Anti-pânico

Anti-pânico

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Afaste-se. Afaste-se lentamente para trás. Arraste um pé à sombra do outro, movendo-o na direção segura. Afaste-se, acalme-se secretamente para longe. Empurre-se, tire-se enquanto é tempo das vontades escuras onde se enfiou. Saia, calmamente, como quem transpassa as portas anti-pânico do lugar que incendiou.

Use do peso que o peito agora carrega, use sua cabeça imensa que não para de pensar, use seu corpo deformado internamente pela dor como um pêndulo e balance-se para longe de lá. Afaste-se. Afaste-se lentamente dos sonhos que você mesmo bordou, dos medos que você mesmo inventou, dos pecados que não são seus, nem de ninguém.

Afaste-se. Afaste-se e não leve nada. Tudo agora pertence a um lugar que já não tem mais nome. Que já não é mais lar porque não aquece, nem estrada porque não liberta, e nem mesmo campo porque não te alimenta. Afaste-se, como quem se afasta de um leão que dorme. Olhe-o fixamente, enquanto sente todos os músculos do seu corpo se doendo pra trás.

Um passo, depois o outro, afaste-se do título de dono do que não lhe pertence, do peso de completar o que não te completa, da insistência de tentar salvar o que te mata aos poucos. Afaste-se e olhe duramente por cima do ombro. Enxergue o que está atrás se fazendo à frente, enxergue que maior que toda a sua dor é seu horizonte. Afaste-se. Afaste-se lentamente para longe dele.

Diego Engenho Novo


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