Finito

Finito

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Quando meu som desaparecer no ar, após ondas cada vez mais fracas, de quais palavras você lembrará? Quando minhas cores se aquarelarem nas lembranças, após tons cada vez mais envelhecidos, qual imagem ficará guardada?

Se meu olhar não esteve sempre tão visível, o levo agora ao seu, para que fiquemos quites. Guarde contigo as linhas dos meus olhos e o que nelas sempre esteve escrito. 

Quando eu me tornar uma ilha distante, seus pés inconformados com o frio buscarão meu alcance? Até você me apagar, saiba que reaprender a viver sem ti é quase tão difícil quanto me reinventar. E eu não gostaria de ser outra coisa que não seu.

E serão cada vez menos constantes os rostos na rua que se parecem comigo, e vai se calar o telefone que toca e ainda sou eu, e vão se espaçar, até esvaírem-se os sonhos que te acordam como se fossem verdade. Um encontro marcado onde ainda somos possíveis.

Um dia nós vamos nos perder como se perdem da memória os poemas antigos, apagados, verso após verso não dito. Mas nós dois sabemos, que mesmo esquecidos, poemas antigos ainda falam de amor.

Diego Engenho Novo

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