O Homem de Vidro

O Homem de Vidro

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Era uma vez um homem, um homem de vidro. Ele se movia devagar pelos cômodos empoeirados. Só seus olhos saíam à rua para passear. Lá está ele, olhando pela fresta da janela, pela fresta de seu coração trincado. Lá está ele, cada vez mais despedaçado, se desmontando por aí.

Se ele tenta reparar seu espírito, lhe quebra o abraço. Quando tenta juntar os cacos, estraçalham-se os pensamentos, quando tenta apagar a fenda, seu coração se parte. Se alguém tenta chegar perto do homem de vidro, se fere. Desde então, ninguém é tão sozinho quanto o homem que mora na alameda 13. O que é transparente é comumente confundido com o que é invisível.

Era uma vez, um homem de vidro e seu espírito de cerol. Foi mesmo tudo uma fatalidade. Pode ter sido o balanço dos acontecimentos, as tantas mudanças, o tempo, a falta de cuidado, mas seu espírito havia arranhado, uma frestinha quase invisível no cristal, sua companhia mais improvável.

Sem poder sair, ele escreve cartas para desconhecidos. Alguém lerá? Alguém o levará por aí consigo? Sem poder sair, é o carteiro que vai buscar seus ditos na fresta da porta. Todas as terças e todas as quintas, num caminho inverso perverso de cartas que estão sempre indo, mas que nunca chegam. Lá está lendo. Vês? Lá está ele, em sua caixa antiga com os dizeres: “frágil”.

Diego Engenho Novo


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