O Dia Em Que o Amor Nos Deixou

O Dia Em Que o Amor Nos Deixou

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A cidade vazia. Todos os prédios ocos, cheios de gente sozinha. O vento parou de brincar com as copas das árvores, os sinos da igreja pararam de exigir as horas, no céu nem uma nuvenzinha.

Naquela manhã ninguém foi trabalhar, descobriram que o amor é que dava sentido. Comiam pra ter forças, vestiam pra ter cor, saiam de casa todos os dias para voltar e encontrar o amor. Um sustinho.

Naquela manhã os pássaros também se aquietaram já que todos cantavam por causa do amor. Calou-se também o mendigo que mendigava amor. Calaram-se os carros, abandonados, que só aceleravam buscando o amor.

As crianças ficaram tristezinhas, as velhinhas pararam de bordar, toda a delicadeza só existia por causa do amor. Não havia mais choro, nem saudade, nem espera, nem olhos que se procuravam. A cidade era apenas um amontoado de saudades ocas sem pessoas dentro.

De repente, ouviu-se um estrondo. O amor, como onda que é, recuou e se despejou imenso sobre toda a cidade. Mas mesmo assim ninguém foi trabalhar, ninguém retomou carro, ninguém subiu à igreja pra tocar os sinos. Naquela manhã todos correram em um sentido e seguraram bem forte quem dava sentido pra todas as coisas.

Diego Engenho Novo

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