Cartas dos Leitores: Sol de Si Mesma

Cartas dos Leitores: Sol de Si Mesma

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Bom dia Diego, seus textos são uma dádiva. Já passei por situações na vida nada agradáveis. A minha pior foi uma separação, depois de vinte anos de casada. O chão se abriu. O mundo parou pra mim.

Busquei todas as formas de sair do fundo do poço. Entrei na academia, passei a fazer mais leituras, busquei todas as receitas para afastar a depressão. Fui me redescobrindo, vendo o que me agradava, como assistir novamente os filmes no cinema (caraca! fazia mais de 20 anos que não ia ao cinema!)e como é bom! Busquei no fundo de meu baú da alma coisas que deixei de fazer e, assim, fui aos poucos ressurgindo.

Aprendi a me cuidar, a usar batom para mim e mais ninguém. Hoje posso dizer que a separação foi a melhor coisa que me aconteceu. Eu libertei uma Camila presa, que vivia no automático. Posso dizer que a separação foi a melhor coisa que me aconteceu. A dor sumiu de mim e fui aprendendo cada dia a viver. Viver comigo mesma. (Camila – Florianópolis-SC)


Ei, Camila, bem-vinda à luz. Não estou falando do mundo que há aqui fora, cheio de possibilidades. Talvez dele também, em parte, mas não só dele. Estou dando as boas-vindas à sua própria luz, que você reencontrou após tanta dor.

A gente não pode se culpar: o estar junto é estar próximo demais e, é claro, algumas vezes nós nos perdemos um pouco. A gente se mistura, se dilui, se alimenta do outro, sem bons modos. Não sei se concordo com o que algumas pessoas dizem, que tem gente que deixa de ser a si próprio quando com o outro, como se isso fosse algo ruim. Nós estamos renascendo o tempo todo, experimentando, aprendendo com os novos gostos e costumes. Nós estamos nos melhorando, toda vez que nos encostamos à luz de outra pessoa, como se cada um, carregasse uma centelha de fogo.

Claro, quando saímos, quando estamos machucados, achamos que nós perdemos, porque nos sentimos perdidos. Tempo, amor, vida, ficamos ali calculando o prejuízo aparente. Mas nenhuma relação nos deixa sem nadas nas mãos, mesmo aquelas onde não se recebeu nenhum amor. Quando se ama sozinha, se ama por dois. Naquele momento você está aprendendo consigo mesma, trocando consigo própria, alimentando sua própria chama, sol dos próprios dias.

Camila, você fica linda com esse batom. Não deixe ninguém jamais tirá-lo de você, ainda que com beijos. Pensar em como você foi corajosa para se descobrir e nadar para cima, me inspirou. Que essa nova mulher continue se transformando e aprendendo. Sozinha, acompanhada, sendo farol para os outros, ou incandescendo de si mesma. Estou por aqui. Grande beijo, Diego.

((Nomes, locais e fatos podem ter sido alterados ou subtraídos para preservar a privacidade das pessoas envolvidas). Envie a sua carta para cartas@palavracronica.com.br)

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