Desconhecidos

Desconhecidos

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Muito prazer, eu sou alguém que você não conhece. Entre duas palavras inofensivas de boas-vindas, talvez não caibam todos os medos que carreguei pela vida, todos os sonhos que guardei através dos anos, todo o amor que encontrei pelo caminho. Muito prazer, já no princípio é preciso dizer que talvez eu seja mesmo uma rota inconclusiva, uma estrada que só vai, sem nunca chegar.

Muito prazer. E se você soubesse que todas as minhas manias também são recados do passado? E se eu te contasse que eu posso ser brusco me defendendo de terrores que ainda nem são reais? Você fugiria? Mudaria as calçadas retas que escrevem por linhas tortas? Você me julgaria, por ter mais certeza da existência das minhas dúvidas, que da longevidade dos meus sentimentos?

Muito prazer. Sou eu, um admirador das horas mais vazias, dos dias mais cinzas. Prefiro o mar das cobertas, leio bem menos que gostaria, não sei nenhuma receita de cor, tenho uma agenda que se alastra entre nomes para proteger meus únicos dois bons amigos. Muito prazer, eu sinto melhor os gostos quando fecho os meus olhos, eu sinto saudades de lugares em que nunca vivi. Assim, também sinto sua falta.

Eu sou o seu admirador secreto inverso. Somos fantasmas um do outro. Somos um tempo que há de sumir, uma vontade que há de ceder, somos o pouso que não descansa, repouso das lembranças, somos distâncias que aumentam enquanto se aproximam. Muito prazer, sou alguém que você já amou e hoje você prefere desconhecer.

Diego Engenho Novo


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