Mehndi

Mehndi

Aos poucos a saudade foi tomando conta de mim, como a maré que vai embrulhando a praia devagar, mas com força. Como o mar que pisa no chão, a saudade foi me inundando. A saudade contornou-me os dedos compridos das mãos, foi preenchendo o pontilhado do meu entorno, a saudade foi me tornando quem sou.

A saudade segurou-me os pulsos, como quem diz “Não vai não!”, e foi ela mesma quem me lembrou de que tudo na vida se esvai. A saudade foi me vestindo os braços como a roupa pesada de inverno, com cuidado. Tomou-me o peito para si, beijou-me os ombros com delicadeza, a saudade não teve pressa ao passar por mim.

A saudade sombreou meu rosto, meus olhos, meus cabelos, meus pensamentos. A saudade me fez olhar outra vez lá para trás, como quem rememora: “Ei, você tinha notado isso?”. Tarde demais, depois de ir para tão longe, eu só conseguia pensar na falta que ainda me faz observar aqueles ombros miúdos.

Antes mesmo dos fins, ainda abrindo cada novo começo, a saudade já vinha se deitar aos pés da cama, como um cachorro envelhecido. A saudade passava todas as suas noites me assistindo, velando a minha cegueira, encantada pelos meus pés descobertos, encantada por me descobrir. A verdade é que a saudade sempre esteve aqui.

Por fim, a saudade abraçou minhas pernas, fez-me jurar jamais abandoná-la, como Maísa, Florbela, Frida, a saudade queria-me para ser só dela e de ninguém, de ninguém mais. E assim, a saudade se pintou de noiva, casou-se comigo, fez-me jura eterna. E assim, a saudade se deu de presente e hoje o meu mundo inteiro também é ela.

Diego Engenho Novo


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