Dois Rios

Dois Rios

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Não é possível, curar seu coração após feri-lo, abraçar sua solidão enquanto parto, permanecer ao seu lado agora que não estamos mais lado a lado. Não é possível, abrigar suas lágrimas e as minhas ao mesmo tempo. Não é possível segurar sua mão enquanto a solto, dobrar nossos sonhos com cuidado como quem os guarda para o amanhã. Eu não estarei aqui ao amanhecer.

Não é possível, tomar fôlego sem sentir seu ar, ainda próximo, ainda aqui. Não é possível retomar o começo, consertar as estradas, salvar-nos de nós mesmos. Não é possível engolir palavras, mas apenas cobri-las com palavras menos doloridas, como que as colocando pra dormir.

Eu não posso acompanha-lo em sua dor, nem amar de volta na amplitude que desejou. Mas eu espero verdadeiramente que alguém possa. Ainda que esse alguém seja você mesmo. Sigamos sem culpa, sem arrependimentos, porque na vida se tenta até acertar ou errar de vez. Nós fomos erro e acerto. Mas agora não é possível que eu proteja seus pés do caminhar pelas sombras. O que restou do meu amor só ilumina lembranças que de mim também partirão com o tempo.

Redescobrir nossas pequenas partes, repartir nossas descobertas e seguir com nossos tantinhos. Eles que juntos se faziam gigantes e um passo afastados já são menores. Mas não é possível continuar. Há um momento em que dois rios que se encontraram tornando-se o mesmo leito, despedem-se pra se tornarem mar. Nem mais juntos, nem mais separados. Outra coisa.

Diego Engenho Novo


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