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Eu entendo que muita gente não entenda. Quem nunca amou à distância não pode mesmo saber como é se sentir intimamente ligada a alguém que está há quilômetros, horas de voo, dias de estrada, meses de espera da gente. Essa conta não fecha, não é mesmo? Um mais um tem que ser sempre dois, embora nem sempre seja.

Idealmente o que todo mundo quer é o outro ao pronto alcance da mão para aquecê-la, um colo facilmente acessível para onde se possa correr nos dias mais difíceis, beijos estalados como vírgulas e outros demorados encerrando as frases.

Mas nem sempre dá, nem sempre é possível se apaixonar pelo garoto que mora na esquina ou a moça que trabalha no terceiro andar. Às vezes toda a nossa bagagem emocional é extraviada para um país distante. E lá vamos nós, atrás do que é nosso, tentando reunir outra vez tudo o que faz sentido pra nós, numa jornada anti-solitária.

Eu entendo que muita gente confunda meu amar à distância com um amor distante. Meu amor nunca esteve longe. Por todo esse tempo, ele sempre permaneceu em mim. E se faz tão presente quanto é possível nas mensagens, vídeos, bilhetes, surpresas, tickets de correios e passagens aéreas. Parece que o amor constrói mesmo suas pontes. E ele é capaz de obras inimagináveis a partir das miudezas que vai juntando.

Eu entendo que muita gente seja descrente. Que coloquem em xeque nossas horas conversando pelo telefone, sobre assuntos que vão da música oitentista até a saudade quase tátil que sentimos nos dias mais frios. Que pensem que eu poderia estar melhor acompanhada do que deitada com meu tablet no travesseiro ao lado para poder imaginá-lo aqui. Mas eu não posso convencê-los de nada (e nem quero!). Eu só posso dizer que sim, nós existimos, e é maravilhosamente bom agora que posso dizer isso: nós.

Às vezes o garoto por quem temos esperado metade de uma vida mora mesmo ali na esquina, só que de Hong Kong. E algo dentro de nós nos diz que é melhor ter uma pista que vem de longe do que nenhuma possibilidade aparente da existência de alguém tão adorável. Eu jamais abriria mão do que sinto agora.

Se o amor é, como dizem, uma grande viagem, nós só pegamos o caminho mais longo. Se esse não é seu caminho, apenas não o trilhe, ora. Pra mim toda a distância vira poeira quando ele abre a porta e diz me abraçando demorado – Eu estou aqui – e tudo em mim faz sentido.

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Meus avós costumavam contar que antigamente, quando ainda não existia eletricidade nas casas, e combustível para as lamparinas era artigo raro, a pouca luz que se tinha em casa era regrada. À noite, as pessoas apenas se aquietavam.

Mas quando ia se fazer uma visita ou levar um agrado, a luz da lamparina que iluminava o caminho, que clareava a estrada, era recebida pela casa com as seguintes palavras: “Bem-vindo você que trouxe luz para essa casa”. Eu sempre adorei essa história.

E o que é o amor se não isso, luz trazida de longe para iluminar a gente por dentro? Basta olhar para ver como os amantes se iluminam mutuamente. Em uma medida rara, são o ascender dos sonhos do outro, o aquecer da candura do outro, a centelha que generosamente se multiplica em nome do outro, sem esforço desproporcional, sem anulação. Iluminam, um ao outro, apenas existindo.

E nos momentos difíceis, em que nos perguntamos se o amor vale mesmo todos os desafios, a conta é fácil: se há respeito pela grandiosidade do outro, vale. Se há generosidade de aguardar o tempo de maturação da calma do outro, vale. Se após a tempestade, vem a doçura se assentando no horizonte, ainda que tomada emprestada das memórias, vale.

Vale porque, muito além do que se abre mão, há tudo que se ganha sendo dois. Ganha-se um colo que não exige pressa, pés que entrelaçados nos situam na noite, olhos que entrelaçados nos aprumam no dia. Ganha-se um parceiro sem julgamento para os domingos preguiçosos, uma voz que acalma em meio à rotina, um riso pela casa que também faz rir.

