Por Aí

Por Aí

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Se perguntarem por mim, diz que eu saí. Diz que eu não to. Que hoje eu não to nem aí. Se perguntarem por mim, já me aponta de longe, virando uma esquina. Deixemos os acertos, as culpas, deixemos tudo na companhia das promessas que ganhei. Amanhã, que é outro dia, pingos dos is. Pros meus sapatos se entreolhando, dos meus fracassos recorrentes, dos meus anti-amores debulhando-se, deixo o contorno de minhas costas como resposta.

Hoje eu não atendo, não aceito troco em bala, não dobro desaforo pra viagem, não engulo meias palavras. Se perguntarem o que deu em mim, só diz que eu saí, que eu cansei, me danei por aí. Das roupas que não me cabem, do tédio que não me paga, da companhia que só leva de mim e nunca me leva por aí. A todos eles que perguntarem, só diz que eu fui.

Hoje virei moleca que foge gastando os chinelos. Se perguntarem, não culpem o mundo. Foram minhas dores que desandaram-me. Então meus olhos serão do novo, do estar à frente, quero perder-me ainda que seja por poucas horas. Das carências que cobram afeto, das lembranças que cobram preços abusivos, a todos que devo desculpas pela falta de jeito, quando perguntarem por que saí depressa, só diz. Diz que eu saí de mim e volto tarde.

Diego Engenho Novo


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