Nuca

Nuca

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Eu queria me enfiar na sua nuca. Ali, na prainha insistente que existe entre o seu pescoço longo e o mar turvo dos seus cabelos. Eu queria me enfiar lá, me fincar como se fosse verão. Eu queria chegar, me chegar pra cada vez mais perto, como moleque arteiro, se esgueirando pelos canteiros.

Eu queria ficar pertinho, bem pertinho da sua nuca. Até me encaixar, até me fazer caber no meio de cada nota, nas voltas do seu perfume, nas ondas do teu cheiro. Eu queria entrar nos seus pensamentos, ali, pela sua nuca. Eu queria invadir, pular a janela enquanto você estivesse distraída. Eu não queria passar pela lógica, pela culpa, pela racionalização exagerada. Eu queria entrar sem pagar ingresso, sem acordar seus demônios, sem alarmar o cachorro. De graça.

Eu queria entrar pela ponta dos pés, ir me encostando, quietinho, como um pombo. E eu iria me instalar ali, no meio das suas lembranças, como um objeto antigo que vai ficando, mudança após mudança, quase que esquecido. Eu queria chegar como quem já está. E eu queria ir embromando como quem se demora pra esperar a hora do jantar sair. Eu queria me demorar até morar ali.

Vai. Vai que você se distrai, vai que você nem percebe, vai que você me recebe como quem desiste de botar a poeira pra fora? Vai, vai que você até gosta, vai que faz vista grossa, vai que você aprende a gostar também de mim? Vai, vai que você me encontra, vai que você se assusta e logo em seguida me ri? Vai, vai que você me encontra e na pressa e loucura dos dias você acha que eu sempre estive aqui? Eu queria. Eu queria enveredar na sua nuca e nunca mais me sair.

Diego Engenho Novo


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