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deixa

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Como folhas secas no ar, como água pura entre os dedos, como um riozinho metendo-se caminho à dentro, deixa ir. Como profetas que caminham na beira da estrada, como dentes-de-leão que se despedaçam, como uma montanha que se esfarela, ano após ano, sem ninguém notar, deixa ir. Deixa partir de ti o amor que não te torna grande, o calor que não te acompanha, a saudade que só existe em você. Como estrela que se lança ao mar, segura de um novo céu, deixa ir.

Como a criança que se lança à frente em primeiros passos, sem medo algum de cair, como a noite que joga seu manto, dona imensa de si, deixa ir. Como a fé que segue adiante, como o livro que é viajante, como a pluma que de mãos dadas com a brisa, se torna também brisa por aí, deixa, deixa ir. Deixa que vá o apego ao medo, o desejo vazio, o silêncio como resposta, deixa que vá quem já vive à porta. Como as horas que giram, crianças fazendo ciranda, meninos matando o tempo na inocência do repetir, deixa ir.

Como as bolhas de sabão o sabem, como o pássaro que se põe mais longe, como os velhinhos que se guardam em si, cada dia um pouco mais. Como o beijo que se fez roubado, como o galho que aponta para o alto, acenando aos deuses que está ali, deixa ir. Deixa que tudo siga seu caminho mais natural. Porque também é da ordem das coisas que o seu encontre seus braços abertos, que o seu se deite em seu peito liberto, que te encontre através dos seus olhos iluminados. Como pista de pouso, como constelação, como farol que espreita as ondas escuras, deixa também o caminho aberto para quem quiser vir.

Diego Engenho Novo


 

 

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Deixa como está. Não daremos nome ao que temos vivido. Nomear é reduzir. Quando te perguntarem o que somos, diga que somos infinitos. Então deixa como está: você morre de saudades de mim e eu abro a porta, instantâneo. Eu reclamo sua falta e você fica um pouco mais, experimentando todas as minhas camisetas rotas que já aceitaram ser também teu tamanho.

E você será meu irmão e, ao mesmo tempo, amigo. Cheio de liberdades que eu não precisei te dar. Amante do meu silêncio, libertador do meu riso, cúmplice da demência que cava meus poros pacientemente através dos anos. E eu serei seu pai e ao mesmo tempo filho das tuas vontades. E enquanto nossas memórias se misturarem, seguiremos escalando as alturas um do outro com as dunas pequenininhas que moram na ponta dos dedos.

E ainda que todos os livros sobre deuses fossem adornados com respostas aos porquês das crianças; ainda que todas as cartas de Florbela Espanca estivessem escritas na linha do pê; ainda que todas as canções de amor se deitassem itálicas, preguiçosas; que todos os poetas solitários do mundo escrevessem um verso em um guardanapo numa mesma madrugada; ainda assim, não haveria palavras que suficientemente nos descrevessem.

Margear é encolher. Nós somos horizonte, que finge que emoldura, que se faz de borda, mas jamais aceita se deixar acabar. Descrever é resumir. Nós somos descoberta, obra aberta, história contada pelos anciãos. Então, deixa como está. Deixa que sigamos indigentes, perdidos na doçura que é do outro. Regidos pela lei universal que é a vontade de estar junto, a cada dia que se refaz.

E quando as covinhas da dúvida te sorrirem, e quando sentir o ímpeto numérico de saber até onde vamos, e quando a insegurança, aquela velhinha torta, vier perguntar, basta que você se procure na imensidão dos meus olhos quando eu te olho. Somos a busca de um pelo o outro e somos também encontro. Então, deixa como está.

Diego Engenho Novo


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