Copacabana

Copacabana

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Dia desses me perguntaram se eu estava namorando. Mais do que rapidamente respondi que sim, estava namorando uma pessoa linda. Queriam, claro, saber quem era. E como se fosse outra vez um garoto de doze anos só pude responder – Ela não sabe ainda.

Lembro que quando moleque, uma amizade se tornou amor. Aconteceu ali, em meio às nossas brincadeiras. Na minha cabeça, aqueles olhinhos só me viam mesmo como o amigo desengonçado. Um gostar bom, doce, longe de ser concretizado. Aqueles olhos nunca tinham parado em mim por mais de dois segundos.

Dez anos depois, nos reencontramos na internet, crescidos. E lá pelas tantas, decidi confessar – Eu era apaixonado por você, sabia? – um tempo – Para de brincar comigo, Diego! – sabia que não seria levado a sério, nem mesmo após uma década, mesmo barbado – Juro, sonhava com você, contava os minutinhos pra te ver, tive febre quando você viajou de férias com a sua família pro interior – e foi aí que ouvi aquelas incríveis palavras – Poxa, eu também amava você.

Claro, inevitável pensar no tempo perdido, no que poderia ter sido, pensar que poucas palavras teriam nos salvo, há dez anos. Mesmo tardia, a declaração de amor recíproco fez meu coração dar um pulinho, no meu estômago, aquele geladinho gostoso, outra vez. Eu nem estava me vendo, mas sabia, havia fogos de artifício nos meus olhos. Copacabana.

Mas quando me lembro de meus amores platônicos, nunca me lembro deles com tristeza, apenas saudade. Da inocência, do nosso combinado especial, entre mim e o tempo. Aqueles amores se bastavam, se cumpriam, se iam, sem nem mesmo necessidade concreta da outra parte.

Aqueles amores partiam da gente mesmo, da nossa vontade de se sentir amando o outro, da nossa devoção, admiração. E como tantas outras brincadeiras, aqueles amores nos iam deixando, sem dor, sem culpa, lerdos, como falta de memória. Aqueles amores iam se tornando outra coisa, ou talvez só migrando para outro hemisfério de dentro da gente, como pássaros.

Aqueles amores são a prova máxima de que amar depende muito mais da nossa disposição para isso, do intento nosso. Quando se sentir sozinha, lembre-se que em algum lugar, alguém também te ama em silêncio. Há dias em que você sentirá esse sentimento, chegando pertinho, disfarçado de brisa e depois, sumindo fininho no esfarelado do tempo, por puro medo de se revelar.

Diego Engenho Novo

(Tema sugerido pela leitora Kelly Cristina de Dourados-MS)


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