Chata de Galochas

Chata de Galochas

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Ela é conhecida da prima da vizinha de uma amiga sua, mas já se convida para as noites de queijo e vinho na sua casa. Você a conheceu em uma festa estranha com gente esquisita. Tem alguém aí dentro do banheiro? – você disse isso, mas ela ouviu – Vamos ser amigos pra sempre, trocar confidências e dicas de beleza? – ela quer ser sua amiga de infância, e não há nada que você possa fazer sobre isso.

Um novo amigo é sempre bom, conhecer gente nos mantém joviais, interessantes e interessados na vida. O problema é que essa moça aí, da porta do banheiro, é uma chata de galochas inveterada. Nem é culpa dela, ser chato é uma espécie de dom, só que ao contrário. Tem gente que agrega pessoas, tem gente que faz a mesa rir, e tem gente que cria climões homéricos, e essa pessoa, é geralmente a chata.

Desconfio que ela tente, se esforce para ser agradável, mas sempre dá tiro no pé. É a rainha de elogios kamikazes como – Ah, sim! Hoje você está bonita! – hoje! – Você emagreceu, né? Tava precisando mesmo – ou algo do tipo – Que delícia esse bolo! É de caixinha? – chata, chata, chata.

Seu dia está bom, seu cabelo fez as pazes com você, sua roupa te abraça e os pássaros cantam. O trânsito está aberto, o rapaz do caixa do supermercado está de bom humor e as pessoas bonitas correm nas praças em micro-roupas. Dia perfeito. Até ela aparecer. A chata se materializa da terra e brota na sua frente com seu repertório afiado de histórias trágicas, suspiros longos e a coroa de A Mais Sofredora do Bairro 2015. Bastam dois minutinhos pra azedar seu dia inteiro.

O que fazer? Reze, ore, ponha uma coleção de vassouras atrás da porta, chame a polícia. Ser educado não resolve muito. Você pede licença e ela vai junto. Ela tem licença especial para ser chata. Você diz que está sem tempo e ela se oferece para contar uma última história, rapidinho. Um grude. Deteste uma chata e ela vai te amar, só pelo exercício costumeiro de contrariar o mundo. Papai do céu nos proteja, da chatice, da deselegância, da indelicadeza, inclusive quando tudo isso partir de onde menos se espera: de nós mesmos.

Diego Engenho Novo


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