Meridianos

Meridianos

Segue um para o Sul e o outro para o Norte é hora de honrar a felicidade que se carregou. Enxergar a grandiosidade de terem sido dois, terem em algum momento, estado com um pé em cada continente, para seguirem então, um em cada direção. Com os pulmões como se fossem asas que nasceram à frente do corpo, caminham fortes, cientes de que estão maiores, levando em si um tantinho um do outro.

Na primeira noite, uma estranha paz tomou conta. As lágrimas frias e tristes se tornaram primeiramente mornas e depois aquecidas, de uma ternura que jamais se vira. Uma ternura líquida, uma saudade antecipada que já era um rio, um oceano, que tanto unia quanto separava. Sabiam que nem todo amor acabado precisa morrer. Sabiam que a morte não é ponto que encerra, mas dois pontos que abrem espaço para a vida dizer.

Na noite em que um dos dois escolheu jogar seu corpo para trás para não se afundarem ambos, entenderam. Que os mundos são feitos para se desprender, expandir. Um era mundo de si e o outro um planeta calado. E enquanto caía, após soltar o pulso firme de seu amado, sentiu que estava voando e não desabando. Enquanto caía, não parecia que outro estava menor, mas mais precioso.

Sabiam que nem toda distância precisa ser saudade. Que nem toda ausência precisa ser solidão. Que todo o amor que tinham ainda estava ali, litorâneo por todos os lados, margeando suas distâncias, devolvendo-os para o centro de si. Enquanto caía pensava nele como um país distante onde gostaria de ter nascido, para o qual sentia que, embora jamais fosse voltar, sempre estaria ligado. Em outro tempo, em outra vida, vai ver que um foi casa do outro. Segue um para o Sul e outro para o Norte, na doce ironia de um mundo redondo.

Diego Engenho Novo


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