Ganha-se na espontaneidade de quem rima com seu jeito sem ensaio, ganha-se em silêncios que se respeitam, orgulhos que se põem de lado em espera, beijos paliativos, conversas que não se despedem. Ganha-se mãos que encorajam, interesse para os seus assuntos sem nexo preferidos, intimidade deliciosamente conquistada, ganha-se compreensão. Ganha-se o estado constante de estar-se iluminado pela existência do outro.

Diego Engenho Novo

 

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Quando a grande luz abaixou por trás da montanha serena, ele foi uma das primeiras coisas que eu vi. Tava ali curioso, ensaiando pra me cumprimentar. Pessoinha intrigante, o gigante pequeno. Vinha de tempos em tempos, meio desconfiado, tentando me entender com os olhos. Parecia justa a curiosidade. Eu era a novidade que eles gostavam de chamar de – o bebê. Pouco imponente, eu sei, mas todos os gigantes atrás da montanha serena respeitavam – Lá vem o bebê! – abriam caminho.

Ao contrário dos outros, ele era silencioso como uma nuvem a passeio. Minha paz no meio de tantos zumbidos, miados, fungadas, que era o que soava enquanto eu passava de mão em mão, como um prêmio. Sobrevivi também a isso. Descobri cedo que se eu ficasse com os olhos bem abertos e estatelados, eles simplesmente param. Entenda isso – gigantes adoram atenção.

Às vezes me deixavam tomando conta dele, do pequeno, e claro, eu vigiava. Entre uma soneca e outra, entre uma fome e outra, eu me certificava de que ele estava ali se também à minha existência. Falávamos sobre um monte de coisas que não me tinham sentido, mas eu gostava do som pausado da fala dele.

No dia em que ele apareceu sem o sorriso das bochechas, eu não pensei duas vezes: tirei minha chupeta e quis emprestar. Orgulhoso que era, não aceitou. Ficamos ali em silêncio, acompanhando a pausa do outro. Ele não era lá muito forte, mas, ainda assim, tentava me dar apoio pra que eu enxergasse o mundo inteiro além da montanha serena. Era sempre um rápido e incrível passeio. Ele me foi companhia, foi o alcance do meu braço, ele era o pequeno gigante que também me tornava maior. Hoje, acredite você – eu me tornei um gigante bem maior do que ele. À montanha serena nós damos o nome de mãe.

Para meu irmão Marcos,

que sempre me viu bem maior do que eu era.

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Diziam os antigos que os homens eram anjos lançados à Terra pra aprender os dons do sentir. A eles foi dado um desafio – ao perder uma de suas asas, cada um devia encontrar um jeito de voltar pro céu. Quando conseguissem isso, descobririam também o mistério da vida humana. Centenas de milhares deles, lançados ao mundo, meio mancos. só com uma asa.

Aí, durante milhares de anos, os homens tentaram de tudo pra voltar pra casa. Subiram montanhas que os aproximavam das nuvens, construíram máquinas que os levassem bem alto, plantaram árvores que cresceriam até o céu. Mas nada parecia funcionar. Com apenas uma de suas asas, todos os anjos estavam aprisionados por aqui, sem poder voltar.

Aos poucos, eles perceberam duas coisas fascinantes – primeiro que seu esforço de voltar ao céu, havia desenvolvido, sem querer, os saberes da humanidade. Ao seu modo, cada um havia evoluído em ciência e sabedoria. Segundo, que a resposta pro enigma que os havia trazido sempre esteve ali, ao lado. Abraçados, cada anjo com sua asa solitária formava um par de asas.

E o outro era a benção, e o outro era o equilíbrio. O outro era a liberdade, e também era o sentido. Sempre que penso nessa história, me lembro da minha amiga, Nane. Porque é exatamente assim que me sinto – abençoado pelo nosso encontro. Sinto que juntos poderíamos cumprir qualquer jornada. Nas noites em que eu estivesse cansado de bater minha asa, ela se esforçaria um pouco mais com a sua e nós seguiríamos. Nas tardes em que a fadiga e a descrença a alcançassem, eu tornaria possível e permaneceríamos avançando.

