A Mulher Por Trás dos Ombros

A Mulher Por Trás dos Ombros

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Assistindo ao documentário sobre os índios Krahô, “Hotxuá”, dirigido brilhantemente pela atriz Letícia Sabatella, viajei de volta a uma aldeia no coração do Tocantins. Era Carnaval e nós não estávamos com espírito para Chiclete com Banana, queríamos uma aventura de verdade. Empilhamos as mochilas no carro e tivemos uma ideia maluca – Vamos conhecer uma aldeia indígena? – fomos.

Estrada terrível, carro abandonado na cidade, trilha difícil por cima de pedra, por dentro da água, do jeitinho que a gente queria. Na linda aldeia em formato de sol pudemos vivenciar com aquele povo toda a sua ancestralidade, seu conhecimento, sua sabedoria. A ansiedade de conhecimento me levou, antes mesmo de guardar a bagagem, a perguntar pelo índio mais velho da tribo, seu tesouro.

Após algum tempo, lá estávamos, sentados à frente daquela figura mítica, que fumava o seu cachimbo e nos lia, enquanto praticava a receita de longevidade daquele povo, rir. Sua mulher é bonita – disse o ancião. Enquanto eu tentava explicar que éramos só amigos, ele já me corrigiu – Ela parece ser sua mulher, porque está sempre atrás dos seus ombros – eu não sabia como desfazer aquele mal entendido, então segui a receita da casa e sorri.

Ao final do dia, enquanto íamos ao rio, acompanhados pelo jovem filho do cacique, vi dois casais voltando – Por que as mulheres tem que andar alguns metros atrás do próprio marido, Renato? – perguntei querendo entender como aquela cultura via a submissão feminina, ali evidente – A mulher sente mais, vê mais longe, ela vai atrás para proteger o marido do perigo que surge pelas costas.

Corri para abraçar a minha mulher. Por anos tive uma relação difícil com aquela amiga. Sentia-me sufocado, vigiado por ela e por aquela que me parecia ser uma relação claustrofóbica. Neste dia entendi seu cuidado, seu medo de que algo me acontecesse. Eu tinha uma mulher, em um dos melhores sentidos, e não sabia. Que a gente valorize mais quem nos cuida, que a gente entenda mais quem nos ama. Vez ou outra, pare e surpreenda a mulher atrás dos seus ombros com um longo abraço de gratidão.

Diego Engenho Novo

 


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