Textos para papais e mamães

Quando penso na gente minha, nos meus amigos de anos, sou tomado por uma saudade miúda. Lembro, claro, de nossos rompantes, de nossas loucuras, dos grandes eventos que testemunhamos com o brilho nos olhos que só parece queimar uma vez na vida. Mas a saudade vem dolorida, aperta pouquinho, chama baixinho de canto, quando lembro mesmo é de nossos tempos mais brandos, aqueles que pareciam banais, quando nosso amor era comum e estava o tempo todo ao alcance de uma vontadinha curta.

Não precisava de agenda, não carecia reserva, ninguém pegava avião. A gente meio que intuía que ia sair pra espantar o calor, pra ver um filme junto, pra dançar onde quer que fosse. Não havia estrada, nem remarcação, nem pressa ligando, só a gente se debruçando sobre um futuro incerto, que a gente adorava imaginar.

E é uma saudade doída, uma vontade absurda de dizer – Ei, vamo ali – e receber um sorriso de volta, já dando o primeiro passo. Naquela época, nossos celulares eram todos péssimos e nossas conversas muito melhores. Eu me lembro dos olhos, a gente se olhava muito nos olhos e eu ainda não entendia, mas hoje vejo aqueles lagos fundos de amor e cuidado voltando na minha memória, fortes.

Quando havia carro, era um e cabia todo mundo. A gente saía pela cidade, ouvindo música, cantando alto e sempre íamos parar no mesmo lugar, onde éramos tomados por um silêncio imenso que durava cinco ou seis segundos. Vim entender anos depois que aquela era nossa prece de gratidão, nosso medo de perder a amizade um do outro, como quem sai de um carro apertado de gente e se espalha pelo mundo.

De vocês eu só sinto saudade, da não necessidade de pompa, do estar bem vestido de chinelos, dos assuntos que iam além do trabalho, da nossa falta de organização sempre certeira. De vocês eu só sinto saudade, do nosso tempo de escola, das noites pós-faculdade, das viagens sem estada certa, da riqueza de nossa amizade, de quando não tínhamos ideia que um dia nos faríamos tanta falta.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no facebook:

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

E tem mais

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

Tenha um amigo que seja maior do que você. Não somente pelos braços mais compridos que nem mesmo precisam se alargar para te abraçar. Nem mesmo pelas ciências da vida que ele já recita como um poema curto de Adélia Prado, ciências que você ainda tenta assimilar, com certa dificuldade. Tenha um amigo de alma maior, coração mais largo e olhar mais sereno que o seu.

E ele, em muito vai lembrar a candura de seu pai, o humor preocupado de sua mãe, e pouco a pouco também se tornará sua família. E mesmo nos dias em que ele se sentir menor e reivindicar seu colo, você ainda estará sendo protegido por ele. Há gente que cuida da gente num caminho inverso quando deitam na paciência do nosso colo, quando choram no mirante de nosso peito, quando a sua simples presença nos torna também um pouco maiores.

Tenha um amigo que seja maior do que você. Que lhe ensine a ser generoso com miudezas como te emprestar um livro que você nem pediu ou te levar para tomar café quando você estiver perdido. Que lhe mostre a dignidade desculpando-se quando você nem estava exatamente bravo e lhe perdoando exatamente nos momentos em que você não poderia ser tão mais errado.

E a partir do respeito imenso que você recebe dele e do respeito legítimo que devolve de volta, estará criado um adorável círculo vicioso, como as vasilhinhas que viajam de uma casa para a outra. Nunca vazias, sempre comadres, refil eterno de um agrado novo, marmitas fartas de gratidão e amor. Tenha um amigo maior do que você. Para cultivá-lo como um campo florido que se alastra por quilômetros: delicado e imponente, simples e misterioso, valioso e aberto para quem quiser ver.

Diego Engenho Novo


Curta a minha página no Facebook

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

E tem mais!

