Do Fim Para o Começo

Do Fim Para o Começo

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Adeus. E se só dessa vez, a gente tentasse o contrário? Não seria amor à primeira vista. O nosso primeiro olhar seria uma despedida, um olhar de quem parte, de quem deixa para trás. E se, só dessa vez, você não me perguntasse nada, se a gente só ficasse ali, quietos, como quem está cansado demais pra falar, só ocupando o espaço ao lado um do outro, o espaço que é seu. A gente não se conheceria no fim, como não se conhecia no começo.

Você me acharia estranho, depois comum, depois engraçado, depois me desejaria, depois se alimentaria de mim em seus pensamentos. O calor do seu toque aumentaria, e a cada dia, você descobriria um sentido novo para me desconhecer. E se, a cada hora, você ficasse um pouco menos experiente de mim e morresse de vontade de me entender. Com palavras, com mãos, com línguas, com beijos, comigo.

E daí, de trás para frente, seu interesse crescente faria de mim alguém melhor e eu faria o mesmo por você. Eu enxergaria que a luz nos seus olhos se acende e não mingua. Que o nosso assunto se demora. Assim, a cada dia, conversar com você seria uma dádiva, como quem começa a ler um livro e não consegue parar mais. Você seria o meu parágrafo preferido de Baricco, de frente pras ondas. Assim, a gente começaria conversando pouco, o essencial e, no final, por horas, essenciais um pro outro.

Você ainda não me amaria demais. Primeiro, tentaria me esquecer, depois não me odiar, depois me perdoar pelos meus silêncios. Perderia a paciência, me quereria um pouco, teria medo, me quereria mais, mas não com tudo de si, ainda. Pediria tempo, me chamaria no meio da noite, me chamaria de tolo, me admiraria um pouco e na semana seguinte, um pouco mais, e eu te faria rir, te faria chorar, eu ficaria para jantar e depois dormir.

Nossos beijos começariam curtos, quase que sem gosto, beijos sem pressa, beijos educados e na semana seguinte, se tornariam mais afobados, mais fundos, mais molhados, mais doces. E assim, do fim para o começo, nosso beijo se tornaria fisiológico, necessário, um encontro desesperado de quereres. Seus olhos me ascenderiam, me procurariam em meio às pessoas. E assim, me amando do avesso, num descuido do tempo você não se vai, mas chega me dizendo oi.

Diego Engenho Novo


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