Poema

Poema

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Amava aquela mulher de tão perto, de tão dentro, que já não podia se entender como sendo algo que não sua continuação, um braço, um rio, um galho, um pêndulo, um poema que só faria sentido sendo dito pelos dizeres dela. Amava aquela mulher com uma loucura tão grande, uma necessidade tão urgente que não lhe restava tempo para perceber que a amava mais, muito mais que a si mesmo.

A amava tanto que não conseguia desenhar um pensamento, uma razão por vez, uma linha reta que apontasse pra ela. Seu amor, sua paixão, sua inlucidez lhe caiam sobre a têmpora, de uma vez por todas, todas as vezes em que pensava naquilo. Preferiu chamar de “aquilo”, para parar de dizer seu nome. Ele sabia, mas nunca disse o nome dela.

Aquele amor não lhe trazia paz, nem silêncio, nem promessa, nem quietude, nem virtude. Aquele amor não lhe trazia nada, só levava, e ele adorava. Aquele amor lhe comia os ombros, as pontas dos dedos, os calcanhares e ele, servindo mais e mais. Ele queria beijá-la até que ela tornasse lábio, cheirá-la até que tornasse poro, agarrá-la, toma-la para si até que se tornassem um, depois meio, depois nada.

Ele queria cobri-la, verte-la, ele queria sê-la de tanto que a amava. Ele queria cegar-se para não vê-la de tanto que a precisava. Em oposição a isso, precisava vê-la, vê-la e vê-la para ter certeza de que não estava perdido. E de tanto amar, e de tanto querer, decidiu jamais dizer, sequer uma palavra em direção a ela. Nem mesmo aquela mulher poderia carregar um amor daquele tamanho.

Diego Engenho Novo


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