Crônicas

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Minha avó ainda é daquelas avós de antigamente – ainda faz comidinhas e me dá dinheiro escondido no meu aniversário. Mesmo sendo minha heroína, às vezes solta frases dignas do Darth Vader, como – Quem tem dó do coitado vai para o lugar dele – ou – Quem muito se abaixa acaba mostrando os fundos – terrível. 

Isso me soou como egoísmo da parte dela por muito tempo. Como aquela mulher que fazia tudo por mim, não se importava em nada com os outros? E não é que aprendi recentemente o que ela estava tentando ensinar? A dureza de suas palavras só foi vencida pela dureza da vida. Estou falando de ingratidão. Conseguimos mais uma vez transformar o veneno em antídoto.

Em uma carona no interior do Piauí conheci um homem que me ajudou a digerir a ingratidão humana e o nazismo da vovó. Foi exatamente assim: ele parou o carro, eu entrei, ele disse seu nome e atirou – Pensar mais em si ao ponto de não ser egoísta. Ser bom, mas não ao ponto de ser bobo – sua frase pretendia justificar o motivo de parar para dar carona a um desconhecido. Mal sabe ele, que naquele dia, ele me salvou de mim mesmo.

Entender que o tratamento que damos para as pessoas nem sempre é correspondido é duro, duríssimo. Em diversos momentos nos prejudicamos por não saber dizer não, ou por oferecer demais. Uma boa dica, que aprendi com ele? Ajude os desconhecidos, porque deles você não espera nada de volta, está livre disso. Não existe nada pior do que descobrir em uma curva dessas da vida que a gente não sabe nem a cor real dos olhos de quem achávamos saber tudo. Farinha pouca, meu pirão primeiro – já dizia vovó. 

Diego Engenho Novo


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Aí está: um ano novinho em folha pra gente viver. E mesmo com as ameaças renovadas, a cada ano, de que o planeta possa explodir no ar como um balão – lá seguimos nós cheios de fé e planos. Já virou até piada, mas todos os novos anos trazem de volta um cardápio fascinante e infindável de novas promessas.

Perder aqueles benditos três quilos; parar de fumar; voltar logo pra academia; aprender outro idioma; falar menos palavrão; comer menos carne vermelha ou atender cada vez menos ligações daquele safado do seu ex-namorado. Tem gente jurando de pés juntinhos desligar a televisão e ler mais. Outros, beber menos e parar de combinar coisas que nunca poderia cumprir sóbrio, como uma viagem de volta ao mundo com a turma do futebol, sem as esposas.

Passar um carnaval na Bahia, férias fora do país, não assistir a reality shows, começar um curso de meditação, saber de cor todas as músicas do Chico. Largar um emprego medíocre, montar seu negócio próprio, ligar pra sua mãe mais vezes por mês, quebrar todos os seus cartões de crédito… Quatro… Três deles… Quebrar o que tem o limite maior… Certo! Quebrar coisa nenhuma, mas gastá-los com sabedoria e equilíbrio.

Lembro-me sempre do conselho dado por uma senhora budista ao me ouvir reclamar que queria um carro – Tire a carteira de motorista! – Mas eu não tenho carro, a senhora não ouviu? – Tire a carteira e o carro vem – certeira. Em outra ocasião, choramingava como era complicada a relação com a minha mãe. Foi aí tomei uma colherada de pau na cabeça – Pare de falar mal da sua mãe e a relação de vocês melhora! –  tiro e queda. Então, não basta estar incomodado, é preciso mesmo promover algum esforço na direção do que se quer alcançar. 

Diego Engenho Novo


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