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

Passe quanto tempo passe, aconteçam quantas mudanças aconteçam ao centro de nossas órbitas: reencontrar um olhar cúmplice, um cheiro conhecido, um abraço despreocupado é sempre reencontrar-se. Se pessoas são lugares, encontros são estradas. Reencontrar é pôr-se em trânsito, na ânsia das chegadas, no ímpeto das partidas. Reencontrar é colocar a alma para viajar como um carro antigo que volta às curvas de uma estrada conhecida, sem pressa.

A dádiva do reencontro fica mais clara, é claro, sobre as costas largas do tempo que se espreguiça, ainda que também seja possível reencontrar quem se vê todo dia. Reencontrar com a mesma doçura quem se viu antes dos sonhos, quem se reencontra na régua tórrida dos dias, no empilhar quase metódico das horas, quem a gente sempre tem à mão para dividir nossas banalidades mais simplórias. Penso até que amar é reencontrar alguém todo santo dia.

Reencontrar um olhar que descansa, um afago que toca, uma música que remete, um assunto que se continua após anos e anos como se só tivesse esperado a fervura do café. Alguém que traz consigo um tempo em que o tempo parecia ser mais distraído, alguém que nos devolve a firmeza da pele, a abundância dos cabelos, o aveludado da voz, alguém que nos devolve uma parte de nós que a gente nem sabia mais que existia. Reencontros deviam ser vendidos em potinhos: o melhor anti-idade que existe.

E devagarinho a gente nota que a beleza da vida também vive na fidelidade dos ciclos. Porque quem vai e nos deixa mais vagos, quem parte e nos reparte em gomos, quem constrói pontes de saudade que ligam um lugar a si mesmo, quem esmaece da retina e da rotina, mas a gente nunca esquece, também um dia volta. E nós, que até então éramos só um tantinho menores pela falta, nos tornamos imensos pela presença, abençoados pelo reencontrar. Ontem reencontrei meu amigo Glauber.

Diego Engenho Novo


A gente se encontra nas redes sociais : )

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo

Hoje abri uma caixa e encontrei uma foto de quase dez anos atrás. E quem foi que disse que ainda não dá para viajar no tempo? Estávamos lá, assistindo ao sol se ajeitar na cama, com os pés ainda descobertos de coberta. Estávamos ali, sentados sobre o rochedo que apelidamos de “O abismo”. Estávamos encarando os nossos próprios precipícios.

Fiquei olhando por uns instantes para os braços do tempo jogados carinhosamente por cima dos nossos ombros. O tempo não foi embora pela manhã, preferiu ficar abraçado, ouvindo nossas histórias. E a gente sabia que era feliz? Sabia, ué. A gente não se cansava de usar essa felicidade descarada como pretexto para sermos ainda mais felizes. Um desbunde, quase ilícito.

A gente se juntou pra ver jogo, que eu detesto, mas que me matava de rir. Eu jamais entendia quem ganhava e quem perdia já que a gente parecia sempre em estado de comemoração. Vai ver que foi a gente que levantou a taça. Mais um brinde, a nós.

A gente se juntou pra ler, pra ver filme e pra dormir antes das histórias terem fim. A gente se juntou pra falar da vida dos outros enquanto cozinhávamos. E enquanto falavam da vida da gente, a gente comia. Comia muito. Nos juntamos pra contar piada descabida, pra reclamar da política, pra sonhar com um bar que sabíamos que jamais teríamos.

Quando fez frio, a gente se juntou. E depois outra vez pra afastar o calor obstinado do verão. A gente se juntou pra beber, cair e levantar. E Deus sabe de todas as vezes que a gente se levantou, rindo das dores do amor ou da falta dele. A gente se juntou e continuamos sentados, lado a lado, porque envelhecer sozinho é muito chato. A gente se juntou e continua a se juntar. O tempo só está dormindo. O tempo é um menino.

Diego Engenho Novo


A gente se encontra nas redes sociais : )

https://www.facebook.com/DiegoEngenhoNovo/

twitter: @engenhonovo

snapchat: diegoengenho

instagram: @engenhonovo

youtube.com/diegoengenhonovo

https://plus.google.com/+DiegoEngenhoNovo