Quando estamos longe, sinto meu mundinho ficar pesado, em processo claro de desequilíbrio. Basta um ‘oi’ e já volto a enxergar respostas, a aceitar caminhos, a ficar levezinho, a flanar em suas histórias. E com tanto amor, tanto cuidado, tanta candura e afeto, nem percebemos que, aos pouquinhos, estamos mesmo retornando. Amigos são a asa que nos eleva e faz a gente enxergar mais longe. Os amigos são anjos que levam a gente de volta pra casa. Assim já diziam os antigos.

Diego Engenho Novo


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Bom, ainda tem gente que não sabe que nós batemos nossa meta (e depois dobramos a meta haha). Obrigadão, gente!

– Uma segunda meta foi estabelecida: se chegássemos aos R$ 20mil, todos os contribuidores ganhariam um presente surpresa. E nós também batemos essa meta aeee \o/

– E agora? A Kickante leva de 20 a 30 dias pra reunir todos os pagamentos (boleto, cartões, paypal) e passar pra gente, então…não, o livro ainda não tá pronto. Rs

– Enquanto essa grana não chega, estamos concluindo algumas coisas que não dependem diretamente da grana como prêmios “A crônica da sua vida” e a criação de algumas peças como o “presente surpresa”.

– O que já sabemos sobre o livro é que, aquela capa que foi divulgada na campanha, vai mudar. Ela foi feita pra dar uma ideia visual, tornar o livro mais real, mas nossa ideia é fazer algo ainda mais lindo e profissa.

– Já temos lançamentos do livro confirmados em: Palmas-TO (cidade com maior número de contribuições), Gurupi-TO (a cidade onde eu nasci, pq né, tem um monte de tia que quer o livro ♥), São Paulo-SP (segunda cidade com maior número de contribuições e Rio de Janeiro-RJ (terceira cidade com maior número de contribuições. As datas vão ser definidas depois que a grana for liberada e a gente tiver uma certeza maior sobre os prazos de entrega do livro e das recompensas.

Obrigado, seus lindos!

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"Quando temos esperança, transformamos todas as nossas perdas em algo melhor do que havia antes"

Fica, vai ter bolo. Não posso ser mesmo injusto com o ano que passou, ou está para passar. Ele foi de fato árido, cheio de complicações, com ondas maiores e maiores, mas, de alguma forma, chegamos ao fim dele, um tanto transformados.

A quem perdeu alguém, digo que pessoas não são perdidas. Elas permanecem aquecidas e vivas por muito tempo dentro de nós. Quando sentir saudade, basta lembrar que ela está por aí, em algum lugar, sendo linda, plantando saudades novas, feliz por caminhar.

A quem perdeu tranquilidade, digo que tranquilidade nunca se perde. Ela se ausenta, olhando-nos ao longe, como um pássaro leve. Porque ela sabe, que enquanto está por perto nós não fazemos grandes alvoroços. Há de fato em todo veneno, uma dose de remédio. Um dia nós compreenderemos isso com um sorriso largo no rosto.

A quem perdeu a esperança, digo que a esperança está além das perdas. Ela se regenera como um rio limpa-se lentamente após as águas turvas da chuva, porque é muito mais a própria esperança que crê em nós, do que nós mesmos nos apoiamos nela. Ela insiste porque sabe que quando temos esperança, transformamos todas as nossas perdas em algo melhor do que havia antes.

Fica, vai ter bolo. Por tudo que passamos nesse ano de tristezas, de perdas, preocupações, sejamos então gratos, por chegarmos ao fim dele mais humanos, mais fortes, mais serenos, maduros e esperançosos de que por mais que a vida não melhore na curva do ano, nós certamente já o somos.

Diego Engenho Novo

 


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