Quando Se Abraça o Caos

Quando Se Abraça o Caos

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Três da madrugada, o telefone toca e eu consigo atender quase que sem acordar. Era Laura, chorando muito, sem dizer uma palavra inteira, era quase a Laura. Em menos de quinze minutos parei o carro em frente ao endereço que ela conseguiu dizer entre os soluços. Ela entrou, se encolheu no banco com os sapatos caros em uma das mãos e me disse aquelas três palavras: me tira daqui.

Depois de um banho longo, conseguiu me contar da noite terrível que teve. Um encontro desastrado, terrível de fato, mas não era motivo pra tanto. Laura já tinha enfrentado barras bem maiores com muito mais altivez, com bem mais sobriedade. Quando ela me pediu que a tirasse dali, estava pedindo que a tirasse de si mesma. Havia chegado ao seu limite. Havia tido um encontro com seu caos.

Certa vez me disseram que o caos ordena o mundo a seu modo. Uma antiga parábola budista diz que uma pedra preciosa em meio à lama não se torna menos preciosa. Abraçados pelo caos aprendemos a brilhar ainda mais, nos reinventamos. Mais fortes, mais ágeis, mais conscientes das nossas reais necessidades, mais acordados. Porque é na escuridão que a nossa luz se sobressai e é em meio ao caos que reconhecemos nossa ordem.

Pare pra escutar, quando houver mais barulho dentro do que fora. Pare pra sentir, quando sentir te exigir grandes eventos também externos. Quando o caos se deitar em seu colo, pare a sua pressa, escute seus medos. Quem sabe o caos não é o coração forte dos deuses, te abraçando? Amanhã, eu tentarei dizer isso a ela na doçura da manhã. Por enquanto minha amiga só precisa se sentir segura. Laura, dorme tranquila, eu vigio o teu caos.

Diego Engenho Novo


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