vida: chegando.

Eu queria me manter curioso, descobridor de você, buscando pistas entre as palavras. Meu mistério eterno, quebra-cabeça irredutível, charada insolúvel, eu não queria jamais te entender. Queria me manter ignorante, bobo, com as mãos frias, ainda que suadas, quando me chegasse você. Eu te queria assim, se entregando aos poucos pra mim, roubando-me pra você.

Eu queria você em um movimento eterno de translação, desenhando meus contornos, expandindo minha órbita, vigiando a minha loucura, alimentando-a. Eu queria você sempre ao alcance do começo das minhas mãos. Eu queria te pausar agora, enquanto seu sorriso se abre quando me vê.

Eu queria guardar, não a primeira, mas a segunda vez que te vi. Foi na segunda que eu soube que queria morar ali por alguns anos, à beira do lago dos seus olhos, à margem do seu coração. Eu queria continuar acabando de te conhecer, ansioso pela sua volta, com uma vontade incontrolável de te encontrar pra não saber o que dizer, tropeçar nas palavras. Eu queria desacelerar o tempo pra fazer durar a doçura que é te receber em mim.

Diego Engenho Novo


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Perdi as contas de quantas vezes deixei de dizer. Afastei os lábios, inclinei-me em sua direção, inflei o peito, projetei a primeira da fila de palavras, mas não disse. Você estava ali, há alguns centímetros do meu toque, somente os sulcos das nossas digitais separavam você da minha paz.

Hesitei em pedir socorro, pedir licença, pedir silêncio. Protelei o que poderia ter sido um beijo ou o melhor de todos os beijos. E é esse o meu câncer parcelado; jamais saber. Desisti de ligar com todo o número já discado, desisti de gritar seu nome depois de caminhar até a sua porta de madrugada, escrevi uma carta inteira, que nunca será enviada, mas é sua.

E se eu tivesse feito naquele momento, o que a minha loucura mandava? E se eu tivesse simplesmente tocado o seu cabelo cheiroso e depois pensado na desculpa perfeita esfarrapada? Pensei que os “se”s ficariam lá atrás, na curva dos meus vinte e poucos anos. Talvez eu tenha subestimado a longevidade da minha insegurança.

O rapaz que lia o único livro de Augusto dos Anjos na estação de metrô estava ali, eterno, congelado, naqueles dois segundos entre a página virada e a sua distração para arrumar a gola da camisa. Se eu tivesse brincado, melhorado seu dia, confessado que também adoro o poeta químico? Ele teria sorrido? Teria se irritado? Teria me resmungado que sou doido, mas gostado? Teria levantado e me convidado para recitarmos juntos nosso poema rancoroso preferido? Se.

Hoje, eu cheguei bem perto daqueles ombros delicados, daqueles olhos miúdos e saltei. Eu poderia ter morrido, queimado ou congelado, eu poderia ter sido ignorado, crucificado, pecado por excessos ou por omissão, eu só não poderia continuar aprisionado a um eterno futuro do pretérito. Oi! –  quase que tossido e ele se virou sorrindo – Estava pensando em como falar contigo – centenas de milhares de milímetros vencidos. Vença o “se”, por si. Só isso.

(Dedicada a Hellen Flávia)

Diego Engenho Novo

 


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Case-se com alguém que adore te escutar contando algo banal como o preço abusivo dos tomates, ou que entenda quando você precisar filosofar sobre os desamores de Nietzsche. 

Case-se com alguém que você também adore ouvir. É fácil reconhecer uma voz com quem se deve casar; ela te tranquiliza e ao mesmo tempo te deixa eufórico como em sua infância, quando se ouvia o som do portão abrindo, dos pais finalmente chegando. Observe se não há desespero ou  insegurança no silêncio mútuo, assim sendo, case-se.

Se aquela pessoa não te faz rir, também não serve para casar. Vai chegar a hora em que tudo o que vocês poderão fazer, é rir de si mesmos. E não há nada mais cruel do que estar em apuros com alguém sem espontaneidade, sem vida nos olhos.

Case-se com alguém cheio de defeitos, irritante que seja, mas desconfie dos perfeitinhos que não se despenteiam. Fuja de quem conta pequenas mentiras durante o dia. Observe o caráter, antes de perceber as caspas.

Case-se com alguém por quem tenha tesão. Principalmente tesão de vida. Alguém que não lhe peça para melhorar, que não o critique gratuitamente, alguém que simplesmente seja tão gracioso e admirável que impregne em você a vontade de ser melhor e maior, para si mesmo.

Para se casar, bastam pequenas habilidades. Certifique-se de que um dos dois sabe cumpri-las. É preciso ter quem troque lâmpadas e quem siga uma receita sem atear fogo na cozinha; é preciso ter alguém que saiba fazer massagem nos pés e alguém que saiba escolher verduras no mercado.

E assim segue-se: um faz bolinho de chuva, o outro escolhe bons filmes; um pendura o quadro e o outro cuida para que não fique torto. Tem aquele que escolhe os presentes para as festas de criança e aquele que sabe furar uma parede, e só a parede por ora. Essa é uma das grandes graças da coisa toda, ter uma boa equipe de dois.

Passamos tanto tempo observando se nos encaixamos na cama, se sentimos estalinhos no beijo, se nossos signos se complementam no zodíaco, que deixamos de prestar atenção no que realmente importa; os valores. Essa palavra antiga e, hoje assustadora, nunca deveria sair de moda.

Os lábios se buscam, os corpos encontram espaços, mas quando duas pessoas olham em direções diferentes, simplesmente não podem caminhar juntas. É duro, mas é a verdade. Sabendo que caminho quer trilhar, relaxe! A pessoa certa para casar certamente já o anda trilhando. Como reconhecê-la? Vocês estarão rindo. Rindo-se.

Diego Engenho Novo


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